Fallas de Valencia: carnaval + Oktoberfest + festa junina

Os preparatórios para ir a Valencia durante a festa mais famosa, as Fallas, começou quase um mês antes do fim de semana do dia 17 de março. Buscamos hostels, hoteis, abrigo na casa de conhecidos. A cidade já estava lotada, os preços lá em cima e os hostels estavam exigindo um mínimo de 5 dias de pernoite para fazer a reserva.
Também tínhamos a opção de ir de excursão com outros intercambistas de Madrid por 25 euros: sairíamos pela manhã para voltar chegar aqui no dia seguinte. Descartamos. Queríamos conhecer a festa, sim, mas principalmente a cidade, o que nos tomaria um pouco mais de tempo (e eu, Dani, queria comemorar meu aniversário decente e dignamente!). Acabamos encontrando um quarto aconchegante na região de Calicanto, próximo a Valencia.

Comecei a viagem nervosa enquanto esperava a Dani descer da estação de trem  e chegar à rodoviária de onde saía nosso ônibus antes das 9h. Ela chegaria de Pontevedra às 8h, mas teria que estar na estação de ônibus umas 8h50 para não perdermos a viagem.(Eu também tava super nervosa, apesar do sono!) De Chamartín a Mendez Álvaro são quatro paradas e quinze minutos de viagem caso você não pegue o trem errado entre os que saem das onze plataformas da estação (sim, eu quase peguei o trem errado, mas pedi ajuda pros seguranças que me disseram: “cooorre pra outra plataforma!!!!!”).
Deu tudo certo e às 8h40 já estávamos em frente ao ônibus, guardando nossas mochilas. Passamos as quatro horas de viagem falando sem parar, contando as novidades irritando os demais viajeiros que tentavam dormir.(também, pudera, pela internet só conversamos coisas de viagem, hostel, cidades..!)

Já em Valencia, pegamos outro ônibus para Calicanto. Qual foi a nossa surpresa quando o ônibus que levava ao povoado demorou cerca de meia hora para chegar à parada mais próxima da nossa estadia. Sabíamos que estávamos longe da cidade, mas não tanto! Passamos por plantações de uva, campos verdes, casas que nos lembraram o interior de São Paulo.

Dali, a Paqui, nossa anfitriã, nos buscou de carro para levar à sua casa, que ficava em um morro, a uns 5km da parada de ônibus. Só então nos demos conta de que havíamos reservado um Bed and Breakfast: estadia na casa de um morador local, com café da manhã incluído. No nosso caso, com janta incluída, também. Ficamos impressionada com a paisagem e a tranquilidade da casa em Calicanto. Nada do que a gente esperava, mas um pouco do que estávamos precisando.

Nosso quarto na casa da Paqui, nossa anfitriã de Bed and Breakfast

A Paqui aceitou trocar nossa janta por um almoço, já que tínhamos muita fome e o próximo ônibus a Valencia só passaria dali a duas horas (!). Foi nosso primeiro almoço caseiro não preparado por nós mesmas.(pasmem, até bacon eu comi,tamanha a fome!)Paqui foi super atenciosa e nos passou toda programação das Fallas. Contou um pouco da história da festa, de como já estava cansada de participar das Fallas durante anos, coisa que suas filhas e marido ainda fazem todos os anos.

Depois pegamos o ônibus de volta a Valencia para conhecer a cidade e a festa! Primeira impressão: uma grande festa junina. À noite havia feiras com barracas de souvenires,  bolsas, calças, brincos colares pulseiras, doces abundantes e de todos os tipos, churros e porras (tivemos que experimentar as porras…são churros mais gordinhos recheados de creme, nada mais!) Aproveitamos para nos situar pela cidade, ver alguns bonecos (as Fallas, que no dia de São José, 19 de março, são queimadas), comer um bocadillo (A mi tinha uma impressão ruim de bocadillo de tortilla, mas esse ela curtiu, e agora garanto que vai provar todos!) e pegar o último trem de volta a Calicanto.

A primeira falla que vimos. Nos lembramos dos bonecos de Olinda. Mas as fallas são muito mais elaboradas e maiores!

As ruas estavam cheias de gente, mas nada comparado ao que veríamos no dia seguinte, quando saímos às 9h30 de Calicanto com planos de voltar só no dia seguinte. Ao chegar na cidade, no outro dia, mais uma impressão sobre a festa: uma mistura de Oktoberfest com desfile de 7 de setembro. Havia grupos de falleros vestidos a caráter, caminhando e fazendo música pelas ruas. O repertório variava  das canções mais tradicionais até a melhor versão de “Ai se eu te pego” que ouvi até agora. (O meu repertório é maior, já até estou com uma pasta no computador com todos os vídeos de Ai se eu te pego aqui na Espanha, o melhor que eu ouvi foi em Xinzo de Limia, na Galícia).

A falla mais bonita! Reparem nos detalhes!

A primeira programação das Fallas daquele dia era a Mascletá: cinco minutos de fogos de artifício que acontece na Plaza del Ayuntamiento, todos os dias, às 14h. Às 13h15 tentamos chegar à praça, mas ficamos parados em meio à multidão que também tentava alcançá-la. Uma valenciana nos disse que já havia gente esperando desde as 12h. Alguns apartamentos próximos à praça alugavam suas sacadas para quem quisesse assistir à queima de camarote.  A princípio, a Mascletá é só uma queima de fogos de artifício durante o dia. Mas são tantos e de tão grande intensidade que o chão chega a tremer. Fiquei arrepiada.

A próxima atração da festa era a oferenda à estátua de madeira da virgem dos desamparados, na Plaza de la Virgem.
Chegamos cedo e a rua que levava à praça também estava sendo bloqueada pelos policiais para que os falleros pudessem passar levando sua oferenda. Passamos por aquela velha situação vergonha-alheia: uma senhora (barraqueira!)começou a reclamar com algumas pessoas que estavam em frente à grade de proteção. Dizia que estava há muito tempo esperando a oferenda começar e que quem chegou depois não poderia ficar na sua frente. Sua filha era a fallera mayor (a “Rainha das Fallas”) e ela queria vê-la levando a oferenda – ela gritava, para que todos compreendessem a injustiça! E não só isso, também exigia que a grade de proteção fosse afastada um pouco mais para que houvesse mais espaço para os falleros passarem e, é claro, para que menos gente ficasse entre ela e sua filha – a fallera mayor. Passaram moças, crianças, rapazes, senhores, e até o neto de quinze dias da colega da mãe da fallera mayor! (muitas mulheres passavam super emocionadas, choraaando horrores!)

Desfile do pessoal indo oferecer as flores à Virgem dos Desamparados. Reparem nos bebês à caráter!

