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Baiona, a primeira cidade que soube da América

Com a intenção de conhecer o maior número de festas típicas da Espanha, fui para Baiona, uma micro cidade, colada com Vigo, na Galícia. Nos dias 3 e 4 de março a cidade comemora o aniversário da chegada da caravela “Pinta”, depois de Cristóvão Colombo ter descoberto a América. Foi a primeira cidade a saber da existência do “novo mundo”.


A “Fiesta de la Arribada” é considerada de interesse turístico nacional na Espanha

Em 2012, Baiona comemorou o 519º aniversário da “arribada” da caravela, comandada por Martín Alonzo Pinzón. Durante os dois dias, a cidade recupera todo o clima do séc. XV: cavaleiros, navegantes, trovadores, mendigos, artistas, todos vestidos de época e atuando como se estivessem na Idade Média. A maioria dos visitantes também se empolga e se arruma com trajes medievais (como em várias outras festas tradicionais da Europa).

Um amigo meu já tinha comentado: “Pô, você tá na Europa, no velho continente, tem que entrar no clima né?”. Antes de ir pra Baiona eu realmente nunca tinha sentido que estava numa cidade tão velha e antiga. Faz MUITO sentido a cidade abrigar uma festa desse tipo.

Cheguei com enjoo na cidade, já que as chicas mexicanas queriam ir de barco. Teria sido uma ótima ideia se não tivesse tão frio e o mar não tivesse tão revolto. Uma hora no barco com frio e com ânsia. Mas a sensação de se transportar pro clima medieval e as inúmeras barraquinhas de comida diferente-apetitosa-exótica compensaram muito.

A galera entra no clima medieval…

Las chicas mexicanas

Na “praia”, assistimos a uma competição de cavalheiros, ao voo de aves antigas treinadas (na verdade fiquei com dó delas, muito pomposas e lindas pra serem domadas), e a uma encenação que reproduzia a chegada da caravela a Baiona. É claro que colocaram umas atrizes representando as índias “desnudas” da América. Apesar da excessiva dramatização, foi bem interessante. Um jeito mais leve de reavivar a História!

Competição dos (lindos) cavaleiros

Clica aí pra sentir o clima da festa:  Competição de Cavaleiros e vídeo de apresentação da Arribada

Encenação da chegada da caravela de Colombo anunciando a descoberta da América

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Arranhando francês em Paris…

Confesso que Paris não estava na lista de prioridades entre as cidades pra conhecer aqui na Europa. A intenção era ir pro Marrocos, mas como o voo pra lá estava caro, fui buscando outras opções e não tive como negar um voo pra capital francesa por 25 euros, saindo de Porto. Seria a primeira cidade entre os vinte dias de viagem em época de férias da faculdade. Dessa vez não fui com a Mi, pois ela já havia conhecido Paris com seus pais, e sim com outra amiga brasileira, que é de Fortaleza e também estava de intercâmbio aqui em Pontevedra. Como sempre, aqui vão os destaques dessa viagem:

01/06: Chegamos de Ryanair no início da tarde, e acabamos conseguindo uma carona até o centro de Paris com uma funcionária do próprio aeroporto, num trajeto que levou mais de uma hora. Conversamos em inglês e ela já nos ensinava a arranhar algo em francês. Na verdade, Thais e eu contribuímos com 5 euros cada uma com a moça, já que ela tinha sido muito receptiva e com o longo trajeto, ela devia ter gastado boa parte do combustível. Fomos encontrar o nosso “anfitrião”, já que fizemos Couchsurfing, tanto pra economizar dinheiro quanto pra ter dicas não tão turísticas de Paris. Era a nossa primeira experiência oficial nesse esquema. O apartamento era pequeno, num distrito um pouco longe do centro da cidade, mas tinha um sofá-cama bem confortável pra nós duas. E o Didier, que nos recebeu, foi um amor de pessoa, nos deixou à vontade e nos ensinou palavras básicas em francês, pra não fazer tão feio em Paris, onde falar inglês parece pecado.

