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Espanha e muita cultura

Em junho deste ano, fiz um breve resumo de como foi a minha experiência de intercâmbio na Espanha para o blog Intercambiando. Lá, outros estudantes contam sobre sua vivência em outros países. Pra quem está pensando em fazer intercâmbio mas não sabe como ou onde, vale a pena ler os depoimentos. Segue a matéria: 

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Parque del Retiro

“Em janeiro de 2012 a estudante de Jornalismo Milena Lumini deixou sua rotina na Universidade Federal de Santa Catarina para fazer intercâmbio de um semestre na Universidad Autónoma de Madrid (UAM), na Espanha. Ela diz que sonhava com essa experiência desde o ensino médio, quando procurou algumas empresas que ofereciam o programa highschool para o Estados Unidos.

Milena acabou adiando a viagem para a faculdade, e acredita que assim tenha sido melhor. Além de estar mais madura, ela pôde escolher o país e a cidade onde queria estudar. Madri foi o destino, opção motivada pela vontade de aprender o idioma espanhol e de viver onde o clima fosse agradável (quase não chove na cidade e o frio não é tão rigoroso, conta Milena), e pelo fato de a cidade estar localizada na Europa, o que permitiria viajar bastante. Leia um pouco sobre as lembranças da estudante daquele semestre na Espanha.

Amigos e viagens

Nesse mesmo mês, há exatamente um ano, eu e outros amigos brasileiros, chilenos, mexicanos e argentinos nos reunimos na Casa de Campo, parque de Madri, para fazer um piquenique de despedida. Em breve, cada um de nós faria uma viagem diferente pela Europa e os momentos que passamos juntos, estudando ou fazendo festa pelas ruas da cidade, ficariam para trás. Fazia cinco meses que eu havia deixado a minha rotina universitária na UFSC para fazer intercâmbio na Espanha.

Já sabia andar por toda a cidade sem me perder (pegava metrô e trem todos os dias para ir da estação Marqués de Vadillo à Universidad Autónoma de Madrid), os vendedores nas lojas entendiam o meu espanhol recém aprendido e eu tinha me acostumado à indelicadeza sutil dos espanhóis, entre outros pequenos choques culturais. Ainda sorria cada vez que escutava alguns turistas brasileiros conversando no metrô, mas já começava a sentir saudade, por antecipação, da minha rotina madrileña.

Estudos

Cada uma das disciplinas que fiz eram de cursos diferentes, pois a UAM não oferece graduação em jornalismo. Às terças feiras, tinha aulas de espanhol junto com outros intercambistas e, três vezes por semana, comia um delicioso bocadillo salmão defumado antes das aulas de vôlei. Tinha aulas ótimas de Comunicación Intercultural e Historia Contemporánea e outras nem tanto, de Retórica y Agumentación e Música en los medios audiovisuales. No caminho de volta pra casa, fazia questão de descer na estação Sol e caminhar até a La Latina pra evitar uma baldeação e ver um pouco da vida no centro de Madri. Artistas de rua de todos os tipos em busca de atenção na Plaza Mayor, turistas alvoroçados pelas ruas e lojas, espanhóis impacientes saindo do trabalho, promoters de festas.

Experiências culturais valiosas

Viver em outro país é encontrar a todo momento algo novo e encantador, seja um prédio com arquitetura charmosa, um novo prato típico ou pessoas especiais. Era pra isso que eu queria fazer intercâmbio! Madri não me decepcionou em nada, é super animada e rica em vida noturna e cultural. As viagens, muito menos.

Estive em um total de 10 países e 20 cidades diferentes, onde tive experiências inesquecíveis. Passei uma noite de carnaval em Cádiz e outra sem dormir em Valencia, durante a festa das Fallas. Fiquei perdida à noite em Bruxelas sem saber uma palavra de francês. Tomei chuva e passei a noite mais fria da minha vida em um chalé de madeira em Veneza. Visitei um campo de concentração em Berlim. Vi o castelo de Praga e tomei a melhor cerveja da Europa. Conheci o hospital subterrâneo e os bares ruínas de Budapeste. Dormi na cama mais desconfortável que já vi em um albergue sujinho de Londres…

Tenho certeza de que, depois dessas experiências, hoje sou uma pessoa muito mais madura e aberta para as diferenças culturais. Fiz amizades ótimas com pessoas completamente diferentes de mim_gente da Itália, França, Alemanha, Holanda, Bélgica… Morei em um país onde o transporte público funciona bem e não se paga caro pela conta do celular. Mas também descobri porque, apesar de não termos os padrões de um país desenvolvido, gosto tanto do Brasil e da nossa gente.”

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Madri e UAM – o bom e o ruim

Plaza Mayor, um dos melhores de Madri

Agora que eu já voltei pra casa e aproveitei um pouquinho do Brasil, penso no intercâmbio como um todo, as coisas que fiz de bom e as escolhas nem tão boas assim. Antes de viajar, alguns colegas me deram informações sobre a cidade, a universidade e a experiência do intercâmbio em si. Agora eu vejo vários amigos embarcando na mesma viagem. Então esse post traz algumas dicas aos novos intercambistas, principalmente para os que forem para Madri ou pra Universidade Autónoma de Madrid.

Estudar, estudar, estudar? 
As disciplinas que queremos cursar na universidade estrangeira é uma das primeiras coisas que definimos quando vamos fazer intercâmbio.  Geralmente selecionamos as matérias ainda no Brasil. Mas, após começarem as aulas, os estudantes da UAM têm cerca de suas semanas para definir quais disciplinas querem realmente cursar.

O ideal é fazer uma seleção das matérias que tem interesse e frequentar as primeiras aulas, quando o professor distribui o plano de ensino e lista as avaliações do semestre. Aí dá pra avalias a quantidade de trabalho que você terá durante a estadia e se aquela disciplina “Teoria do Conhecimento 2” realmente te interessa.

Na UAM, todas as disciplinas têm dois encontros na semana: em um dia, duas horas de aula teórica e, no outro, uma hora de aula prática. Para o pessoal das humanas, a prática geralmente é a discussão de um texto ou apresentação de seminário.

Escolhi quatro disciplinas, mais o curso de espanhol oferecido gratuitamente pela UAM aos intercambistas e as aulas de vôlei. Nem todas as matérias foram boas como eu esperava, mas também não tive uma quantidade exorbitante de trabalhos. Deixei de fazer algumas disciplinas que me interessavam para não ter aula na sexta-feira. É uma escolha pessoal, mas que para mim foi acertada. Com um fim de semana de três dias poderia fazer viagens curtas com mais frequência e aproveitar a melhor noite de Madri – a quinta-feira.

Quinta é dia de “chupitar”. Chupitos são os drinks que os promoters das balads oferecem para você entrar e conhecer a festa. O que eles querem é que você faça volume no lugar até o horário em que os espanhois realmente costumam sair – depois da 1h. Ou seja, até esse horário, você pode ir de bar em bar tomando todos os chupitos que te oferecem. Na quinta-feira, como menos gente sai pra festar, há mais ofertas de chupitos.

Outra opção é reunir os amigos para fazer um botellón (famoso esquenta) e entrar nas festas antes da 1h30, quando ainda há entradas grátis. As baladas mais famosas, como o Teatro Kapital (clube de sete andares), não oferece essa regalia. É 15 euros pra entrar com uma copa (drink).

Quinta-feira também tem bastante festa para os intercambistas, promovidas pelas organizações Erasmus – procure os grupos no facebook!

Faça um esporte e ganhe um amigo
Procurar uma equipe de vôlei foi uma das primeiras coisas que fiz ao chegar na Universidade Autónoma. A secretaria de esportes tem uma oferta imensa de opções de atividades pra fazer, incluindo esgrima, padel, capoeira (sim!) e aerosalsa. Para participar das aulas é preciso pagar a taxa de inscrição de 30 euros que vale para o ano todo. Cada modaliade tem um preço à parte. Vôlei avançado custava 20 euros, mas também havia  a opção de pagar à vista 88 euros e fazer as aulas, usar a piscina e a academia de musculação. Você ainda pode pedir para validarem os créditos da disciplina.

As aulas aconteciam três vezes por semana em turma mista. Isso foi ótimo para ter mais contato com os espanhois. Nas outras aulas, via as mesmas pessoas uma ou duas vezes na semana no máximo. No vôlei, além conviver com os alunos com mais frequência, tinha que necessariamente interagir com eles.