Tentamos chegar à praça por outra rua, e vimos que a oferenda não era simplesmente deixar as flores ao pé da estátua. Os falleros sobem na estrutura de madeira e com as flores vão formando o manto da virgem.

As flores carregadas pelos fieis são colocadas na Virgem em madeira, que no fim das Fallas fica toda preenchida com flores de diversas cores.

Não chegamos a ver o manto pronto. Ainda tínhamos uma cidade inteira pra conhecer, a Cidade das Ciências. O plano era alugar uma bicicleta para ir do centro histórico a essa “cidade” onde estão os Museu das Artes, Museu da Ciência e Oceanógrafo, todos incrivelmente arquitetados! Não encontramos bicicletas no caminho, então seguimos a pé, mesmo, aproveitando os bons ares do Jardín de Turia – um parque que um dia já foi um rio.

Museu de artes na Cidade das Artes e Ciências. Incrivelmente bonita, clara e moderna.

Queríamos conhecer o Oceanógrafo, mas já não havia mais tempo: o tour completo leva 3 horas e chegamos a uma hora de fechar o museu. Além disso, as entradas são bem salgadas: 21,5 euros. Aproveitamos para descansar e tomar uma Orxata, bebida típica de Valencia feita com sementes. Uma mistura de amendoim com leite com guaraná que é incrivelmente deliciosa! Pena não poder trazer mais pra casa.

Ô bebida boa! Feita de chufa, uma "semente raiz" parecida com avelã.

Próxima parada: praia! Pegamos um ônibus até a praia Malvarrosa. Maravilhosa e aconchegante, com sua areia fina que escapa entre os dedos. Estava cheia de jovens. Uns jogavam futebol, outros corriam e gritavam. Alguns corajosos ainda nadavam no Mediterrâneo gelado, mas a maioria estava sentada em rodinhas, conversando, bebendo ou desacordado, curtindo um porre. Eram sete da noite e o pessoal já tinha passado da conta.

Praia Malvarrosa (Mar Mediterrâneo), no fim de tarde. Linda! Areia mais fina, impossível.

No banheiro da lanchonete mais próxima, uma fila de meninas descabeladas e com a maquiagem borrada se segurando pra não fazer xixi nas calças. Depois de um quinze minutos, saiam da lanchonete penteadas, visual impecável, pronta pra próxima festa.

De volta ao centro da cidade, e depois de comer e descansar um pouco nos bancos da estação de trem, estávamos prontas para começar a noite. Encontramos duas amigas brasileiras, que estão aqui em Madrid, e seus dois colegas valencianos que fizeram intercâmbio no Brasil! (um deles falava português muito bem!)
Com eles fomos assistir à queima de fogos (tipo reveillon mesmo)– outro dos itens da programação das Fallas -, e em seguida paramos em um bar. Ouvimos histórias da “assistidora de novelas profissional” que fazia maconha negra, digo, magia negra e aprendemos o equivalente em espanhol a “caguei, caguei montão” (“me suda la polla”). Rimos um monte, mas ainda queríamos ir numa balada, pra aproveitar as cinco horas que ainda teríamos ali e para comemorar o aniversário da Dani!!(e eu curtindo pela primeira vez o fato de fazer aniversário em terras estrangeiras!)

Brasileiras e dois espanhois que fizeram intercâmbio no Brasil.

Depois de caminhar muito e encontrar alguns lugares fechados, acabamos numa festa de rua, com banda, também comum durante as Fallas. Impressão sobre as Fallas número 3: um carnaval, com figuras alegóricas e festas de rua. Quando finalmente encontramos uma festa, já era 5h. Teríamos que pagar 10 euros (leia-se 25 reais) pra ficar só mais duas horas. Cansados, paramos no Starbucks, comemos e corremos para pegar o trem de volta para Calicanto. Ufa.

Horas mais tarde, acordamos (na verdade eu nem dormi direito, sabe quando você tá tão cansado fisicamente que não consegue dormir? então…) e tomamos um café da manhã delicioso. Nos despedimos da Paqui, do nosso quarto e de Valência, com vontade de ficar mais.

A história triste e inacreditável: a Paqui nos contou que um casal de hóspedes, que havia chegado na noite anterior, havia fugido, ou seja, ficaram por dia, tomaram banho e saíram sem pagá-la! Eu e a Mi não ficamos de cara! Ainda mais com uma anfitriã tão gente boa!

A Mi ficou em Madrid – me apresentou a estação de Atocha, hehe- eu ainda peguei um trem de 9 horas de viagem até Pontevedra. Mas passei por um “momento turista-perdida”: entrei no vagão errado, o moço que confere as passagens me avisou. Imagine, andei do vagão 4 até o vagão 114, que era o correto, com o trem em movimento. Conheci os rincões do trem, me senti num “titanic”, passando pela classe turística comum, pelo depósito do trem e pelas classes de luxo até chegar no meu lugar.

Café da manhã preparado pela Paqui, nossa "mãe-guia-taxista" em Valencia

Agora restam os preparativos pra Semana Santa. Nesta quarta, dia 28, iremos a Londres! Até o dia 8 de abril, nossa meta é visitar Veneza, Verona e Milão. Contaremos tudo pra vocês quando voltarmos!

Saludos! Já menos frios e com toques de primavera:)

Apesar de nos ter saído um pouco cara, a viagem a Valencia valeu cada centavo pago! E conhecemos mais uma festa típica da Espanha:)

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Cádiz e Sevilha – por Mi

A Dani contou o geral da nossa viagem. Eu vou dar minhas impressões sobre alguns pontos que me marcaram nesses quatro dias encantadores…

Ói, ói o trem… Para ir a Sevilha e Cádiz fiz minha primeira viagem de trem. No dia anterior treinei o caminho até a estação para ter certeza de que não me perderia entre as diversas escadas da Atocha Renfe e nem me atrasaria para o embarque. Calculei o tempo para chegar trinta minutos antes do trem partir, o que foi bom: o embarque, semelhante ao de um voo, foi feito vinte minutos antes do horário da saída.

Procurei o meu vagão e o meu lugar. Sentei na janelinha. Com a poltrona espaçosa e mais confortável que as dos ônibus, pude ler traquilamente e observar a paisagem. O trem balança muito pouco. O único porém foi ter que viajar “de ré”.

Havia uma cafeteria que estava “a su disposición en el coche 4“, segundo indicava o letreiro vermelho à minha frente.  Fiquei curiosa pra conhecer, mas tive vergonha de ter que acordar a moça que dormia na poltrona ao lado para chegar ao corredor. Comi os lanchinhos que tinha trazido de casa.