No primeiro dia, ainda perdidas pela cidade, não fizemos muita coisa: fomos até a Catedral de Notre Dame, vimos uma das famosas pontes com cadeados dos apaixonados e andamos pelas ruas sem rumo.

Casais apaixonados prendem o cadeado na ponte e jogam a chave no Rio Sena…Ao fundo, a catedral de Notre Dame.

Notre Dame, catedral de estilo gótico – construção finalizada em 1345

02/06- Palácio de Versalhes: para nossa felicidade, a entrada era livre para estudantes da União Europeia. Não tem como não se deslumbrar com tanto detalhe, luxo e pompa na época de uma França pré-revolucionária. Como fica nos subúrbios de Paris, é preciso pegar um trem pra chegar lá, são uns 30 minutos de viagem. No trem, pra variar, encontramos brasileiros, e uma guria (muito inteligente pros seus 19 anos, por sinal), que estava de intercâmbio em Paris, nos deu várias dicas pra conhecer a cidade.

O palácio foi finalizado em 1664, durante o governo de Luis XIV, como centro do absolutismo francês. Em 1837, foi transformado em museu. Além do Salão dos Espelhos e das inúmeras obras e decorações com ouro, os quartos merecem particular atenção:

O quarto da rainha da França, onde dormiram MariaTeresa de Espanha, esposa de Luís XIV, Maria Leszczynska, esposa de Luís XV e Maria Antonieta, esposa de Luís XVI

O humilde quarto do rei…

Salão dos Espelhos, com 17 espelhos enormes em um lado. Do outro, a vista é para os jardins do palácio.

Como fazia um dia lindo e não havíamos pagado para entrar no palácio, resolvemos conhecer também os jardins de Versalhes. Pagamos por volta de 6 euros e para nossa sorte, estava havendo um “show das fontes”: as fontes de água estavam ativas e com música clássica pra dar um climão mais pomposo ainda.

Com Thais nos jardins do Palácio de Versalhes. Dia lindo, de calor e muita caminhada!

Gastamos quase um dia inteiro pra conhecer o palácio. No fim da tarde, hora de pausa: seguindo a dica da brasileira que encontramos no trem, fomos para uma mesquita (não é a famosa Grande Mesquita de Paris), onde provamos o chá árabe, apesar do calor que fazia.

Delicioso chá de hortelã por 2 euros:)

Seguimos para a basílica Sacre Coeur (tradução: Sagrado Coração), símbolo do bairro Monte Martre, que é um charme de lugar pelos seus cafés, restaurantes e claro, está sempre entupido de turistas. Além da beleza da construção, o mais legal é poder observar Paris do alto, já que a basílica está localizada no topo de Monte Martre. Para chegar lá, enfrentamos boas escadarias, já que não quisemos pagaro bondinho que levava até lá.

Sacre Coeur, de arquitetura romana e bizantina

Seguimos para o Moulin Rouge (“Moinho Vermelho”), e no caminho passamos por engraçados e inusitados sex-shops. Aquilo sim, mereceria ser chamado “Red Light District”, e só faltavam prostitutas nas vitrines pra competir com Amsterdã. Não tínhamos dinheiro para pagar os inacreditáveis 150 euros para os espetáculos que a casa oferecia, então nos limitamos a admirar as luzes vermelhas e tirar fotos, é claro, como super turistas.

Moulin Rouge, na baixada de Monte Martre

03/06: Dia de trocar de casa,ainda com Couchsurfing, fomos para a casa de uma brasileira. Ficaríamos o restante da nossa estadia em Paris lá. Dessa vez, o apartamento era mais bem localizado, perto do centro e tivemos uma cama de casal super confortável pra nós duas. Aproveitamos para entrar na Internet e acertar os detalhes das próximas viagens. A Thais, depois de Paris, iria para Itália, fazer um curso de italiano intensivo de verão. Eu ainda teria mais quatro cidades de mochilão pela frente. No fim de tarde, fomos aos Jardins de Luxemburgo, espécie de jardim-parque muito charmoso, com prédios do governo e espaços pra esportes. Vimos vários casais apaixonados lá. Também pudera, o lugar é super romântico.