Meu lugar ao Sol
Antes de ir pra Madrid, perguntei para alguns intercambistas brasileiros a faixa de preço dos alugueis e os locais bons para morar. A recomendação mais enfática que me deram foi: more no centro. Madrid tem uma ótima rede de transportes que te levam a qualquer lugar da cidade! Assino embaixo, principalmente se você for estudar na UAM.

A Universidade fica bem longe do centro (30 minutos de trem). Isso significa que toda vez que quiser sair ou fazer umas comprinhas vai ter que passar um tempinho no trem ou no metrô.

Renfe Cercanías, linha C-4: caminho diário para UAM

Ao chegar em Madri visitei somente um apartamento, achei o lugar ótimo e decidi ficar ali. Morava no bairro de Carabanchel, próximo à estação Marqués de Vadillo. Hoje, procuraria um lugar ainda mais central, próximo de alguma das estações: Sol, La Latina, Ópera, Tirso de Molina ou Antón Martin. Essas estações são próximas umas das outras e o mais importante, próximos do Sol. Aí fica a maioria dos bares e baladas. Outros bairros próximos como Malasaña e Chueca também tem ótimos bares e casas noturnas. Morando próximo do Sol, você pode sair à noite e voltar pra casa andando. Eu sempre tinha que pegar um ônibus caso quisesse voltar antes das seis da manhã (horário de abertura do metrô)…

Três amigas brasileiras moravam num apartamento ao lado da Plaza Mayor, super próximo do Sol. Ótima localização. Pagavam cerca de 350 euros com os gastos. Problema: o barulho durante dia e noite. O ideal é buscar um meio termo. E claro, quanto mais central, mais caro o aluguel.

Também é bom pensar nos seus colegas de apartamento. Minha intenção ao ir pra Espanha era morar com um espanhol, para aprender melhor o idioma. De fato, morei com uma espanhola e uma coreana. Acontece que a espanhola nunca parava em casa. Me dava bem com Minju, a coreana, mas teria aprendido muito mais se morasse com um espanhol ou algum hispanohablante, pessoas que poderiam solucionar mais dúvidas de vocabulário, corrigir pronúncia, gramática, etc.

Viajar mooooito
Se tiver a oportunidade de viajar, se joga! Pra mim, a melhor coisa da Europa é poder conhecer muitos lugares, culturas e línguas sem gastar muito tempo ou dinheiro. Dá pra encontrar voos baratos, ficar em hostel, etc. Isso eu consegui fazer bastante, como dá pra perceber pelos outros postse por outros ainda estão por ser escritos. As dicas de viagem merecem um espaço particular para  serem abordadas. Aguardem =))

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A saga da volta pra casa

Terminadas as aulas, comecei a maratona de viagens tão esperada. Passei por Barcelona, Bruxelas, Berlim, Amsterdã, Praga, Viena e Budapeste. Depois, ainda viajei com meus pais para a Grécia. Muitas histórias pra contar, mas todas se tornaram secundárias diante do périplo que seria a minha volta pro Brasil.

No dia 18 de julho saí de casa às 8h50 da manhã para embarcar no voo de retorno ao Brasil, que sairia às 12h15. Mal sabia eu que eu só chegaria em casa dois dias depois e ainda passaria pela República Dominicana e Panamá.

Depois de quarenta minutos de trem, heguei ao Terminal 4 do aeroporto de Barajas. Vi a enorme fila para check in e despacho de bagagens e resolvi arriscar o auto check in pelas máquinas disponíveis em frente ao balcão da Iberia, companhia pela qual viajaria.

Não consegui finalizar o check in e imprimir meu cartão de embarque. Ao tentar selecionar o assento, só via cadeirinhas vermelhas. Nada disponível. Fui para a fila do check in rezando para que não acontecesse o pior: deixar de embarcar por causa de um overbooking.

Para quem não sabe (e eu não sabia), comprar a passagem não significa necessariamente que você tem o seu assento garantido. Se houver um número maior de reservas do que de assentos, algumas pessoas podem simplesmente não viajar. A companhia deve encontrar vaga no próximo voo disponível, oferecer estadia em hotel e uma indenização pelos transtornos causados. Tudo bem simples. Ou não.

Fiquei na fila do check in e despachei minha bagagem. Ao receber o cartão de embarque, a funcionária explicou: “Você está na fila de espera desse voo. Dirija-se ao portão de embarque, porque vamos fazer de tudo para você voar”. Depois das viagens pela Europa, posso dizer que maior do que o medo de que a bagagem de mão não caiba na gaiolinha da Ryanair ou exceda o peso permitido é a tensão de ter um “SBY” (Stand by) marcado no lugar do seu assento.

Passei pela imigração (o que significa que eu já tinha saído da Espanha) e fui ao portão de embarque. Ali encontrei mais pessoas na mesma situação: uma mineira menor de idade cuja mãe iria de Uberaba para buscá-la em Guarulhos, um intercâmbista que fez o check in às 9h20 da manhã e já ficou na lista de espera, uma espanhola que repetia ser a primeira da lista por que tinha mais milhagens pela Iberia. Havia também uma família: dois conseguiram fazer o check in e um ficou na espera. O mesmo com outro casal: um tinha assento, o outro, lista de espera. O casal cedeu o lugar para a família e todos os outros conseguiram embarcar. Menos eu e outras oito (!) pessoas.

Balcão de atendimento ao cliente, as funcionárias buscavam outros voos a Guarulhos para nos encaixar. Não havia vaga no voo das 18h, nem no das 0h40, nem do das 12h15 do dia seguinte. Solução: voar com uma companhia chinesa, no dia 19, às 8h45. Enquanto isso, hotel e indenização de 600 euros.

Problema: meu visto de permanência na Espanha por seis meses vencia justamente no dia 18 de julho. Ou seja, a imigração poderia barrar a minha entrada no país, já que eu só poderia ficar na Espanha algumas horas. A alternativa da Iberia foi me colocar num voo Madri – Punta Cana – Guarulhos, que sairia às 16h55. O primeiro trecho seria feito pela AirEuropa e o segundo, pela Varig. Para isso, teria que passar pela imigração, retirar minha bagagem e fazer o check in pela outra companhia. A funcionária da Iberia fez um pequeno relato de porque eu estava passando pela imigração novamente, para que não me barrassem, o que foi completamente desnecessário. O policial nem olhou pro meu passaporte direito e me deixou passar, vai entender…

Retirei minha bagagem e fui fazer o check in. Não antes de retirar a indenização de 600 euros, obviamente! Malas despachadas, passo mais uma vez pela imigração e embarco no voo com duração de 7h50 para a República Dominicana.

Aeroporto de Punta Cana

Uma noite em Punta Cana

Até aí, a minha única preocupação era que o voo não atrasasse, já que eu deveria chegar em Punta Cana às 19h20 e tomar o voo das 21h para o Brasil. Cheguei no horário e não havia fila no check in da Varig, ufa. Expliquei o ocorrido e mostrei o voucher que a Iberia havia me dado para retirar o cartão de embarque. Resposta do funcionário da Varig: “Vamos ter que ver isso com a supervisora”.

Chega a supervisora e me diz: “Senhora, para embarcar você tem que pagar a taxa de 85294,95 pesos dominicanos ou 2187,00 dólares”.

O quê? Como assim? Eu não tenho que pagar nada, já paguei minha passagem. Nem tenho esse dinheiro!

A funcionária não soube me explicar porque teria que pagar esse valor. Pedi que contatassem a Iberia, disseram que eu teria que fazer por minha conta. Pedi que pelo menos me deixassem ver o telefone de contato da Iberia na internet, também não permitiram.

Desesperada e com medo de perder o voo, disse que pagaria a taxa para embarcar. Mas eles não aceitavam pagamento com cartão de crédito!!! Só em dinheiro, em dólares ou em pesos dominicanos.

Pensei que talvez o dinheiro que eu tinha na carteira (pouco mais de 700 euros, por conta da indenização) desse para pagar o voo. Acompanhada por um policial, fui à casa de cambio trocar o dinheiro. Em euros, o valor da taxa passava de mil. Não sabia o que fazer. Pensei em trocar uma parte e sacar o restante do cartão de crédito. Mas por conta do tempo, disseram que seria mais fácil sacar tudo de uma vez. Tudo bem, mas que seja rápido! Transação negada. Só depois fui saber que o máximo permitido de saque no cartão é de 20 mil pesos dominicanos e eu precisava de quatro vezes mais!