Que delícia chegar em Cádiz e sentir calor depois de um mês com dias de frio e de mais frio ainda. Melhor foi a emoção de rever a praia (e quepraia!), o mar e as amigas.


Fiquei encantada com as ruas estreitas e graciosas de Cádiz.  É uma delícia caminhar à noite pelas ruas de paralelepípedo, pelas praças… nem nos importamos de nos perder algumas vezes pela cidade. Além de super agradável, sempre havia um andaluz simpático pra nos dar uma ajuda. Com sorte, ainda encontrávamos um grupo de…

Chirigotas! Essa coisa linda de nome engraçado que anima a temporada carnavalesca de Cádiz! Os grupos de artistas fantasiados se reúnem num canto da rua e começam a cantoria que traz uma história humorada. As pessoas na rua vão se amontoando em volta para apreciá-los e rir das suas tiradas engraçadas. Não entendi quase nada do que cantavam. Um tanto pela língua, outro tanto porque os chirigotas geralmente fazem piadas relacionadas à cidade ou ao país, dizem. Mas não importa. Se eu ver uma rodinha de gente na rua, ouvir uma musiquinha meio declamada seguida de risadas da plateia, vou correr pra admirar os artistas!

Carnaval à brasileira – Antes de chegar à Cádiz, quase me esqueci de que era carnaval no Brasil. Pensei que a temporada de festas ia passar em branco, mas a nossa anfitriã,  seus colegas de apê e suas colegas brasileiras (sempre!) garantiram uma boa festa pelas ruas da cidade, com direito a vinho do Carrefour, rum com Nestea e espanhois indo hasta el suelo! suelo! suelo! – ou quase.

O que a nucada disse sobre Cádiz é verdade. Ela é apaixonante, não vejo a hora de voltar. Mas antes disso, rumamos a…  Sevilha!

Já esperávamos uma cidade linda. Mas Sevilha nos surpreendeu não só pela arquitetura e belezas naturais como por seus habitantes. Foi depois de conhecer a Universidade de Sevilla que nos demos conta do quanto só tem lindos em Sevilha. Gente, aqui não tem Puyol, você sai na rua e só encontra Casillas! Ou isso, ou a gente estava realmente encantada com a cidade, vendo tudo mais bonito… Mas, tudo tem seu lado ruim.

Qué pasa, hombre? Depois de começar a noite migrando de bar em bar, seguindo o costume espanhol, ficamos enfadadas com os chicos e suas intentadas sem graça ou machistas. Com o mapa da cidade em mãos, fomos em busca do “Buda”, que logo depois descobrimos que se chamava “Kudetá”. Na fila, surge o seguinte diálogo:

Chico aleatório #1: Vocês estão com eles? – aponta para chicos aleatórios #5, #6, #7

Nós: Não, porque?

C. A. #1: Se vocês quiserem, podem entrar com a gente. Dizemos que estamos em cinco.

Nós: E… porque?!

C. A. #1: Ah, porque as meninas que entram sozinhas na balada não são bem vistas.

Dani, já irritada com a experiência nos bares, fica indignada e desabafa – em português: #@$%&#¨!!

Eu: Tá, mas… porque?!

C.A. #1: É porque a festa parece melhor quando tem mais meninas.

Ok. Chico aleatório #1, sua resposta não nos convenceu. Ficamos indignadas com a sua lógica de pensar, mas continuar a questioná-lo seria em vão. Em cidade desconhecida e país estrangeiro, achamos melhor aceitar a gentileza. Assim que entramos, nos dispersamos e fomos dançar à vontade. Essa vai pra lista de fatos #obrasilémuitomassa…

Na hora de voltar, nos guiamos pela catedral iluminada. Nosso ponto de referência pra chegar ao hostel.

Não posso ficar nem mais um minuto com você… Hora de ir embora. A Dani saiu umas 5h e eu dormi mais um pouquinho. Caminhei até ferroviária tranquila de que chegaria meia hora antes da saída do trem, às 7h55. Eis que ao chegar lá eu olho o painel de saídas e vejo um trem para Madrid com saída às 7h15. Olho pro painel. Bilhete. Painel-bilhete-painel-bilhete. Sim, era o meu trem e já eram 7h30, ou seja, lá se foi o meu trem. A viagem estava tão boa que eu quis ficar um pouco a mais em Sevilha, só pode. Dei uma de Maranhão e perdi o trem de volta pra casa por um pequeno equívoco: a saída era 7h15 e a chegada em Madrid às 9h55. Eu só troquei os minutos, só isso…

Depois do susto e do desespero, consegui pegar o trem das 11h45. Deu pra adiantar a leitura do texto que iria apresentar no dia seguinte  sobre “Politeness in Britain” e conversar com a senhora inglesa que perguntou o que eu estava estudando, e compartilhou a sua estranheza quanto ao jeito pouco polido dos espanhois.

Dormi quase a viagem inteira de volta. Dessa vez não viajei de ré e nem lembrei da cafeteria no vagão 4, mas tive que dormir com um casal de desconhecidos nas poltronas à frente me olhando…

Quero muito voltar e conhecer melhor o sul da Espanha! Mas antes, vamos a Valência! 😉

Hasta luego!

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Cádiz e Sevilha – por Dani

Dia 22 de fevereiro, quarta-feira, semana quase sem aulas por conta de dias festivos e carnaval. Como planejado, a Mi chegou de trem de Madrid até Cádiz, e eu peguei avião de Santiago da Compostela até Sevilha, e daí fui de trem até Cádiz. Fui de Ryanair, e todo o processo de viajar de voos de baixo custo tem o seu perrengue, mas isso rende outro post outro dia.

Em Cádiz, ficamos no apartamento da Luisa Nucada, nossa amiga do Jornalismo da UFSC que está de intercâmbio lá. A Mi e eu adoramos o veranito, andamos pelas ruas sem blusa, curtindo um sol maravilhoso. Conhecemos os inúmeros parques e praias de Cádiz, subimos à torre da Catedral, onde dá pra ver toda a cidade, com destaque para o mar, claro, e para os terraços charmosos das casas. E aproveitamos a noite, é claro. A Nucada nos apresentou mais duas brasileiras, e uma francesa que é sua companheira de apartamento (tão caliente ou até mais quanto as brasileiras…), e fomos conhecer o carnaval de Cádiz. À parte de pessoas fazendo xixi nas ruas, em todos os cantos possíveis, foi tudo muito divertido. Pessoas fantasiadas, artistas independentes animando a galera, e claro, as chirigotas, que são pequenos grupos de cantores que satirizam, divertem ou simplesmente chamam a atenção de quem passa.

Terraço da casa da Nucada. Curtindo um sol e o verãozito da Andaluzia!