Jardins de Luxemburgo

À noite, resolvemos nos dar o direito de comer bem, e deixar pra lá lanchinhos e crepes. Nosso corpo estava pedindo comida. Achamos um restaurante no bairro St. Germain (dica da nossa anfitriã brasileira) com menu de jantar por 12 euros: entrada+ prato principal+ sobremesa. Segui a dica do nosso anfitrião Didier e pedi isso:

Beef Bourguignon, prato típico francês. É tipo uma alcatra com molho bem consistente e batatas. Aprovado, mas nada espetacular!

4/6 – Mais momentos “super tourists”: Arco do Triunfo, Champs Élysees, e Louvre. Não pagamos pra entrar no Louvre, graças à nossa carterinha de estudante “Erasmus”, que comprova que estamos estudando na União Europeia. Lá dentro havia muita gente, o que estressava um pouco e impedia a contemplação dos quadros. Vimos o essencial, e nem preciso dizer que tentar ver a Mona Lisa é piada. O que dá pra ver é um monte de turista amontoado tirando foto do quadro. Gostei bastante da coleção de arte egípcia e a parte engraçada da visita ficou por conta deste quadro:

5/6 – Nosso último dia em Paris, fomos ao Museu d´Orsay, vizinho ao Louvre e onde funcionava uma antiga estação ferroviária. Também entramos de graça com nossa carteirinha de estudante. O museu tem uma coleção incrível de impressionismo. Pra mim, os destaques foram para as obras de Monet e Van Gogh (depois concluiria que não seria nada comparado ao Museu do Van Gogh em Amsterdã). O melhor momento, pra mim, foi ter visto o autorretrato de Van Gogh. Depois, seguimos para o Montmartre de novo, onde havia uma exposição temporária de Salvador Dalí. Pagamos seis euros, e foi muito válido. Bem contextualizado e com obras que realmente justificam o adjetivo de surreais.

“Space Venus”: representação de mensagens opostas – o relógio-símblo de Dalí representa a temporalidade e finitude da beleza, e ao mesmo tempo a eternidade da arte; as formigas fazem lembrar da impermanência e da mortalidade humana, enquanto o ovo representa vida, renovação, continuidade e futuro.

O mais óbvio de Paris deixamos para o último dia: a Torre Eiffel. Acabamos não subindo na torre, porque a fila estava enorme, não tínhamos muito tempo e também não estávamos dispostas a pagar 10 euros pra esperar no frio e no vento. Na volta, passamos pela livraria Shakespeare and Company, que acaba sendo charmosa por ter um aspecto de velha e desorganizada. Na verdade, serve mais como biblioteca e espaço “cult” do que como uma livraria. Vale a pena conhecer!

Eu segui para pegar minhas malas e para passar mais uma noite no aeroporto, já que meu voo para o próximo destino, Berlim, seria às seis e meia da manhã (voar de low-cost é isso, ter esses horários maravilhosos de voo). A Thais partiiu pra Itália no dia seguinte, pra começar seu curso de italiano em Florença. Assim foi a nossa visita à cidade-luz!

Minha dica final é: aprenda palavras básicas em francês, como bom dia, obrigado, por favor, desculpe, porque pelo menos em Paris os franceses não costumam ser muito simpáticos em dar informação se você já chega logo de primeira falando inglês. Agora se eles sentem que você está ao menos tentando falar francês, eles abrem um sorrisinho e te ajudam, seja com mímica, seja com inglês com sotaque.

No próximo post, Milena e eu falaremos de nossa viagem pra Berlim! Aguardem!

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Ótimas paisagens e personagens em Lisboa

Aproveitando o dia festivo (17 de maio) na Galícia, dia das letras galegas, e o final das provas da Milena, planejamos a viagem para Lisboa, de 17 a 22 de maio. E é claro, depois de ficarmos encantadas com Porto, ganhamos mais curiosidade ainda pra conhecer a capital portuguesa. Preparadas pra entender o português falado com a boca fechada e pra encontrar em cada esquina compatriotas brazucas.