De volta ao balcão de check in, tentei falar com os funcionários da Iberia que haviam acabado de finalizar um embarque pra Madri. Ele conversou com a supervisora da Varig – que encontrou a minha reserva! – mas que por conta dessa taxa não podia me deixar embarcar. Funcionário da Iberia me diz: “Não posso fazer mais nada, agora você tem que resolver com eles”. WTF?!!!!

Segunda tentativa de pagar o voo: iria sacar máximo permitido e trocar os euros que tinha. Pensei que assim chegaria ao valor necessário. Mas já eram 20h40 e a supervisora da Varig disse que eu não tinha mais tempo para pagar o voo, já havia perdido.

Sem poder embarcar, perguntei pelo próximo voo para o Brasil. “Sexta-feira, dia 20”. Quê?! E eu posso comprar com cartão de crédito? “Não, você tem que chegar aqui na sexta feira e conversar com…” Indignada, nem esperei a moça terminar de falar…

Saí em busca de outra companhia que voasse para o Brasil. A Copa Airlines fazia o trecho com conexões. Subi ao escritório deles para buscar passagens. Finalmente encontrei alguém que me ajudasse! Deuris, o funcionário, foi super solícito. Disse que havia vários voos para o Brasil, o primeiro deles às 6h, com conexão no Panamá. Poderia comprar a passagem com cartão de crédito pela internet ou por telefone. Como o sinal de internet estava muito ruim, me emprestou o telefone para fazer a compra. O único voo disponível era às 12h59, classe executiva, 1500 dólares (!).

Depois, o Deuris ainda me indicou um hotel para passar a noite e contatou o responsável pelos transportes da Copa Airlines para me levar até o local. Sem conhecer nada na cidade, pensei em passar a noite no aeroporto, mas essa opção estava fora de cogitação. O aeroporto de Punta Cana é super pequeno, especialmente antes de se dirigir ao portão de embarque, e o pior, totalmente aberto.

Estava extremamente quente e úmido e eu fui devorada pelos pernilongos durante os quinze minutos que fiquei conversando com meus pais pela internet para contar sobre o ocorrido. Não preciso dizer que eles ficaram super preocupados e sem ter o que fazer a respeito…

Deuris recuperou a minha mala, que chegou em Punta Cana (e não em Guarulhos, como me informaram em Madri) e eu fui pro hotel. Vinte minutos de carro. Passei por ruas de terra, super escuras, vi alguns detidos no carro da polícia e gente pedindo carona. No Aparta Hotel Veron, que mais era um apartamentinho de praia, comi um misto quente triplo (três fatias de pão, três de queijo, três de presunto) e água. Não tinha internet, mas consegui um cartão telefônico pra avisar aos meus pais que eu ainda estava sã e salva.

Que bom que havia ar condicionado no quarto! Tomei um banho (frio, porque não havia água quente…) e fui dormir. Quer dizer, tentar dormir. Deveria acordar no dia seguinte às 8h para me arrumar e ir ao aeroporto. Ramón, funcionário do hotel, iria me levar de volta. Fiquei com medo de não conseguir acordar de tão cansada. Afinal, no meu horário da Espanha já eram 6h da manhã e eu havia dormido no máximo duas horas no avião.

De tão ansiosa, acordei às 3h30. Voltei a dormir. Acordei às 4h30. Voltei a dormir. Depois às 5h30. Aí não consegui dormir mais. Fiquei enrolando na cama até às 6h15 e levantei, fui tocar violão. Nesse percurso todo levava, além de uma mochila super pesada com notebook, casaco, livro, etc., o violão que tinha ganhado de uma austríaca que morava em casa. Foi ótimo pra dar uma relaxada e espantar essa zica!

Depois tomei um banho – frio -, lavei a cabeça, me arrumei e comi outro misto quente triplo de café da manhã. De volta ao aeroporto, quis usar a internet para avisar meus pais que eu continuava sã e salva, mas meu computador estava sem bateria e todas as tomadas eram incompatíveis com o cabo da fonte. Vários funcionários do aeroporto vieram falar comigo, pois tinham visto o meu desespero no dia anterior. Dessa vez ocorreu tudo bem. Peguei o voo de três horas em direção ao Panamá.

Vista do Aparta Hotel Veron pela manhã

Enfim, boas notícias

Aí estava eu, like a boss, na classe executiva num voo para o Panamá. Fiquei emocionada com a poltrona espaçosa que tinha só pra mim, uma coberta grande e quentinha. E o almoço! De entrada, castanhas. Depois, arroz com filé de corvina, salada e brownie de sobremesa. Nunca fiquei tão feliz de comer uma comida boa!

Desci no Panamá e fui direto ao portão do voo para São Paulo. Já tinha o cartão de embarque em mãos, ou seja, não poderiam barrar a minha entrada no voo – assim esperava. Aproveitei os minutos antes do embarque para comprar um cartão telefônico e avisar meus pais de que eu estava prestes a voltar pro Brasil, finalmente! Em seguida agradeci várias vezes por estar embarcando num voo de volta pra casa!

Tinha acabado de almoçar, mas não dispensei o serviço de bordo, que dessa vez me serviu penne, creme de milho, etc… consegui enfim relaxar. E estava tão cansada que peguei no sono antes de a aeromoça servir o sorvete de sobremesa  (e eu queria muito um sorvete!). Dormi quase a viagem inteira na minha poltrona gigantesca e reclinável.

Em casa? Não tão rápido…

Desembarquei em Guarulhos à 0h30, mais ou menos. Faminta, procurei a comida que eu mais senti falta esses seis meses: pão de queijo!!! Comprei logo dois. Depois busquei o bom e velho ônibus da Caprioli que vai direto do aeroporto pra Campinas. O próximo ônibus era só às 5h30. Resolvi ir até o terminal Tietê e dali comprar a passagem pra Campinas.

O ônibus saiu à 1h30, às duas estava na rodoviária. Ali conheci uma menina de Cabo Verde que veio pro Brasil para morar com a mãe em Santa Rita do Passa Quatro. Ela, como eu, esperava que ao chegar na rodoviária houvesse um ônibus pelo menos dali a meia hora para nossos destinos… O primeiro ônibus pra Campinas era às 4h30 e para Passa Quatro, só consultando a companhia que fazia o trecho, a partir das 5h30.

Ela quis procurar um lugar pra ficar até às 5h. Eu preferi esperar as duas horas sentada na rodoviária, cochilando com a cabeça apoiada sobre as malas e acompanhada de um monte de gente que também tentava dormir algumas horas antes da abertura dos guichês. Pouco antes das 4h, acordei, comprei a passagem e, antes de embarcar, comprei mais um saquinho com mini pães de queijo.

Coxinha e pão de queijo no aeroporto de Guarulhos

Deveria ter chegado em casa dia 18, umas 22h. Cheguei no dia 20, às 6h, cansadérrima, com mais dois países no currículo e surpreendentemente feliz de estar em casa.

Já comi arroz, feijão e bife, acarajé, tapioca e pastel. Agradeci por ser normal que aqui faça 29ºC no inverno. Mas ainda estou achando esquisito não ouvir no mínimo três línguas diferentes ao meu redor toda vez que saio na rua.

Agora, as lições que aprendi com essa viagem e que servem de dicas para quem for pegar um voo internacional.

1 – Faça o check in online. Pelo que eu pude entender, se eu tivesse feito o check in online o quanto antes, teria reservado meu assento e evitado ficar na lista de espera. Se isso não der certo, …

2- Chegue cedo ao aeroporto. Quem faz o check in ante, tem prioridade na lista de espera. Como relatei acima, um passageiro fez o check in às 9h20 para um voo das 12h15 e ficou na lista, mas conseguiu entrar. Torça para que ninguém com muitas milhagens passe na sua frente, porque isso também acontece.

3- Implore por voos diretos e operados pela própria companhia. O maior erro nesse percurso todo foi eu ter aceitado, por falta de conhecimento, fazer um voo com conexão operado por duas companhias diferentes. Tratando diretamente com a companhia, não tem como eles não resolverem o seu caso. Da mesma forma, se ocorrer tudo bem no embarque de um voo direto com uma outra companhia, você vai descer no seu destino final. Se não, ainda está no aeroporto e pode reclamar diretamente com a companhia!

Boa viagem a todos!

Saludos de Brasil!