Brasileiras em Cádiz! Nucada (nossa guia), Milena e eu no passeio marítimo.
Em ritmo de carnaval...

Em ritmo de carnaval...

Uma das "chirigotas", grupos de cantores pelas ruas durante o carnaval

Visão da torre da Catedral de Cádiz

Dia 24, dia de ir a Sevilha, a capital andaluza. Quase duas horas de trem, e mais calor, que delícia. Ficamos procurando por quase uma hora nosso hostel, que ficava numa rua estreita e escondida, mas em ótima localização (graças às dicas da nossa colega Marina, que ficou de intercâmbio na cidade no ano passado). Nós nos demos o direito de almoçar bem, num dos inúmeros restaurantes charmosos do centro velho de Sevilha.

Nosso almoço: paella, salada, pescado, "tinto de verano" e de sobremesa, um flan delicioso!

Energia reposta, fomos descobrir um pouco da cidade. Vimos a Catedral de Sevilha, de estilo gótico (bonita, mas pra mim nada supera a de Santiago da Compostela), visitamos a Torre de Oro, onde há um Museu do mar e onde se pode subir pra contemplar do alto a cidade. Passamos pelos inúmeros e grandiosos parques, e como quem não quer nada, entramos na Universidade de Sevilha, só pra conhecer mesmo, e descobrimos uma exposição de arte bem curiosa.

Catedral de Sevilha, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. A construção da catedral começou no início do séc. XV. É onde se encontram o corpo de Cristóvão Colombo e do rei Fernando III de Castela.

Ao fundo, a Torre de Oro, construída no séc. XIII e onde fica o Museu Marítimo de Sevilha

Topo da Torre de Oro. Ao fundo, o rio Guadalquivir. A torre tem esse nome por causa dos desaparecidos azulejos dourados durante a época muçulmana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pra finalizar o dia, colocamos como meta conhecer a “Plaza España” de Sevilha. Como em quase toda cidade espanhola há uma praça Espanha, não custa ver como era a da capital andaluza né? Depois de erros no caminho, viradas de mapa e muita caminhada, chegamos. E COMO VALEU A PENA! Aquilo sim, parecia verdadeiramente uma praça da Espanha, enorme, com catedral, palácio antigo, representação em ladrilhos das principais cidades espanholas, ESTUPENDO! Um lugar que nos fez pensar: “se morássemos em Sevilha, com certeza voltaríamos lá mais vezes…pra ler, descansar, pensar na vida…ou simplesmente apreciar toda essa beleza…”.

Catedral na Praça da Espanha

Nossas máquinas não conseguiram captar a beleza e a grandiosidade da Praça da Espanha em Sevilha.

À noite fomos migrando de bar em bar na região sugerida pela recepcionista italiana do nosso hostel, mas queríamos dançar, uma balada mesmo. Acabamos parando numa balada tipo El Divino em Floripa, por 8 euros cada, com direito a uma consumação. Música eletrônica, pop, um pouco de tudo. Foi a primeira balada boa que peguei desde que cheguei aqui na Espanha. Com a vantagem de estar com uma amiga brasileira sem frescura, do lugar ser bem bacana, e digamos, do público bonito do lugar (mulheres, vocês me entendem…), foi uma noite e tanto. Dançamos horrores, e só fomos embora às 6h porque ainda tínhamos um dia de turista pela frente. Bem aproveitado.

Na tarde do dia seguinte, o destaque do nosso passeio foi conhecer a Plaza de Toros de Sevilha, com uma visita guiada, onde descobrimos como funciona a corrida dos touros e toda a história dessa tradição.

Interior da "Plaza de Toros". A partir de abril começam as corridas e os espetáculos.

A capa de cor vermelha que leva o toureiro é apenas uma questão de tradição, já que o touro não identifica outras cores senão o preto e o branco.

Cabeça real da mãe de um touro que matou a um toureiro. É assim que se fazia: matavam a pobre da mãe do touro quando este matava um toureiro. Era pra que ela não tivesse mais "filhos assassinos". Mas, como a Mi bem observou, não matam a mãe do toureiro se ele mata o touro, né?

Olha como começa a oração do toureiro...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À noite, assistimos a uma apresentação de flamenco tradicional, com canções do século XVIII. Ritmo incrível dos dançarinos e de todo o grupo, ficamos fascinadas, de boca aberta. Os dançarinos dramatizavam uma história de amor impossível entre uma sapateada e outra.

Show de flamenco tradicional, pensado pra turista mesmo.

No domingo pela manhã, 26 de fevereiro, foi dia de regressar à rotina, com a ideia na cabeça de que cada céntimo de euro por essas viagens valeu a pena, e levando essa energia andaluza inigualável em nossa bagagem. E claro, levamos também a vontade de fazermos mais viagens juntas. Que venha a semana santa! (nosso destino é Londres, Veneza e Milão, torçam por nós!).

SALUDOS!

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“Como assim, vocês não jogam o papel na privada?”

(Já to postando de casa, agora já tenho internet:)))

Nessa semana começaram as aulas de espanhol para os estrangeiros. Começamos a discutir sobre os costumes de cada país, e os conceitos pré-formados com os quais a maioria vem pra Espanha (país dos toureiros, de gente falante e animada, das tortillas, da sesta…). Daí veio a questão do “lixo do banheiro”. Comentei com a professora que achei estranho não ter lixo no banheiro do apartamento em que vivo e por isso havia comprado um para jogar os papéis depois de fazer 1 ou 2, como é natural no Brasil. Apesar da cara estranha dos meus companheiros de apê, ninguém me impediu de fazê-lo.

A professora de espanhol fez uma cara de nojo e asco, que me assustei. “Como, vocês ficam guardando o papel com m…. e só depois jogam?”. Disse que senão fizéssemos isso, entupia tudo, e ela me aconselhou a tentar entrar na vibe do costume europeu e jogar tudo na privada mesmo, porque é mais higiênico, assim vai tudo pro ralo de uma vez. Então ta né? Depois de muuuitas risadas na sala, e da cara de asco também das colegas francesa e alemã após meu relato, cheguei em casa e tirei o lixo do banheiro, e agora já consigo jogar o papel higiênico usado na privada sem tanta culpa. Mas se rolar entupimento, aí não quero nem saber!!! Estranhamentos à parte, eu agora não acho nem nojento, nem normal. Nos primeiros dias, acho que como quase todo estrangeiro em terra estranha, a tendência é reclamar e achar exótico tudo que sai do nosso padrão. Agora to deixando de achar “estranho” ou “exótico”, pior ou melhor, só acho diferente.