Eu fui de ônibus, saindo de Vigo, com uma amiga mexicana. A Mi foi de avião, e seu voo ainda foi remarcado, por causa de uma greve dos controladores de voo em Portugal. Mas conseguiu chegar no mesmo dia que nós, e desfrutamos de pescado e sardinha com direito a uma dose de vinho do porto, que foi presente do garçom que nos conquistou nas ruas turísticas de Lisboa.

Ficamos no Yes Lisbon Hostel, da mesma rede daquele que ficamos em Porto. Excelente, bem localizado, com gente bonita, animada, com um caprichadíssimo café da manhã e com cozinha bem equipada, tudo por 15 euros a diária, em média. Recomendamos!

Nosso quarto no Yes Lisbon Hostel. Tinha até cortina em cada cama pra dar mais privacidade;) Abaixo das camas, cada um tinha um gavetão com cadeado pra guardar as malas.

(Mi): À noite, enquanto Dani e Sosi descansavam no hostel, aproveitei para conhecer um pouco da noite de Lisboa com uma menina americana que eu conheci no ônibus e que ficou no mesmo hostel que a gente. Fomos convencidas a seguir a turma do pub crawl depois que cinco canadenses resolveram sair pra festa vestidos em um macacão com a bandeira do Canadá dos pés à cabeça. Risadas garantidas.  

Aqui vão os destaques da nossa viagem:

19/05: Cascais: uma cidade-balneário a 20 minutos de trem de Lisboa, com praias de água estupidamente claras, que faziam degradê com o céu e a areina fina. Foi destino de veraneio da aristocracia europeia no começo do século XX. Visitamos o Farol de Santa Marta, de onde se tem uma vista incrível. Também fomos à Boca do Inferno, uma enome gruta esculpida pelos fortes ventos do Atlântico. Visitamos, ainda, o Museu Conde de Castro Guimarães, onde se tem uma ideia de como a aristocracia vivia na virada do século XIX para o XX, já que várias salas foram conservadas exatamente como deixaram seus últimos residentes.

Boca do Inferno, em Cascais – pedras esculpidas pelo vento e pela água, que é incrivelmente azul

Canal em Cascais, a caminho para a Boca do Inferno

Estoril: praia “burguesa”. Menos chamativa pela praia do que Cascais, Estoril se destaca pelas mansões, pelos campos de golfe e pelo seu Casino. Dá pra chegar caminhando pela orla saindo de Cascais. Apenas contemplamos um pouco o mar, já que nossa pele pedia urgentemente uma sombra (o sol resolveu nos ajudar nesse dia).

No caminho entre Cascais e Estoril, havia uma exposição temporária de esculturas contemporâneas e interativas…Essa era a melhor!

Estoril, a praia burguesa

À noite, já em Lisboa, fomos ao Castelo de S. Jorge. Esperamos até às 20h30 para entrar de graça. Antes disso, é 4 euros para estudantes. O Castelo sofreu com vários terremotos e por isso o que se vê hoje é fruto de uma grande restauração. A vista para a cidade e para o Tejo é incrível!

No Castelo de São Jorge, onde se tem uma vista maravilhosa pro rio Tejo. À esquerda, Sosi, nossa amiga mexicana

Anoitecer no Castelo de São Jorge

20/05: Walking tour: Repetimos o que fizemos em Porto:seguimos uma guia não oficial, com ligação com o nosso hostel, pra conhecer melhor os detalhes e curiosidades de Lisboa. O ritmo da guia era mais para um running tour, mas no conjunto valeu muito a pena. Além dos pontos turísticos básicos, ela nos levou até a Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa, de influência árabe na arquitetura. Já se podiam notar os preparativos para a festa dos Santos Populares, durante o mês de junho, e a festa mais badalada acontece na noite do dia 12, dia de Santo Antônio (sim, o santo casamenteiro).

Em uma das paradas do free walking tour, a guia nos mostrou essa arte de rua e nos explicou sobre a música típica de Portugal, o fado.