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Porto, essa querida…

A viagem pra Porto logo depois da Semana Santa veio num momento não muito propício: fim de semestre letivo e dezenas de trabalhos pra fazer. Quando compramos as passagens em fevereiro, nem imaginávamos que abril seria um mês corrido e quebraria todo o nosso ritmo de estudos. Mas quando voltamos, eu agradeci por já ter essas passagens compradas e desfrutar dias tão bons na querida Porto!

Cheguei na cidade por volta das 10h30 e a Dani já estava no hostel quase surtando por que eu ainda não havia chegado. O voo atrasou só uma horinha e enquanto eu não chegava ela me ligou umas dez vezes (não é exagero, gente!). [Dani: só uma horinha! Básico assim! Sou o tipo de amiga preocupada, gente…]

Logo no aeroporto, achei curioso poder falar português e ser entendida por não-brasileiros. E por conseguir entender um sotaque que parece outra língua! No hostel, fui recebida por uma trilha sonora brasileira. Estava em casa!

Avenida dos Aliados

Encontrei a Dani e a primeira coisa que fizemos foi uma das que a gente mais gosta: achar um restaurante legal pra almoçar! Logo vimos que Portugal seria gentil com o nosso bolso: pratos por 5 ou 6 euros e docinhos por menos de um euro! Nós voltaríamos outras vezes nesse restaurante só pelos docinhos…

Começamos nosso “city tour” pela cidade. A Dani, que já havia estado em Porto numa viagem com outros estudantes Erasmus, me levou até a livraria Lello, considerada a terceira mais bonita do mundo e fonte de inspiração para J.K. Rowling. (Sabe as capas que a turma de Hogwarts usam? Então, iguais às dos estudantes da Universidade do Porto!)

Vimos a Torre dos Clérigos (a mais alta de Portugal), a estação de São Bento, a Avenida dos Aliados – pela qual passaríamos várias vezes – e várias igrejas pelo caminho. Um dos destaques da Avenida Aliados é a estátua do D. Pedro IV, o Dom Pedro I no Brasil. Depois tomamos um café no Café Majestic, que é frequentado em peso por outros colegas turistas e senhoras excessivamente maquiadas.

Café gelado no Majestic

O tempo chuvoso foi a oportunidade para corrermos ao Centro de Fotografia de Portugal. Vimos uma exposição com fotos de Joao da Silva sobre a guerra no Afeganistão e o museu, com câmeras incríveis de várias épocas e estilos. Inclusive câmeras de espionagem, menores do que essas Cybershots. Também gostei muito da exposição “Mulheres de Camilo”, em referência às mulheres que serviram de inspiração ao escritor Camilo Castelo Branco, do Romantismo Português. Na exposição o destaque era pra mãe de Camilo e pra Ana Augusta Plácido, seu grande amor. Lembro que estudei muito os textos dele no colegial, e foi uma boa lembrança poder reler alguns deles.

Na saída, encontramos a Gáb, amiga da Dani que está fazendo intercâmbio em Porto e seu colega, Michel, que também estava visitando a cidade. Fomos ao Palácio de Cristal, que um dia já foi um palácio de cristal, mas que foi demolido pra construírem no lugar o Pavilhão dos Desportos. Lamentável. Mas os jardins em volta são lindos e tem uma vista incrível pro rio Douro.

Apesar de ser sexta-feira, estávamos as duas esgotadas. Por isso, a noite e debaixo de chuva, o máximo que conseguimos fazer foi ir ao Piolho, o ponto de encontro da galera. O restaurante/bar estava cheio. Uns comendo, outros tantos bebendo. Volta e meia aparecia um jovem quase inconsciente sendo carregado pelos amigos até o banheiro. E o melhor de tudo: um pratão de comida, do tamanho da nossa gula.

Felicidade por 5 euros

No dia seguinte, depois de um bom café da manhã com pãezinhos deliciosos, fomos conhecer as caves do outro lado do rio, na cidade de Gaia e provar o famoso vinho do Porto. O sol resolveu dar o ar da graça e embelezar nossas fotos enquanto atravessávamos a ponte Luís I, a mais antiga da cidade em atividade.

E aí começou nossa saga em busca da cave Graham’s, onde poderíamos fazer a visita e a prova de vinhos de graça, oferecido pelo hostel. De longe ela é fácil de identificar, fica aí, bem no meio do morro. Mas tem apenas UMA placa que indica a direção do lugar e ninguém sabe explicar direito como chegar ali. Erramos o caminho três vezes. Estávamos quase desistindo, mas resolvemos enfrentar o morro uma última vez e ainda bem que tentamos!

Rio Douro visto de cima da ponte Luís I

Markus, estagiário, 20 anos (!) contou a história da caves e da família dona do negócio. Era a primeira vez que ele ia ser guia, já que era trainee na cave e desde o começo já pedia desculpas pelo nervosismo.  Explicou a diferença entre os vinhos e seus processos de produção, e dividiu com a gente a emoção de provar um vinho de mil oitocentos e pouco. Aproveitamos que éramos as únicas que estavam no tour em português para enchê-lo de perguntas! O Markus mandou muito bem! Dá pra ver a paixão pelo vinho corre no seu sangue!

Na saída, fizemos a prova dos vinhos – que são doces e com alto teor de álcool, para nossa alegria. E ainda ganhamos uma taça a mais de vinho branco. Depois dessa experiência, acho que eu nunca mais vou tomar Campo Largo

Vinhos e uma vista linda!

Antes de sairmos, fui ao banheiro. A Milena, incrivelmente, a princípio disse que não estava com vontade. Fui eu, e logo depois, quando eu já estava terminando de fazer xixi, a Milena entra no banheiro, e diz:

Ah, mudei de ideia, vou fazer já pra depois não ficar com vontade.

Anh.. – digo eu, concentrada no meu xixi.

Escuto então um barulho interminável de xixi caindo (sabe quando vc nota que a pessoa estava apertada só pelo barulho que faz?), e digo à Milena:

– Meu deus, com tudo isso de xixi você ainda queria segurar?

– Não sou eu, Dani!!!!

Momentos de gargalhadas à parte (que cortaram o meu xixi, por sinal), eu não tinha percebido que havia entrado outra mulher, que usou o banheiro ao meu lado, enquanto a Mi estava em outro canto do banheiro. Rimos horrores (um pouco pelo efeito do vinho…), e agrademos pelo fato de a tal da mulher não entender português (assim esperamos….)

Mãe, essa é a última, tá?


Conseguimos descer o morro sem rolar ladeira abaixo (vitória!). E então, já mortas de fome, paramos num restaurante para comer um… bacalhau! Claro, não podíamos sair de Portugal sem provar um. E ainda almoçamos em grande estilo, ao lado do Douro, esse lindo!

A obra mais legal do jardim de Serralves

Reservamos o sábado a noite pra fazer o pub crawl! Conhecemos 4  bares e no final uma discoteca. Ficamos ali até a hora que nossos pulmões e lentes de contato permitiram. A fumaça de cigarro era tanta que já estava asfixiante. Depois descobrimos que em Portugal também é proibido fumar em lugar fechado. Mas pelo que vimos, exceção era quem não estivesse fumando…

Terceiro dia, missão: conhecer o Museu de Arte Contemporânea da Fundação Serralves, entre outras coisas.

Eu e Dani não curtimos muito o museu, não. Acho que ainda precisamos de um nível de abstração muito grande para compreender os artistas contemporâneos. Maaaas, o jardim da Fundação é lindo e enorme. Só não ficamos mais porque estávamos com frio, muito frio – e fome (novas!).

Pegamos um ônibus até o Castelo do Queijo. Que não é um castelo de queijo, nem em forma de queijo e que não tem nada relacionado a queijo em volta. Só foi construído em cima de uma pedra que parecia um queijo. Mas é bonito.

Pasmem, a Dani comeu tudo isso

Caminhamos pela “beira-mar” até encontrar um restaurantezinho agradável para almoçar.A Dani pediu um caldo verde e uma Alheira de Mirandela, só pratos típicos.  O caldo verde lembrou a sopa de fubá da minha avó Alice, e a origem da alheira de mirandela vem dos tempos de perseguição aos judeus, já que eles “enchiam” a linguiça com carne branca, e diziam que estavam comendo carne vermelha, carne de porco, pra não levantarem suspeitas…

Na volta, enfrentamos a maior ventania das nossas vidas acompanhada de um frio nada agradável. Enquanto esperávamos o ônibus desejamos estar em Floripa pra poder esticar o dedão e quiçá conseguir uma carona salvadora.