Carnaval em Xinzo de Limia
Aqui também é carnaval como no Brasil, nessa semana praticamente não tenho aula por conta disso. No sábado, 18,  fui com uma excursão dos Erasmus a Xinzo de Limia, um povoado da cidade de Ourense, terceira maior e mais povoada da comunidade da Galícia. Fica a umas duas horas de ônibus daqui de Pontevedra. Acompanhamos o carnaval de rua de lá, com marchinhas, e com o pessoal fantasiado mesmo, tudo muito elaborado. Algumas famílias iam com seus filhos com todas as fantasias iguais, um capricho só. Além das músicas típicas, tocou (e muito), é claro, AI SE EU TE PEGO. O mais engraçado é ouvir o pessoal cantando na maior empolgação e com um sotaque, digamos, beeem diferente, ainda que a maioria não sabe o que significa. Demorei um tempo a explicar pras colegas mexicanas o que era a expressão “Nossa”, “Delícia”, e “Ai se eu te pego”, e elas acharam tudo o máximo.

Uma das paradas pra ouvir músicas típicas, e claro, AI SE EU TE PEGO

Com qual ninja você quer lutar?

Já que todo mundo aqui acha que sou chinesa, japonesa, coreana, enfim, resolvi entrar no clima e comprei uma fantasia de ninja, com direito a faixa no cabelo com bandeira do Japão, espada, tudo! Foi bem divertido! Apesar de eu achar que carnaval combina muito mais com calor, verão e com o clima latino, digamos, foi bem diferente e divertido. Nesses dias foi um carnaval mais tradicional e familiar (como disse a Mi aqui, o clima de micareta e suas consequências é totalmente improvável).

A cada "disfraze" criativo, pedíamos pra tirar uma foto;)

“De Ourinhos para Ourense…”
Visitamos no domingo as termas de Ourense, onde saem águas quentes de forma natural, e são consideradas terapêuticas, medicinais. Me banhei em algumas em que a água atingia uns 60º C. Algumas meninas francesas, italianas e inglesas ficaram com vergonha e nojinho, o que não acontece com as brasileiras, obviamente. Em compensação, havia várias espanholas mais velhas fazendo topless na maior liberdade.

As meninas mexicanas nas termas (antes de perceber que não se pode tirar foto!)

Foi a primeira experiência de viajar em excursão com outros intercambistas, dividir quarto com mais outras 11 pessoas e comer café da manhã em que se espera esquentar o leite. Foi divertido, mas já deu pra notar que se for viajar de turma grande assim, tem que ter paciência (esperar todo mundo chegar, todo mundo sair, todo mundo se arrumar, todo mundo comer) e seguir o roteiro pré-estabelecido. Viajar sozinho ou em poucos nesse aspecto é melhor: as decisões e os passeios são mais rápidos, e você mesmo faz o caminho e tem o tempo pra sentir a energia do lugar. No fim, tem que fazer de tudo né? Sozinho, acompanhado, em turma, dizer SIM e entrar no clima.

Viagem com uma galeeeraaa tem suas vantagens e seus perrengues...

Na quarta-feira, a Mi e eu vamos nos encontrar, e finalmente, viajaremos juntas. Vamos passar uns dias em Cádiz, onde encontraremos a brasileiríssima Luisa Nucada, e depois seguiremos para Sevilha. Qué pasemos bien!

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Domingo dá saudade!

Hoje é domingo, não to viajando e como todo domingo pra mim, bate mais saudade da família e de quem amo. Pra distrair um pouco, venho aqui atualizar nosso diário de bordo!
Essa semana foi de resolver as burocracias da universidade e de realizar pagamentos. Taxa de matrícula, taxa pra fazer musculação, o aluguel do mês…Finalmente, a partir de amanhã já volto a malhar e a desenferrujar, depois de quase um mês sem pegar peso, só gastando calorias andando pelas cidades. Também já me matriculei nas disciplinas, e os documentos assinados pelos responsáveis aqui da Universidade de Vigo devem estar à caminho da UFSC, assim espero.

Um dos parques onde se tem a sensaçao de que o tempo para

A saga pela internet…
O maior perrengue da semana foi não ter conseguido comprar o modem de Internet pra por no meu notebook. Fiz até uma conta espanhola no Santander, porque me disseram que assim eu conseguiria comprar o dispositivo. Mas voltei e não consegui comprar, porque tinha de ter o D.N.I. ou documento válido na Europa já que não haveria contrato. Falei então com a proprietária do apartamento em que estou, dizendo que tinha a intenção de me mudar pra outro com Internet, já que o rolo era tão grande. Ela, muito solícita, disse que vai tentar comprar pra mim, no nome dela, daí eu transfiro a quantia a cada mês pra sua conta. Vamos ver…. Enquanto isso, já to brother do cara da lan house perto de casa.

Com Ana Nuñez, colega estadounidense, em A Coruña

Ainda sem festa boa
As festas mais badaladinhas começam super tarde aqui em Pontevedra, depois das duas da manhã. Já tentei ir em algumas organizadas pelo pessoal de intercâmbio Erasmus, mas não tive muita sorte. Lugares muito pequenos, pessoas insuportavelmente bêbadas e enfim, um sentimento de não-pertencimento.Hehe! Mas tenho me divertido nos bares, conversando com as colegas que fiz aqui – as mexicanas, e uma estadounidense -, com um bom (e barato) vinho, queijo e comidinhas típicas. Tenho comido muito ovo, tanto em casa quanto fora, já que quero provar todos os tipos diferentes de tortillas!

Ótimos pensamentos!

Limpeza
To num apartamento não muito novo, digamos. Tem parte da casa em que me pergunto por que ficou de tal jeito. O banheiro, por exemplo. Nessa semana comprei trapos, desinfetantes, limpadores multi uso e tentei dar um jeito, pelo menos nas partes em que mais uso. O mais estranho de limpar o chão é que por aqui não tem rodo – torcer o pano de chão com a mão, como a gente costuma fazer aí no Brasil, nem pensar. Como a Mi escreveu aqui esses dias, o “pano” são tiras de tecido já embutidas no cabo, e se torce no próprio balde. Pode parecer uma maravilha, prático e tal, mas me dá muita aflição, porque parece que não limpa de verdade. Sou bem mais uma mão na massa mesmo!

Viagens
No domingo passado, 5, fui com uma colega mexicana a Santiago da Compostela, uma hora de trem, ida e volta 10,00 euros. Ficamos o dia todo lá, conhecemos a magnífica, estupenda, indescritível Catedral, os conventos, a parte histórica da cidade, e os parques intermináveis. Fomos com o mapa na mão, sem roteiro certo. Foi bem produtivo, e conhecemos lugares em que “o tempo parece parar”, como bem disse a minha colega mexicana Samia.