Descobrimos com a nossa guia que em 1775 houve um terremoto seguido de tsunami que destruiu praticamente toda a Lisboa e causou a morte de mais de 100 mil pessoas. Alguns geógrafos estimam que o sismo atingiu os 11 graus na escala Ritcher (a última tragédia a que vimos no Japão foi causada por um sismo de 8,9 graus). Depois do caos, a capital portuguesa foi rapidamente reconstruída, principalmente devido ao trabalho de Marquês de Pombal, que instituiu ruas mais largas, prédios uniformes, redes de esgoto e construções mais resistentes.

Nesse mesmo dia visitamos o Museu de Design de Moda,  o Museu do Fado e o Museu Militar. No Museu do Fado, tivemos a oportunidade de escutar a uma apresentação ao vivo de um grupo desse estilo musical. Em termos de tradição histórica, costumam dizer que o flamenco está para a Espanha assim como o fado está para Portugal. Costuma ter uma expressão triste, melancólica, e claro, de saudade. A entonação da voz é dramática, e é acompanhada pela guitarra portuguesa e pelo violão. Eu, particularmente, ainda fico com o flamenco, talvez porque tenha maior percussão e porque não me parece tão triste quanto o fado. (Milena:) Gostei justamente por causa das cordas. Com exceção da voz, o fado me lembrou um pouco o choro brasileiro. E nem todas as músicas são tristes. Ouvi essa no museu que achei uma gracinha:

“Gosto de tudo que é teu”

No Museu do Fado, há uma sala especial para ouvir diferentes cantores e dá pra chegar a conclusão se você gosta ou não do estilo.

À noite, passeamos pelo bairro alto de Lisboa, cheio de bares e jovens bebendo cervejas na rua. Também cheio de homens oferecendo drogas, das mais variadas: haxixe, maconha, e até…viagra, na maior cara de pau. Mas não se animem! Nos avisaram que essas drogas fáceis são todas falsas, só pra enganar turista. Encontramos um bar onde uma banda brasileira estava tocando, e claro, aproveitamos pra matar a saudade. Só que deu mais saudade ainda, especialmente da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Não fomos para nenhuma balada, pois no dia seguinte tínhamos de acordar bem cedo…

Na volta para casa, dois portugueses vieram conversar com a gente. Talvez porque estávamos falando alto e cantando músicas brasileiras pela rua. Nos ensinaram algumas gírias lisboetas e a diferença entre os sotaques do norte e do sul. Depois nos acompanharam até o hostel. O rapaz até tentou pedir os contatos da Dani e convidá-la para um café, mas ela não deu abertura…

20/05: Domingo é dia de museu livre até às 14h em Lisboa. Fomos para Belém (uns 20 min de Lisboa, em trem) com intenções bem claras: visitar o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém,  e comer o tão comentado pastel de Belém. A Torre de Belém foi construída no século XVI, serviu como fortaleza e como ponto de partida para as viagens da época dos descobrimentos. Hoje, pros turistas, o que interessa mesmo é a vista que se tem do Rio Tejo, através das fachadas e varandas da torre.

Torre de Belém ao fundo. Nesse dia enfrentamos muito frio, vento e chuva.

O Mosteiro dos Jerônimos também foi construído no século XVI, e tem em sua decoração forte influência dos temas marítimos, devido à época dos descobrimentos. Foi obra encomendada pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado das Índias. Junto ao mosteiro, há uma igreja onde estão as tumbas de Luís Vaz de Camões e do próprio Vasco da Gama.

Interior do Mosteiro dos Jerônimos

Em Belém, também se encontra o Padrão dos Descobrimentos, monumento em formato de caravela com esculturas que se projetam em direção ao Rio Tejo. A riqueza de detalhes e a grandiosidade da obra surpreendem.