Agradecemos muito a hora que o ônibus chegou! E estávamos tão quentinhas e confortáveis que nem queríamos descer na Casa da Música, o próximo ponto do nosso itinerário. Mas descemos. Não conseguimos ver nada lá além da arquitetura do prédio. As visitas acontecem às 11h e as 16h, somente, e já eram 18h…

Mas o que eu gostei mesmo foi do Monumento aos Herois da Guerra Peninsular que tem na praça em frente. É o monumento mais impactante que eu já vi até agora. A Guerra, que aconteceu de 1808 a 1814, uniu os exércitos português e inglês contra as forças francesas de Napoleão na Península Ibérica. No topo da estátua, tem a figura do Leão (Portugal) pisando sobre a Águia (França). Fortíssimo simbolismo.

Monumento aos Herois da Guerra Peninsular

O nosso dia ainda não tinha terminado. A última missão era conhecer o Museu do carro elétrico – o nosso bom e velho bonde. O museu fica na estação de bondes que ainda funcionam na cidade, mais pra turismo, e mostra os vários modelos de carros, até o que precedeu o ônibus =((

Agora, sim, de volta pro hostel, cansadérrimas e sem qualquer vontade de sair no frio, tentamos pedir uma pizza ou qualquer outra coisa delivery. Mas já era quase meia noite do domingo e nada para entrega a domicilio.

Eis que aparece um italiano muito prestativo que se ofereceu para fazer um spaghetti a carbonara pra gente! Os ingredientes surgiram de algum armário da cozinha do hostel (sempre nos salvando). Enquanto cozinhava, o Stefano nos explicou os diferentes tipos de massa, cozimento e falou da sua indignação com pessoas que conseguem deixar o macarrão passar do ponto, (vulgo, eu). Ah, esse hostel em Porto, foi o melhor que ficamos dentre todas nossas viagens! Animado, com gente jovem e prestativa, bem decorado, limpo, com cozinha, mapas, enfim, muito útil! 

Spaghetti mezzanotte. O uso da faca foi proibido durante a refeição

Contrariando o senso comum, resolvemos fazer o nosso “walking tour” pela cidade no nosso último dia.  O objetivo não era ver os principais pontos turísticos, mas ouvir as histórias. Acabamos conhecendo lugares novo, também, como a murallha, a Igreja de Santa Clara cheia de ouro do Brasil e “o jardim da paquera”.

Ruas encantadoras de Porto

Medo da francesinha

Nosso guia, o Pedro, contou a história de um dos pratos mais famosos de Porto, a Francesinha. É um sanduíche de várias carnes, linguiça,salsicha, fiambre… coberto de queijo e molho picante. O ovo frito por cima é opcional. O nome, disse ele, faz referência às mulheres francesas, que na época em que o prato surgiu eram muito mais liberais do que as portuguesas. O lanche, por ser forte e picante, faria as portuguesas ficarem com calor e então, tirarem algumas peças de roupa e beberem mais. Espertinhos.

Rejeitamos a francesinha por três dias até conhecer essa história. Tivemos que provar. Mas, com receio de que o prato seria muito pesado, dividimos uma francesinha e complementamos com uma salada.

Passamos no Mercado do Bolhão, compramos souvenires e eu me despedi da Dani, as duas com vontade de ficar mais.

Fui embora de trem, num esquema um tanto incomum de compra: só consigo comprar os bilhetes na fronteira, quando sai o fiscal português e entra o espanhol. São duas horas e pouco de viagem, mas pelo fuso, a Espanha está 1h adiantada em relação a Portugal.

Meu voo era às 6h do dia seguinte. Então deu tempo de fazer uma das coisas que eu mais gostei. Às segundas-feiras, ao lado do rio, se vende copos enormes de bebida a 5 euros e de cerveja a 2,50. O lugar, que eu já tinha achado lindo de dia, é ainda mais encantador à noite. Fui para lá com o pessoal que estava no hostel. Lembrei da praia, de Floripa e dos happy hours da UFSC. Me senti em casa e não queria voltar.

Minha câmera tremeu de emoção com a vista do Douro à noite

Saludos!

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Fallas de Valencia: carnaval + Oktoberfest + festa junina

Os preparatórios para ir a Valencia durante a festa mais famosa, as Fallas, começou quase um mês antes do fim de semana do dia 17 de março. Buscamos hostels, hoteis, abrigo na casa de conhecidos. A cidade já estava lotada, os preços lá em cima e os hostels estavam exigindo um mínimo de 5 dias de pernoite para fazer a reserva.
Também tínhamos a opção de ir de excursão com outros intercambistas de Madrid por 25 euros: sairíamos pela manhã para voltar chegar aqui no dia seguinte. Descartamos. Queríamos conhecer a festa, sim, mas principalmente a cidade, o que nos tomaria um pouco mais de tempo (e eu, Dani, queria comemorar meu aniversário decente e dignamente!). Acabamos encontrando um quarto aconchegante na região de Calicanto, próximo a Valencia.

Comecei a viagem nervosa enquanto esperava a Dani descer da estação de trem  e chegar à rodoviária de onde saía nosso ônibus antes das 9h. Ela chegaria de Pontevedra às 8h, mas teria que estar na estação de ônibus umas 8h50 para não perdermos a viagem.(Eu também tava super nervosa, apesar do sono!) De Chamartín a Mendez Álvaro são quatro paradas e quinze minutos de viagem caso você não pegue o trem errado entre os que saem das onze plataformas da estação (sim, eu quase peguei o trem errado, mas pedi ajuda pros seguranças que me disseram: “cooorre pra outra plataforma!!!!!”).
Deu tudo certo e às 8h40 já estávamos em frente ao ônibus, guardando nossas mochilas. Passamos as quatro horas de viagem falando sem parar, contando as novidades irritando os demais viajeiros que tentavam dormir.(também, pudera, pela internet só conversamos coisas de viagem, hostel, cidades..!)

Já em Valencia, pegamos outro ônibus para Calicanto. Qual foi a nossa surpresa quando o ônibus que levava ao povoado demorou cerca de meia hora para chegar à parada mais próxima da nossa estadia. Sabíamos que estávamos longe da cidade, mas não tanto! Passamos por plantações de uva, campos verdes, casas que nos lembraram o interior de São Paulo.

Dali, a Paqui, nossa anfitriã, nos buscou de carro para levar à sua casa, que ficava em um morro, a uns 5km da parada de ônibus. Só então nos demos conta de que havíamos reservado um Bed and Breakfast: estadia na casa de um morador local, com café da manhã incluído. No nosso caso, com janta incluída, também. Ficamos impressionada com a paisagem e a tranquilidade da casa em Calicanto. Nada do que a gente esperava, mas um pouco do que estávamos precisando.

Nosso quarto na casa da Paqui, nossa anfitriã de Bed and Breakfast

A Paqui aceitou trocar nossa janta por um almoço, já que tínhamos muita fome e o próximo ônibus a Valencia só passaria dali a duas horas (!). Foi nosso primeiro almoço caseiro não preparado por nós mesmas.(pasmem, até bacon eu comi,tamanha a fome!)Paqui foi super atenciosa e nos passou toda programação das Fallas. Contou um pouco da história da festa, de como já estava cansada de participar das Fallas durante anos, coisa que suas filhas e marido ainda fazem todos os anos.

Depois pegamos o ônibus de volta a Valencia para conhecer a cidade e a festa! Primeira impressão: uma grande festa junina. À noite havia feiras com barracas de souvenires,  bolsas, calças, brincos colares pulseiras, doces abundantes e de todos os tipos, churros e porras (tivemos que experimentar as porras…são churros mais gordinhos recheados de creme, nada mais!) Aproveitamos para nos situar pela cidade, ver alguns bonecos (as Fallas, que no dia de São José, 19 de março, são queimadas), comer um bocadillo (A mi tinha uma impressão ruim de bocadillo de tortilla, mas esse ela curtiu, e agora garanto que vai provar todos!) e pegar o último trem de volta a Calicanto.

A primeira falla que vimos. Nos lembramos dos bonecos de Olinda. Mas as fallas são muito mais elaboradas e maiores!