Catedral de Santiago da Compostela

Ontem, sábado, 11, fui com mais três colegas a Coruña, também na Galícia, mais ao norte. Duas horas de trem, ida e volta 17,00 euros, com o desconto do Carnet Jóven, que fiz nessa semana e dá direito a descontos em passagens de trem, eventos culturais, museus…

Em A Coruña conhecemos a Torre de Hércules, o farol mais antigo ainda em funcionamento em todo o mundo. Foi construída no séc. II d.C e reformada no séc. XVIII. Fazia muito sol, apesar do frio, o que contribuiu muito pro nosso passeio. Como disse Ana, a colega estadounidense, “parece que estamos numa pintura”. Tiramos várias fotos e pareciam que tinham efeito de Photoshop, de tão perfeito tudo. Também fomos ao Aquarium Finisterrae, bem interativo, e ao Museu da Ciência, que tem um andar dedicado a Darwin e à evolução das espécies.

A Torre de Hércules, construída no séc. II d.C.

Não íamos comprar nada….mas uma loja nos seduziu com suas blusinhas a 3,00 euros e as calças a 4,00 euros. A coleção de inverno nova era mais cara, obviamente…mas no fim achei uma calça por 3,99 euros. Perfecto! Aliás, ta sendo uma tentação esse período de promoção (rebajas) aqui…é maravilhoso converter pra reais e ver que ainda assim fica barato. A missão é aguentar firme, economizar pra poder viajar mais e mais! Hehe Se também fosse assim com as frutas e outras coisas de comer, tava bão!

Ah, e dia 22 encontro a Mi em Cádiz. Vamos passar alguns dias do carnaval daqui lá, e depois em Sevilla. Pra curtirmos juntas e matar a saudade! Que venha loogo!

No Aquarium Finisterrae, em A Coruña - estupendo!

Saludos! (já menos frios que antes! Hehe)

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De que hablan las chicas?

Hoje é quarta-feira!!

Em Madrid, quarta-feira é dia de “100 Montaditos”. Isso significa se reunir com os amigos em uma das dezenas de filiais da cervecería mais famosa da cidade para beber e provar toda a variedade de lanchinhos do cardápio por um euro cada. Os montaditos ficam cheios de espanhois e estrangeiros que querem comer e beber muito e pagar pouco.

Intercambistas da UAM

Felicidade por 1 euro

Entrando na onda dos costumes madrileños, semana passada fomos eu e mais oito intercambistas de vários países aproveitar a noite espanhola. Pedimos muita comida, tomamos nossas cervejas. E enquanto tentávamos nos comunicar em um inglês-espanhol-italiano sobre los chicos e os costumes de nossos países, surgiram algumas curiosidades dignas se nota. Segundo essas amigas-fontes:

1) Na Bélgica e na Alemanha chega a se pagar 40 euros por uma depilação completa da região íntima (!)

2) Depilação completa (completa mesmo!) só é normal no Brasil. Só de pensar na dor as amigas fazem cara feia…

3) Depilação masculina só no peito – e a maioria aprova.

4) Na Coreia, meninas com mais pelos são raras, e por isso mais bonitas.

5) Na Alemanha, é preciso bastante paquera e conversa até vocês se beijarem. Se isso acontecer, é provável que ele queira um relacionamento sério.

6) Já na Itália, ficar com vários(as) num mesmo dia é aceitável apenas aos homens e não pega bem para as mulheres ficar andando sozinha pelas ruas à noite.

7) Micaretas e suas consequências estão fora de cogitação.

Confesso que fiquei curiosa para ver se tudo isso é mesmo verdade. Nós brasileiros vivemos num país privilegiado. Ou não.

Boa quarta-feira pra vocês 🙂

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“Ya tienes un piso?”

Você chega na faculdade, pede uma informação para um estudante que está passando e percebe que ele também é estrangeiro. Depois de perguntar “Como te llamas?” e “De donde eres?” o mais comum nos primeiros dias na cidade é “Ya tienes un piso?”.

Vários estudantes reservam um hostel e chegam aqui sem ter ideia de onde irão morar depois. Eu preferi procurar um lugar pra ficar ainda no Brasil. Me recomendaram pesquisar nos sites e: idealista , segundamano e pisocompartido e ficar atenta às dicas:

– é sempre melhor morar no centro, pois Madrid tem uma ótima rede de transportes;
– é mais fácil procurar um quarto do que um apartamento para dividir;
– você consegue pagar em torno de 350 euros o aluguel e os gastos.

Depois de olhar muitas fotos nos sites e fazer alguns contatos, achei um bom apartamento com um quarto que gostei muito. Tive sorte de ter que fazer só uma visita e já fechar o lugar onde queria morar. Mas, com um probleminha. Magda, a moça que mora no quarto onde vou morar só sai dia 20. A dona do apê (muito simpática!) me deixou ficar no seu quarto até a Magda sair e enquanto isso, vai ficar na casa do seu namorado.

Estou num bairro residencial, do lado de uma escola, perto de um parque e do estádio Vicente Calderón, do Atlético de Madrid. Menos de cinco minutos para chegar à estação de metrô e uns dez para chegar à estação renfe – trem que vai aos locais mais distantes da cidade, como o aeroporto e… a UAM!

A Universidad Autónoma de Madrid fica numa região um pouco afastada do centro da cidade. De trem se chega em 30 minutos, mais ou menos. A faculdade oferece lugares nas residências estudantis que há no entorno. Mas além de pagar 400 euros o quarto duplo sem os gastos (se quiser quarto individual é mais caro), o último trem que vai à região sai às 23h…

Já o metrô funciona até 1h30 e depois a partir das 6h. Se quiser voltar de madrugada também pode pegar um bus!

Caminho para ir à estação renfe "Pirámides"

Estádio Vicente Calderón no caminho de volta pra casa

Aqui no apê estamos eu, Magda, uma austríaca de 25 anos que estuda para ser professora do primário e Minju, que veio da Coreia para estudar comércio e marketing há quase dois anos (!). A Magda fica quase sempre no quarto então não nos vemos muito. A Minju está sempre na sala, estudando, ou conversando pelo facebook. Elas têm me ajudado bastante a entender como funcionam as coisas aqui no apê, que é um pouco diferente do que fazia em Floripa ou em Campinas…

Magda, eu e Minju, compañeras de piso

Colocamos todas as louças na (imensa) lavadora – só esfregamos as panelas. Não temos um escorredor. Também não temos tanque. Todas as roupas vão na máquina de lavar frontal e que fica na cozinha.