Padrão dos Descobrimentos

Pra repor as energias, fomos até a autêntica loja e fábrica dos Pastéis de Belém, onde desde 1837 até hoje se preserva o segredo da receita do doce, que teve origem nos conventos próximos ao Mosteiro dos Jerônimos. É fácil localizar a loja, basta ver turistas acumulados embaixo de um toldo azul, todos loucos para saborear o pastelzinho. Se parece na aparência com a nata, doce que pode ser encontrado em qualquer rua, mas o gosto é definitivamente diferente. Não tem jeito, só provando mesmo pra conseguir entender. Queria muito levar alguns pasteis pra familia e amigos, mas o doce depois de dois dias já não fica bom pra comer, pois é à base de ovos.

Os autênticos e deliciosos pasteis de Belém. É tipo Bis, você come um só pra ficar com vontade de comer o próximo.

Hard Rock Café: pela primeira vez, Milena e eu visitamos o famoso museu-restaurante. Desde Londres e Veneza que queríamos conhecê-lo, mas ou não tínhamos tempo ou não queríamos gastar muito. Mas, dessa vez, a minha colega mexicana Sosipater, lá de Pontevedra, nos levou até lá. Seu pai é fã louco pelos Hard Rocks e havia lhe pedido para que visitasse tantos quantos fossem possível na Europa. E assim Sosi está cumprindo a promessa. Experiência interessante: o clima é descontraído, há opções variadas de comida (um pouco caras pro bolso de estudante) e peças interessantes relacionadas à história ou à atualidade musical.

Durante esses dois dias, estivemos na companhia de um coreano que arranhava umas frases em inglês e demorava cinco minutos para entender cada palavra nossa. O Opá, como é chamado em terras ocidentais, vai viajar sozinho por dois meses pela Europa. Ele estava no mesmo quarto que a gente e o convidamos para ir a Cascais e Belém conosco. Para agradecer, ele fez questão de pagar os nachos que comemos no Hard Rock Café e nos deu uma lata de comida coreana muito suspeita.

O presente do coreano…a lata, fechada, até que parecia apetitosa…

Fizemos questão de provar (sem a presença dele, é claro). A iguaria que, diz ele, é apreciada pelas crianças coreanas, são pupas com gosto de camarão embebidas em uma água suja. Não passamos da primeira larvinha. O resto deixamos na prateleira de “free food” da geladeira do hostel, para quem quisesse se aventurar…

Mas depois de abrir, só o cheiro era insuportável. A intenção do coreano foi ótima, mas não tivemos coragem, nem paladar, pra prosseguir com as larvinhas…

21/05 Reservamos a segunda-feira, quando a maioria dos museus fecha, para visitar Sintra. Mesmo esquema de Cascais e Estoril: trem por 2,05 euros, 30 minutos e felicidade garantida. Depois de uma tentativa infrutífera de chegar ao Castelo dos Mouros a pé ou de carona, pegamos o ônibus que faz a rota até o Castelo e o Palácio da Pena. (Alguém precisa explicar aos portugueses que quando a gente estica o dedão pra pedir carona eles tem que parar, e não dar tchauzinho!)

Parte do Castelo dos Mouros, que remonta aos tempos de D. Afondo Henriques, primeiro rei de Portugal.

Palácio da Pena, onde predomina o estilo romântico do séc. XIX. Depois da Proclamação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu.

Durante nossos dias em Lisboa, fizemos lanchinhos que comemos ao longo do dia para economizar grana e poupar tempo. Por isso, nada de fotos de grandes pratos de comida nesse post, infelizmente. No entanto, tivemos a experiência única a de almoçar em um jardim de Cascais, dentro da Torre de Belém e no Castelo dos Mouros. O lado ruim: não aguentamos mais ver pão, peito de peru, cenoura, tomate.

Os “bocadillos” que salvaram nossa fome, nosso bolso e nosso tempo de turistas empolgadas

Na nossa última noite, conhecemos um brasileiro engraçadíssimo, que tinha acabado de chegar de Porto. Foi pra lá de carro alugado com uma turma de brasileiros depois que o vôo deles foi cancelado. De lá, todos foram para Lisboa. Uma das brasileiras, inclusive, estudou na mesma escola que eu em Campinas, veja que mundo pequeno!