As ruas estavam cheias de gente, mas nada comparado ao que veríamos no dia seguinte, quando saímos às 9h30 de Calicanto com planos de voltar só no dia seguinte. Ao chegar na cidade, no outro dia, mais uma impressão sobre a festa: uma mistura de Oktoberfest com desfile de 7 de setembro. Havia grupos de falleros vestidos a caráter, caminhando e fazendo música pelas ruas. O repertório variava  das canções mais tradicionais até a melhor versão de “Ai se eu te pego” que ouvi até agora. (O meu repertório é maior, já até estou com uma pasta no computador com todos os vídeos de Ai se eu te pego aqui na Espanha, o melhor que eu ouvi foi em Xinzo de Limia, na Galícia).

A falla mais bonita! Reparem nos detalhes!

A primeira programação das Fallas daquele dia era a Mascletá: cinco minutos de fogos de artifício que acontece na Plaza del Ayuntamiento, todos os dias, às 14h. Às 13h15 tentamos chegar à praça, mas ficamos parados em meio à multidão que também tentava alcançá-la. Uma valenciana nos disse que já havia gente esperando desde as 12h. Alguns apartamentos próximos à praça alugavam suas sacadas para quem quisesse assistir à queima de camarote.  A princípio, a Mascletá é só uma queima de fogos de artifício durante o dia. Mas são tantos e de tão grande intensidade que o chão chega a tremer. Fiquei arrepiada.

A próxima atração da festa era a oferenda à estátua de madeira da virgem dos desamparados, na Plaza de la Virgem.
Chegamos cedo e a rua que levava à praça também estava sendo bloqueada pelos policiais para que os falleros pudessem passar levando sua oferenda. Passamos por aquela velha situação vergonha-alheia: uma senhora (barraqueira!)começou a reclamar com algumas pessoas que estavam em frente à grade de proteção. Dizia que estava há muito tempo esperando a oferenda começar e que quem chegou depois não poderia ficar na sua frente. Sua filha era a fallera mayor (a “Rainha das Fallas”) e ela queria vê-la levando a oferenda – ela gritava, para que todos compreendessem a injustiça! E não só isso, também exigia que a grade de proteção fosse afastada um pouco mais para que houvesse mais espaço para os falleros passarem e, é claro, para que menos gente ficasse entre ela e sua filha – a fallera mayor. Passaram moças, crianças, rapazes, senhores, e até o neto de quinze dias da colega da mãe da fallera mayor! (muitas mulheres passavam super emocionadas, choraaando horrores!)

Desfile do pessoal indo oferecer as flores à Virgem dos Desamparados. Reparem nos bebês à caráter!

Tentamos chegar à praça por outra rua, e vimos que a oferenda não era simplesmente deixar as flores ao pé da estátua. Os falleros sobem na estrutura de madeira e com as flores vão formando o manto da virgem.

As flores carregadas pelos fieis são colocadas na Virgem em madeira, que no fim das Fallas fica toda preenchida com flores de diversas cores.

Não chegamos a ver o manto pronto. Ainda tínhamos uma cidade inteira pra conhecer, a Cidade das Ciências. O plano era alugar uma bicicleta para ir do centro histórico a essa “cidade” onde estão os Museu das Artes, Museu da Ciência e Oceanógrafo, todos incrivelmente arquitetados! Não encontramos bicicletas no caminho, então seguimos a pé, mesmo, aproveitando os bons ares do Jardín de Turia – um parque que um dia já foi um rio.

Museu de artes na Cidade das Artes e Ciências. Incrivelmente bonita, clara e moderna.

Queríamos conhecer o Oceanógrafo, mas já não havia mais tempo: o tour completo leva 3 horas e chegamos a uma hora de fechar o museu. Além disso, as entradas são bem salgadas: 21,5 euros. Aproveitamos para descansar e tomar uma Orxata, bebida típica de Valencia feita com sementes. Uma mistura de amendoim com leite com guaraná que é incrivelmente deliciosa! Pena não poder trazer mais pra casa.

Ô bebida boa! Feita de chufa, uma "semente raiz" parecida com avelã.

Próxima parada: praia! Pegamos um ônibus até a praia Malvarrosa. Maravilhosa e aconchegante, com sua areia fina que escapa entre os dedos. Estava cheia de jovens. Uns jogavam futebol, outros corriam e gritavam. Alguns corajosos ainda nadavam no Mediterrâneo gelado, mas a maioria estava sentada em rodinhas, conversando, bebendo ou desacordado, curtindo um porre. Eram sete da noite e o pessoal já tinha passado da conta.

Praia Malvarrosa (Mar Mediterrâneo), no fim de tarde. Linda! Areia mais fina, impossível.

No banheiro da lanchonete mais próxima, uma fila de meninas descabeladas e com a maquiagem borrada se segurando pra não fazer xixi nas calças. Depois de um quinze minutos, saiam da lanchonete penteadas, visual impecável, pronta pra próxima festa.

De volta ao centro da cidade, e depois de comer e descansar um pouco nos bancos da estação de trem, estávamos prontas para começar a noite. Encontramos duas amigas brasileiras, que estão aqui em Madrid, e seus dois colegas valencianos que fizeram intercâmbio no Brasil! (um deles falava português muito bem!)
Com eles fomos assistir à queima de fogos (tipo reveillon mesmo)– outro dos itens da programação das Fallas -, e em seguida paramos em um bar. Ouvimos histórias da “assistidora de novelas profissional” que fazia maconha negra, digo, magia negra e aprendemos o equivalente em espanhol a “caguei, caguei montão” (“me suda la polla”). Rimos um monte, mas ainda queríamos ir numa balada, pra aproveitar as cinco horas que ainda teríamos ali e para comemorar o aniversário da Dani!!(e eu curtindo pela primeira vez o fato de fazer aniversário em terras estrangeiras!)

Brasileiras e dois espanhois que fizeram intercâmbio no Brasil.

Depois de caminhar muito e encontrar alguns lugares fechados, acabamos numa festa de rua, com banda, também comum durante as Fallas. Impressão sobre as Fallas número 3: um carnaval, com figuras alegóricas e festas de rua. Quando finalmente encontramos uma festa, já era 5h. Teríamos que pagar 10 euros (leia-se 25 reais) pra ficar só mais duas horas. Cansados, paramos no Starbucks, comemos e corremos para pegar o trem de volta para Calicanto. Ufa.

Horas mais tarde, acordamos (na verdade eu nem dormi direito, sabe quando você tá tão cansado fisicamente que não consegue dormir? então…) e tomamos um café da manhã delicioso. Nos despedimos da Paqui, do nosso quarto e de Valência, com vontade de ficar mais.

A história triste e inacreditável: a Paqui nos contou que um casal de hóspedes, que havia chegado na noite anterior, havia fugido, ou seja, ficaram por dia, tomaram banho e saíram sem pagá-la! Eu e a Mi não ficamos de cara! Ainda mais com uma anfitriã tão gente boa!

A Mi ficou em Madrid – me apresentou a estação de Atocha, hehe- eu ainda peguei um trem de 9 horas de viagem até Pontevedra. Mas passei por um “momento turista-perdida”: entrei no vagão errado, o moço que confere as passagens me avisou. Imagine, andei do vagão 4 até o vagão 114, que era o correto, com o trem em movimento. Conheci os rincões do trem, me senti num “titanic”, passando pela classe turística comum, pelo depósito do trem e pelas classes de luxo até chegar no meu lugar.

Café da manhã preparado pela Paqui, nossa "mãe-guia-taxista" em Valencia

Agora restam os preparativos pra Semana Santa. Nesta quarta, dia 28, iremos a Londres! Até o dia 8 de abril, nossa meta é visitar Veneza, Verona e Milão. Contaremos tudo pra vocês quando voltarmos!

Saludos! Já menos frios e com toques de primavera:)

Apesar de nos ter saído um pouco cara, a viagem a Valencia valeu cada centavo pago! E conhecemos mais uma festa típica da Espanha:)

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Cádiz e Sevilha – por Mi

A Dani contou o geral da nossa viagem. Eu vou dar minhas impressões sobre alguns pontos que me marcaram nesses quatro dias encantadores…

Ói, ói o trem… Para ir a Sevilha e Cádiz fiz minha primeira viagem de trem. No dia anterior treinei o caminho até a estação para ter certeza de que não me perderia entre as diversas escadas da Atocha Renfe e nem me atrasaria para o embarque. Calculei o tempo para chegar trinta minutos antes do trem partir, o que foi bom: o embarque, semelhante ao de um voo, foi feito vinte minutos antes do horário da saída.