Hoje quis limpar o quarto, pois já faz uma semana que estou aqui e tinha juntado um pouco de poeira. Aqui não tem vassoura, só aspirador de pó. Nem rodo e panos de chão. Quando queremos secar ou passar algum produto usamos o esfregão, que tem franjinhas de oano na ponta. (Ontem alguém o usou e deixou na sacada. Hoje quando fui usar e estava congelado…). Guardamos o aspirador de pó e alguns outros objetos de limpeza num armário na sacada do lado de fora do apartamento. Ainda tenho um pouco de medo de andar por ali, pois estamos no 6º andar e a grade de proteção não é muito segura…

sacada gelada e tenebrosa

Vista da sala de casa

Na cozinha, o fogão é de indução e a temperatura é controlada por números e não por “fogo baixo”, “fogo alto”. Ainda não descobri a temperatura certa pra cozinhar aquele arrozinho de sempre. Por outro lado, eu que sempre tive só um fogão no apê de Floripa, tinha esquecido como um microondas facilita a vida.

E o chuveiro, assim como o da casa da Dani, é como um chuveirinho com um diâmetro maior que se coloca num suporte. Aparentemente, o pessoal aqui prefere um banho de banheira…

Por falar em banho, eu vou tomar um agora porque são 21h20 e sábado é dia de sair com as amigas =)). Logo trago mais novidades sobre as festas dessas últimas duas semanas!

Un saludo!

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A gente se ajeita

 

Bom, pessoal, nesses dias conheci um montao de gente nova, de vários lugares do mundo. Mas em especial conheci um grupo de mexicanas, todas muito simpáticas e com quem realmente me senti envolvida nas conversas. Com elas conversei sobre os perrengues de intercambio, as angústias, os sonhos, as vontades, os gostos, os amores deixados no Brasil…Enfim, muito bom!

Bar Saudade, que fica no centro velho de Pontevedra e que me faz lembrar do Brasil

As mexicanas que me encantaram!

Ontem, sexta-feira, todos os intercambistas tiveram um encontro da universidade, para saber que cursos, esportes e viagens há pra aproveitar. Também fizemos o teste de nivelamento para o curso de espanhol. Achei a prova beem fácil, agora é esperar pra ver em que nível caio. Também conheci mais brasileiros, e almocei com um pessoal de Fortaleza e do Rio de Janeiro. Há uns dez brasileiros aqui… e nao é difícil encontrá-los por aí, sem querer.

Nessa semana também fui ao Museu de Pontevedra, onde tem muita coisa interessante, como a maquete da nau Santa María, de Cristóvao Colombo, e uma coleçao incrível de ouro e prata. Muuita história em pouco tempo.

Daniela Ramos, minha xará mexicana, no pátio do Museu de Pontevedra

Na Universidade, já decidi que disciplinas quero fazer: Animaçao, Teoria e Prática de Relaçoes Públicas e Teoria e Prática da Comunicaçao Televisiva. Assisti a outras disciplinas, uma muito parecida com Radiojornalismo da UFSC, mas com um nível mais raso, beem mais de principiantes mesmo. De segunda em diante entro pra valer nas aulas, faço as matrículas e começo, ojalá, a malhar (to ficando louca com esse frio e ainda sem fazer exercìcio físico!!.

Faculdade de Ciências Sociais e Comunicaçao, onde vou começar a estudar

Coisas estranhas
Bom, aqui o pessoal novo e universitário costuma sair nas quintas -feiras. O problema é que a festa de verdade começa umas tres horas da manha (em Floripa nessa hora já estao te expulsando do bar), e o frio nao ajuda muito a resistir até essa hora. Mas nas sextas também rola bares e baladinhas. Pois entáo fui eu conhecer. Primeiro fui ao Bar Saudade com as mexicanas, depois fomos de bar em bar no centro velho, e depois em uma boate de música eletronica, mas que tava muito vazia. O maravilhoso é que aqui nao te cobram pra entrar nas baladas, só consumaçao, increíble!

Daí vc descobre costumes de consumo um tanto diferentes. Nos bares, se vende calimocho, que é vinho misturado com coca-cola, e dizem que “sobe” rapidinho. haha! Outra coisa que pra espanhois, mexicanos é super normal é comer as pipas, que sao semente de girassois tostadas, que podem vir salgadas já. As mexicanas colocavam inteiras na boca, já os espanhois me disseram que tinha que tirar toda a casca pra comer só o de dentro, como se fosse comer pistache. Dá tanto trabalho que nao compensa, melhor pedir um amendoim e pronto.

Pipas - sementes de girassol que se comem como apertivos, com ou sem sal

À esquerda, calimocho, que é vinho com coca cola. A Heineken era minha, porque no me gustó o calimocho!

 

Bom, no mais estou planejando viagens e lugares a conhecer, pesquisando preços..pra otimizar o tempo! Milena e eu queremos conhecer Cádiz e Sevilha, e estamos planejando para o carnaval. Torçam por nós!

 

Abraços gelados!!!

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¡No soy china, soy brasileña!

Hola a todos! Estou numa lan house atualizando o blog, já que nao tenho internet no apartamento em que estou vivendo. Outra coisa que nao tem é o acento de til nesse teclado.

Bom, cheguei domingo aqui em Pontevedra 13h30, no Brasil ainda era 10h30. Foram pouco menos de nove horas de voo de Guarulhos até Porto, em Portugal. Fui pela TAP, e com poltronas pouco reclináveis também, assim como a Mi na Iberia, e com temperaturas tambem diminuindo, mas nada comparado aos -60º C que fazia lá fora há mais de 10 mil metros de altitude.

Estratégia de colocar as roupas em rolinhos na mala

Levei só uma mala, o que me ajudou a andar no aeroporto de Porto, onde cheguei umas 8h30, horário local. Fiquei meio tensa na fila do controle de imigraçao, segurando uma pasta com todos os documentos possíveis e impossíveis que podiam pedir. Mas no fim, o cara me perguntou que curso iria fazer, por quanto tempo e olhou só de relance pra minha carta de aceite, acho que só porque a coloquei em sua vista. Nunca o barulho de um carimbo foi tao bem vindo!

No traslado, conheci uma brasileira, uma espanhola e um espanhol, muito simpáticos. O senhor espanhol havia estudado jornalismo, mas abandonou e acabou indo pra Economia, porque na época dos seus estudos, com a ditadura de Franco, era quase impossível exercer jornalismo com liberdade. A mulher proprietária do apartamento foi me buscar na rodoviária, bem hiperativa, mas super solícita. Era boliviana, mas casou com um espanhol e tá aqui há mais de trinta anos. Trouxe um souvenir do Brasil pra ela, um chaveiro e um ima com a bandeira estampada.