Resolvemos aproveitar todos juntos a nossa última noite na cidade conversando rindo e se surpreendendo com as figuras inusitadas das ruas de Lisboa, como o cara que achou que éramos sua pequena plateia e começou a improvisar uma performance teatral…

Fim da nossa viagem, a Dani voltou pra Pontevedra cheia de provas pra fazer e pouco tempo pra atualizar o blog.


Dica final: Nesse site: http://www.lisbonlux.com dá pra encontrar várias dicas de lugares, museus e atrações pra conhecer. Tá bem atualizado e contextualizado!

Saludos!

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“Ou eu vou pra Madrid…”

Aproveitando o feriado do dia do Trabalho, 1 de maio, fui à Madrid, pois não poderia deixar de conhecê-la, né? Fiquei hospedada na casa da Mi, que foi uma guia para mim, pois me mostrou os principais turísticos e claro, me ajudou em tudo. Por azar, acho que levei a chuva incessante da Galicia para a capital espanhola, que costuma ser sempre ensolarada e seca. Choveu em quase todos os dias que fiquei lá, menos, é claro, no dia da partida.

A obrigatória foto com o urso símbolo da cidade

A Mi fez um tour turístico comigo: me mostrou a Plaza Mayor, a Plaza de Toros (gigante, por sinal!), o Mercado de San Miguel (uma loucura aquilo, dá vontade de comprar tudo!), o Palácio Real, a Plaza de España (com estátuas de Don Quijote e Sancho VillaPanza), a Puerta del Sol (onde há vários artistas de ruas, dos mais criativos aos mais bizarros, e onde costumam ocorrer os grandes protestos), o Parque do Retiro, imenso, o templo egípcio de Debod, construído há 2200 anos. Quase tudo debaixo de chuva, frio e vento…Destaco aqui alguns passeios:

Fomos ao Museu Reina Sofia, ao qual a Mi ainda não tinha ido, e fomos direto às obras de Mirot, Salvador Dali, Picasso e Goya. A grande atração do museu é a Guernica, que atualmente está em fase de estudos – várias câmeras passam pela tela, e pesquisadores estudam cada detalhe da obra. Achei um espaço minúsculo entre o turbilhão de visitantes que apreciavam a obra e fiquei ali admirando por um tempo. Era bem do jeito que eu a imaginava…mas confesso que apesar da indiscutível importância artística e histórica da obra, ela não é uma das minhas preferidas.

Plaza Mayor

Plaza de Toros (levei a chuva da Galicia pra Madrid…)

Almoço caseiro: arroz com brócolis, tortilla de batatas e salada de alface com kani

No domingo, fomos ao Mercado do Rastro, uma grande feira que funciona aos domingos, com barracas ao ar livre onde se vende quase tudo que se possa imaginar – de roupas a objetos antigos. Não resisti e comprei uma saia, uma bolsa, uma meia-calça e um cachecol (esse alaranjado que você vê nessa foto de cima), tudo por 17 euros. A Mi estava certa quando disse que eu ia gostar do Mercado do Rastro…eu adorei!

Debaixo de chuva, enfrentamos uma fila enorme para conhecer o estádio Santiago Barnabéu, do Real Madrid. A visita, com preço salgado de 16 euros, é bem paga: se pode conhecer quase tudo: sala de troféus, museu do clube, com uniformes e objetos históricos, a vista panorâmica do estádio, a área do banco de reservas (os bancos são incrivelmente confortáveis…) e até os vestiários. O estádio é fenomenal! E ficamos na vontade de assistir a uma partida nele!

A Mi, muito paciente, foi pela terceira vez ao Museu do Prado, para que eu o conhecesse. Lá, por uma questão de otimizar tempo (e também porque chega uma hora da viagem que você foge de museu, é fato…), fomos direto ao que me interessava: obras de Goya, com destaque para La maja desnuda, Los fusilamientos de 3 de mayo, Saturno devorando a sus hijosEl coloso, La familia de Carlos IV , Velásquez (fiquei emocionada de ver pessoalmente As meninas de Velásquez) e Rembrandt. Havia vários outros clássicos, esculturas a perder de vista e infinitas pinturas sacras.