Procurei o meu vagão e o meu lugar. Sentei na janelinha. Com a poltrona espaçosa e mais confortável que as dos ônibus, pude ler traquilamente e observar a paisagem. O trem balança muito pouco. O único porém foi ter que viajar “de ré”.

Havia uma cafeteria que estava “a su disposición en el coche 4“, segundo indicava o letreiro vermelho à minha frente.  Fiquei curiosa pra conhecer, mas tive vergonha de ter que acordar a moça que dormia na poltrona ao lado para chegar ao corredor. Comi os lanchinhos que tinha trazido de casa.

Que delícia chegar em Cádiz e sentir calor depois de um mês com dias de frio e de mais frio ainda. Melhor foi a emoção de rever a praia (e quepraia!), o mar e as amigas.


Fiquei encantada com as ruas estreitas e graciosas de Cádiz.  É uma delícia caminhar à noite pelas ruas de paralelepípedo, pelas praças… nem nos importamos de nos perder algumas vezes pela cidade. Além de super agradável, sempre havia um andaluz simpático pra nos dar uma ajuda. Com sorte, ainda encontrávamos um grupo de…

Chirigotas! Essa coisa linda de nome engraçado que anima a temporada carnavalesca de Cádiz! Os grupos de artistas fantasiados se reúnem num canto da rua e começam a cantoria que traz uma história humorada. As pessoas na rua vão se amontoando em volta para apreciá-los e rir das suas tiradas engraçadas. Não entendi quase nada do que cantavam. Um tanto pela língua, outro tanto porque os chirigotas geralmente fazem piadas relacionadas à cidade ou ao país, dizem. Mas não importa. Se eu ver uma rodinha de gente na rua, ouvir uma musiquinha meio declamada seguida de risadas da plateia, vou correr pra admirar os artistas!

Carnaval à brasileira – Antes de chegar à Cádiz, quase me esqueci de que era carnaval no Brasil. Pensei que a temporada de festas ia passar em branco, mas a nossa anfitriã,  seus colegas de apê e suas colegas brasileiras (sempre!) garantiram uma boa festa pelas ruas da cidade, com direito a vinho do Carrefour, rum com Nestea e espanhois indo hasta el suelo! suelo! suelo! – ou quase.

O que a nucada disse sobre Cádiz é verdade. Ela é apaixonante, não vejo a hora de voltar. Mas antes disso, rumamos a…  Sevilha!

Já esperávamos uma cidade linda. Mas Sevilha nos surpreendeu não só pela arquitetura e belezas naturais como por seus habitantes. Foi depois de conhecer a Universidade de Sevilla que nos demos conta do quanto só tem lindos em Sevilha. Gente, aqui não tem Puyol, você sai na rua e só encontra Casillas! Ou isso, ou a gente estava realmente encantada com a cidade, vendo tudo mais bonito… Mas, tudo tem seu lado ruim.

Qué pasa, hombre? Depois de começar a noite migrando de bar em bar, seguindo o costume espanhol, ficamos enfadadas com os chicos e suas intentadas sem graça ou machistas. Com o mapa da cidade em mãos, fomos em busca do “Buda”, que logo depois descobrimos que se chamava “Kudetá”. Na fila, surge o seguinte diálogo:

Chico aleatório #1: Vocês estão com eles? – aponta para chicos aleatórios #5, #6, #7

Nós: Não, porque?

C. A. #1: Se vocês quiserem, podem entrar com a gente. Dizemos que estamos em cinco.

Nós: E… porque?!

C. A. #1: Ah, porque as meninas que entram sozinhas na balada não são bem vistas.

Dani, já irritada com a experiência nos bares, fica indignada e desabafa – em português: #@$%&#¨!!

Eu: Tá, mas… porque?!

C.A. #1: É porque a festa parece melhor quando tem mais meninas.

Ok. Chico aleatório #1, sua resposta não nos convenceu. Ficamos indignadas com a sua lógica de pensar, mas continuar a questioná-lo seria em vão. Em cidade desconhecida e país estrangeiro, achamos melhor aceitar a gentileza. Assim que entramos, nos dispersamos e fomos dançar à vontade. Essa vai pra lista de fatos #obrasilémuitomassa…

Na hora de voltar, nos guiamos pela catedral iluminada. Nosso ponto de referência pra chegar ao hostel.

Não posso ficar nem mais um minuto com você… Hora de ir embora. A Dani saiu umas 5h e eu dormi mais um pouquinho. Caminhei até ferroviária tranquila de que chegaria meia hora antes da saída do trem, às 7h55. Eis que ao chegar lá eu olho o painel de saídas e vejo um trem para Madrid com saída às 7h15. Olho pro painel. Bilhete. Painel-bilhete-painel-bilhete. Sim, era o meu trem e já eram 7h30, ou seja, lá se foi o meu trem. A viagem estava tão boa que eu quis ficar um pouco a mais em Sevilha, só pode. Dei uma de Maranhão e perdi o trem de volta pra casa por um pequeno equívoco: a saída era 7h15 e a chegada em Madrid às 9h55. Eu só troquei os minutos, só isso…

Depois do susto e do desespero, consegui pegar o trem das 11h45. Deu pra adiantar a leitura do texto que iria apresentar no dia seguinte  sobre “Politeness in Britain” e conversar com a senhora inglesa que perguntou o que eu estava estudando, e compartilhou a sua estranheza quanto ao jeito pouco polido dos espanhois.

Dormi quase a viagem inteira de volta. Dessa vez não viajei de ré e nem lembrei da cafeteria no vagão 4, mas tive que dormir com um casal de desconhecidos nas poltronas à frente me olhando…

Quero muito voltar e conhecer melhor o sul da Espanha! Mas antes, vamos a Valência! 😉

Hasta luego!

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De que hablan las chicas?

Hoje é quarta-feira!!

Em Madrid, quarta-feira é dia de “100 Montaditos”. Isso significa se reunir com os amigos em uma das dezenas de filiais da cervecería mais famosa da cidade para beber e provar toda a variedade de lanchinhos do cardápio por um euro cada. Os montaditos ficam cheios de espanhois e estrangeiros que querem comer e beber muito e pagar pouco.

Intercambistas da UAM

Felicidade por 1 euro

Entrando na onda dos costumes madrileños, semana passada fomos eu e mais oito intercambistas de vários países aproveitar a noite espanhola. Pedimos muita comida, tomamos nossas cervejas. E enquanto tentávamos nos comunicar em um inglês-espanhol-italiano sobre los chicos e os costumes de nossos países, surgiram algumas curiosidades dignas se nota. Segundo essas amigas-fontes:

1) Na Bélgica e na Alemanha chega a se pagar 40 euros por uma depilação completa da região íntima (!)

2) Depilação completa (completa mesmo!) só é normal no Brasil. Só de pensar na dor as amigas fazem cara feia…

3) Depilação masculina só no peito – e a maioria aprova.

4) Na Coreia, meninas com mais pelos são raras, e por isso mais bonitas.

5) Na Alemanha, é preciso bastante paquera e conversa até vocês se beijarem. Se isso acontecer, é provável que ele queira um relacionamento sério.

6) Já na Itália, ficar com vários(as) num mesmo dia é aceitável apenas aos homens e não pega bem para as mulheres ficar andando sozinha pelas ruas à noite.

7) Micaretas e suas consequências estão fora de cogitação.

Confesso que fiquei curiosa para ver se tudo isso é mesmo verdade. Nós brasileiros vivemos num país privilegiado. Ou não.

Boa quarta-feira pra vocês 🙂

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“Ya tienes un piso?”

Você chega na faculdade, pede uma informação para um estudante que está passando e percebe que ele também é estrangeiro. Depois de perguntar “Como te llamas?” e “De donde eres?” o mais comum nos primeiros dias na cidade é “Ya tienes un piso?”.

Vários estudantes reservam um hostel e chegam aqui sem ter ideia de onde irão morar depois. Eu preferi procurar um lugar pra ficar ainda no Brasil. Me recomendaram pesquisar nos sites e: idealista , segundamano e pisocompartido e ficar atenta às dicas:

– é sempre melhor morar no centro, pois Madrid tem uma ótima rede de transportes;
– é mais fácil procurar um quarto do que um apartamento para dividir;
– você consegue pagar em torno de 350 euros o aluguel e os gastos.