As árvores sem folhas daqui me encantaram

“Voce nao vai se perder em Pontevedra, a cidade é muito pequena”, dizem todos. Mas já me perdi bastante, entrei por ruelas, e acabei pedindo informacao pra brasileiro, sem saber. Estou morando com mais duas espanholas e um espanhol, com banheiro dividido mas quartos individuais. Já vivi alguns choques, como (pasmem) no banheiro nao há chuveiro, só uma ducha daquelas que a gente usa pra lavar as partes íntimas, um pouco maior só. Bom, ainda nao sei se vou permanecer aqui. Meus companheiros sao mais fechados, o que nao ajuda muito na socializacao.

Ontem, segunda, fui à noite com outros estudantes a um bar onde se faz uma bebida típica da Galícia: a queimada. Eles colocam aguardente, que seria a nossa cachaça, junto com pedaços de frutas como limao, laranja e graos de café. Tudo isso vai ao fogo, como que se fosse flambado. E cantam enquanto se “queima” a queimada. Depois, leem o “conjuro”, uma especie de poema cantado para trazer sorte e espantar o azar, a “bruxaria”. Depois de tanto ritual, experimentei a queimada. Esperei que fosse mais forte, como absinto ou tequila, mas é beeeem mais sussa. Normal, nada estupendo. No bar, outros intercambistas acharam que eu era do Japao mesmo. Isso porque eu vim mais moreninha! Outros dois espanhois tambem acharam que eu era japonesa meeesmo – na verdade, eles costumam generalizar qualquer olho puxado como “chinos”, mas já to acostumada né?

Queimada, bebida típica da Galicia, feita com aguardente

Ainda estou assistindo a algumas aulas e tenho tempo pra eleger quais disciplinas quero fazer. Acho que vou pegar umas de Audiovisual, outras de Publicidade ou de Relaçoes Públicas. Ainda to me encontrando na universidade!

Nao estou tendo dificuldades com o idioma, talvez porque o galego tenha bastante influencia de Portugal. Mas sempre ando com o dicionario, e por dia aprendo um monte de expressao e palavras novas.

Assim como a Mi, tambem tive de me render às luvas e ao protetor labial. Em menos de um dia meus lábios estavam secos, rachados, e minhas maos meio, roxas, digamos.

Hoje fez um dia cinzento e choveu aqui em Pontevedra, o que me fez sentir saudade do Brasil e de muitas pessoas especiais. Mas aquela saudade boa, sacumé?

Por hoje é só!

Saludos!!!

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Queridos, cheguei!

Nunca um mês tinha passado tão rápido para mim até a Universidade Autónoma de Madrid enviar a minha carta de admissão na faculdade à UFSC. Depois de passar por todo o processo de inscrição para intercâmbio, esperar essa carta pode trazer umas boas crises de ansiedade. Esse documento comprova que o intercâmbio realmente vai dar certo (ou não), além de ser indispensável para tirar o tão sonhado visto de estudante e ficar seis meses na Europa.

Minha carta chegou dia 23 de dezembro, e então foi: Natal, visto, reveillon, fechar o apê em Florianópolis, viagem com os pais, praticar espanhol, separar as roupas, checar várias vezes a lista de coisas a levar (e sempre acrescentar mais um item), comprar passagens, reservar hostel, buscar o visto, fazer as malas, rever os amigos, contar que vai mesmo pra Espanha e… embarcar!

Vôo de dez horas nas poltronas pouco inclináveis da Iberia. A temperatura foi diminuindo aos poucos como que preparando os passageiros para o inverno europeu. Depois de quase me perder no aeroporto imenso de Barajas, que tem até trem para levar os passageiros à retirada de bagagem, fui ao Hostal que havia reservado. Fiquei com receio dos quartos divididos dos hostels e peguei um quarto individual em um hostal que ocupava meio andar de um prédio. Nunca tinha visto nada parecido, mas aqui parece ser comum, porque vi vários.

Fui recebida por uma mulher das Filipinas, que está em Madrid há três anos e que fala menos espanhol do que eu. Me cumprimentou com o usual “Hola!”, mas assim que a conversa foi ficando mais complexa, tentamos conversar em inglês.
Isabelle e sua colega de trabalho, Cristina, que também veio das Filipinas, cuidam da limpeza e recepeção das três sedes do hostal, duas no mesmo edifício e uma em outro endereço. E pelo trabalho recebem 800 euros cada. Quando fui fazer o check-out, quatro dias depois, Isabelle tinha acabado de falar com o filho, que pedia para a mãe voltar para casa. “Assim como você sente saudade da sua mãe, eu sinto do meu filho”…

Sozinha, no centro de Madrid, passeei pelas rua Callao e as diversas lojas em liquidação − inclusive a Zara, que aqui é equivalente à C&A. Dá pra encontrar roupas e sapatos mais baratos do que no Brasil. Aproveitei para comprar dois casacos, pois me disseram que em fevereiro deve esfriar mais do que os 2ºC que tem feito esses dias.
Eu tentando tirar uma foto sozinha

Eu, que não estou acostumada ao frio, me rendi às luvas e ao protetor solar e labial. Dois dias sem um batonzinho e meus lábios ficaram vermelhos, rachados e inchados. Triste.

Gran Via

Bla bla bla

Segunda-feira começaram as aulas na Universidade Autónoma de Madrid. Me senti como uma caloura novamente, sem conhecer ninguém e me perdendo entre os dez blocos da Facultad de Filosofía y Letras.

Foi pedindo informação sobre onde era a Oficina de Movilidad que conheci duas alemãs muito simpáticas. Em geral, as pessoas foram muito solícitas comigo aqui em Madrid. Todas me trataram muito bem, ainda que não tenha dado tempo de conversar muito com várias pessoas.”

UAM

“CFH”

Quando não se conhece muito bem a língua do outro, fica difícil estabelecer uma conversa mais profunda. As relações se tornam menos complexas e as pessoas se dividem entre chatas e legais, simpáticas ou grossas: as que se esforçam para te entender e tentam se comunicar e as que não perdem tempo com torturadores da língua castelhana…

Com os intercambistas, que estão em toda parte pela universidadade, começo a falar em espanhol, até que a gente encontre o idioma mais confortável para todos. Não é raro começar uma frase em espanhol e terminar em inglês ou em enrolês. No fim, a gente sempre encontra um jeito de se comunicar! Se tiver sorte, ainda encontra alguém que fale a sua língua. Conheci uma porto-riquenha que sabe falar português e ficamos conversando por um tempo. Como é bom saber que não vou errar nenhuma conjugação verbal!

Aqui sempre tem bastante coisa pra fazer e é difícil ficar em frente ao computador por muito tempo… ainda tenho algumas coisas pra contar, mas vai ficar pra um próximo post ;))

Saludos!

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