Depois de olhar muitas fotos nos sites e fazer alguns contatos, achei um bom apartamento com um quarto que gostei muito. Tive sorte de ter que fazer só uma visita e já fechar o lugar onde queria morar. Mas, com um probleminha. Magda, a moça que mora no quarto onde vou morar só sai dia 20. A dona do apê (muito simpática!) me deixou ficar no seu quarto até a Magda sair e enquanto isso, vai ficar na casa do seu namorado.

Estou num bairro residencial, do lado de uma escola, perto de um parque e do estádio Vicente Calderón, do Atlético de Madrid. Menos de cinco minutos para chegar à estação de metrô e uns dez para chegar à estação renfe – trem que vai aos locais mais distantes da cidade, como o aeroporto e… a UAM!

A Universidad Autónoma de Madrid fica numa região um pouco afastada do centro da cidade. De trem se chega em 30 minutos, mais ou menos. A faculdade oferece lugares nas residências estudantis que há no entorno. Mas além de pagar 400 euros o quarto duplo sem os gastos (se quiser quarto individual é mais caro), o último trem que vai à região sai às 23h…

Já o metrô funciona até 1h30 e depois a partir das 6h. Se quiser voltar de madrugada também pode pegar um bus!

Caminho para ir à estação renfe "Pirámides"

Estádio Vicente Calderón no caminho de volta pra casa

Aqui no apê estamos eu, Magda, uma austríaca de 25 anos que estuda para ser professora do primário e Minju, que veio da Coreia para estudar comércio e marketing há quase dois anos (!). A Magda fica quase sempre no quarto então não nos vemos muito. A Minju está sempre na sala, estudando, ou conversando pelo facebook. Elas têm me ajudado bastante a entender como funcionam as coisas aqui no apê, que é um pouco diferente do que fazia em Floripa ou em Campinas…

Magda, eu e Minju, compañeras de piso

Colocamos todas as louças na (imensa) lavadora – só esfregamos as panelas. Não temos um escorredor. Também não temos tanque. Todas as roupas vão na máquina de lavar frontal e que fica na cozinha.

Hoje quis limpar o quarto, pois já faz uma semana que estou aqui e tinha juntado um pouco de poeira. Aqui não tem vassoura, só aspirador de pó. Nem rodo e panos de chão. Quando queremos secar ou passar algum produto usamos o esfregão, que tem franjinhas de oano na ponta. (Ontem alguém o usou e deixou na sacada. Hoje quando fui usar e estava congelado…). Guardamos o aspirador de pó e alguns outros objetos de limpeza num armário na sacada do lado de fora do apartamento. Ainda tenho um pouco de medo de andar por ali, pois estamos no 6º andar e a grade de proteção não é muito segura…

sacada gelada e tenebrosa

Vista da sala de casa

Na cozinha, o fogão é de indução e a temperatura é controlada por números e não por “fogo baixo”, “fogo alto”. Ainda não descobri a temperatura certa pra cozinhar aquele arrozinho de sempre. Por outro lado, eu que sempre tive só um fogão no apê de Floripa, tinha esquecido como um microondas facilita a vida.

E o chuveiro, assim como o da casa da Dani, é como um chuveirinho com um diâmetro maior que se coloca num suporte. Aparentemente, o pessoal aqui prefere um banho de banheira…

Por falar em banho, eu vou tomar um agora porque são 21h20 e sábado é dia de sair com as amigas =)). Logo trago mais novidades sobre as festas dessas últimas duas semanas!

Un saludo!

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Queridos, cheguei!

Nunca um mês tinha passado tão rápido para mim até a Universidade Autónoma de Madrid enviar a minha carta de admissão na faculdade à UFSC. Depois de passar por todo o processo de inscrição para intercâmbio, esperar essa carta pode trazer umas boas crises de ansiedade. Esse documento comprova que o intercâmbio realmente vai dar certo (ou não), além de ser indispensável para tirar o tão sonhado visto de estudante e ficar seis meses na Europa.

Minha carta chegou dia 23 de dezembro, e então foi: Natal, visto, reveillon, fechar o apê em Florianópolis, viagem com os pais, praticar espanhol, separar as roupas, checar várias vezes a lista de coisas a levar (e sempre acrescentar mais um item), comprar passagens, reservar hostel, buscar o visto, fazer as malas, rever os amigos, contar que vai mesmo pra Espanha e… embarcar!

Vôo de dez horas nas poltronas pouco inclináveis da Iberia. A temperatura foi diminuindo aos poucos como que preparando os passageiros para o inverno europeu. Depois de quase me perder no aeroporto imenso de Barajas, que tem até trem para levar os passageiros à retirada de bagagem, fui ao Hostal que havia reservado. Fiquei com receio dos quartos divididos dos hostels e peguei um quarto individual em um hostal que ocupava meio andar de um prédio. Nunca tinha visto nada parecido, mas aqui parece ser comum, porque vi vários.

Fui recebida por uma mulher das Filipinas, que está em Madrid há três anos e que fala menos espanhol do que eu. Me cumprimentou com o usual “Hola!”, mas assim que a conversa foi ficando mais complexa, tentamos conversar em inglês.
Isabelle e sua colega de trabalho, Cristina, que também veio das Filipinas, cuidam da limpeza e recepeção das três sedes do hostal, duas no mesmo edifício e uma em outro endereço. E pelo trabalho recebem 800 euros cada. Quando fui fazer o check-out, quatro dias depois, Isabelle tinha acabado de falar com o filho, que pedia para a mãe voltar para casa. “Assim como você sente saudade da sua mãe, eu sinto do meu filho”…

Sozinha, no centro de Madrid, passeei pelas rua Callao e as diversas lojas em liquidação − inclusive a Zara, que aqui é equivalente à C&A. Dá pra encontrar roupas e sapatos mais baratos do que no Brasil. Aproveitei para comprar dois casacos, pois me disseram que em fevereiro deve esfriar mais do que os 2ºC que tem feito esses dias.
Eu tentando tirar uma foto sozinha

Eu, que não estou acostumada ao frio, me rendi às luvas e ao protetor solar e labial. Dois dias sem um batonzinho e meus lábios ficaram vermelhos, rachados e inchados. Triste.

Gran Via

Bla bla bla

Segunda-feira começaram as aulas na Universidade Autónoma de Madrid. Me senti como uma caloura novamente, sem conhecer ninguém e me perdendo entre os dez blocos da Facultad de Filosofía y Letras.

Foi pedindo informação sobre onde era a Oficina de Movilidad que conheci duas alemãs muito simpáticas. Em geral, as pessoas foram muito solícitas comigo aqui em Madrid. Todas me trataram muito bem, ainda que não tenha dado tempo de conversar muito com várias pessoas.”

UAM

“CFH”

Quando não se conhece muito bem a língua do outro, fica difícil estabelecer uma conversa mais profunda. As relações se tornam menos complexas e as pessoas se dividem entre chatas e legais, simpáticas ou grossas: as que se esforçam para te entender e tentam se comunicar e as que não perdem tempo com torturadores da língua castelhana…

Com os intercambistas, que estão em toda parte pela universidadade, começo a falar em espanhol, até que a gente encontre o idioma mais confortável para todos. Não é raro começar uma frase em espanhol e terminar em inglês ou em enrolês. No fim, a gente sempre encontra um jeito de se comunicar! Se tiver sorte, ainda encontra alguém que fale a sua língua. Conheci uma porto-riquenha que sabe falar português e ficamos conversando por um tempo. Como é bom saber que não vou errar nenhuma conjugação verbal!

Aqui sempre tem bastante coisa pra fazer e é difícil ficar em frente ao computador por muito tempo… ainda tenho algumas coisas pra contar, mas vai ficar pra um próximo post ;))

Saludos!

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Para compartilhar os bons momentos!

Hola cariños!

Bem vindos ao nosso diário de bordo! Somos duas amigas queridas que se encontraram no curso de jornalismo da UFSC e que em breve estarão em terras espanholas para realizar o tão sonhado intercâmbio (Dani em Pontevedra e Mi em Madrid). Resolvemos aproveitar a amizade e o país de acolhida em comum para dividir nossas experiências de viagens. Toda lembrança que couber numa mala ou num álbum de fotografias cabe aqui também! Novos lugares, amizades, curiosidades, perrengues, reflexões. Esperamos que essa experiência proporcione tudo isso e que possamos compartilhar com nossos colegas que estão perto ou longe.

Saludos,

Daniela e Milena

Dani e Mi

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