Na vista panorâmica do estádio do Real Madrid

Vestiário: imagine isso na concentração…ou se preferir, depois do jogo…

Olha o que encontramos no museu Reina Sofia…

E pra não dizer que não fui pra balada em Madrid, a Mi me levou em duas boates, a Shoko e a Moon Dance – entramos de graça com as pulserinhas que os promoters distribuem nas ruas. Na Moon Dance, dançamos muito electrolatino, fugimos de alguns caras sem noção e nos divertimos muito.

Voltei a Pontevedra de ônibus (porque era o meio mais barato no feriado), e aproveitei um pouco das 8 horas e meia de viagem pra estudar espanhol. Foi mais uma viagem incrível, com a companhia da Milena, a quem mais uma vez agradeço pela hospitalidade e por ser ter sido minha guia em Madrid:) Mi, te dedico esta canção (clica aqui!).hehe

Nossa próxima viagem juntas é pra Lisboa, aguarde…

Saludos!

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Romance, moda e…pizza!

Aqui continua nosso relato das viagens da Semana Santa, agora é a vez da Itália!

03/04 e 04/04 – Veneza: Que charme de cidade!

Aí sim, passamos frio, muito mais que em Londres! E pra piorar, o tempo não colaborou com o clima romântico da cidade: choveu horrores. Demos lucro para os ambulantes que vendiam guarda-chuva e capas. Ficamos num camping, o “Camping Rialto“, onde a gente teria rido alto não fosse o frio. Era muito bonitinho de dia, mas congelante pela noite, e sem calefação. Só pra ter uma ideia, a Mi teve de dormir com duas meia-calças, legging flanelada, calça jeans, blusa de pijama, casaco fino e casaco pesado. Eu, com meu pijama flanelado, duas meias, sobretudo (que levei pensando em Londres), cachecol e a coberta dobrada em dois. Acertamos na escolha do “hostel-camping” pelo conforto das camas…mas teríamos acertado mais se fosse verão.

Nosso chalé no "Camping Rialto", bonitinho, barato, confortável, e...frio!

Nossas camas, um paraíso comparadas com as do hostel de Londres

Fizemos um Venice Card – fica a dica – , um abono de transporte, já que o nosso camping ficava fora do centro de Veneza, “do outro lado da ponte”, e pra economizar nos transportes. Usamos o transporte público, que é…o barco (vaporetto), obviamente. Funciona como se fosse um metrô, com paradas e baldeações. Como a gente não tava em lua-de-mel, e o dinheiro era pra pizza e massa, não passeamos nas gôndolas. É charmoso, mas não deve valer os 30 euros ou mais por pessoa. Se você chega cheio de malas e seu hotel está em algum dos inúmeros canais, uma opção pode ser o táxi…que é uma gôndola menos enfeitada.

O "vaporetto", transporte público em Veneza

Pontos turísticos a destacar: Piazza de San Marco (não confie muito nas placas, elas te fazem andar em labirinto, e quando você chega lá, não sabe se desvia dos turistas ou dos pombos); Dodge Palace; Museu Histórico Naval; Ponte Rialto; passeio de barco pelo Gran Canale; igrejas e basílicas, com destaque para a Santa Maria della Salute. Também pode ser interessante visitar as ilhas próximas ao centro de Veneza, como Murano, famosa pelas obras em vidro. Não conseguimos visitar o Museu do Vidro,

mas com certeza valerá a pena!

Interior do Palácio Ducale, que já foi residência oficial de duques e sede do governo

Basílica de São Marcos: uma mescla dos estilos bizantino e gótico

Ainda que não seja carnaval, as máscaras estão lá, seduzindo os turistas…

E que pizza!

E de comida, muita pizza, macarrão, lasanha…e claro, o sorvete italiano, delicioso!

05/04 – Verona, a cidade de Romeu e Julieta!

Fomos de trem de Veneza a Verona, onde fazia um dia com clima super agradável, e incrivelmente, o sol resolveu aparecer um pouco. Essa viagem era pra completar o trajeto romântico, já que eu e a Mi somos praticamente um casal: planejando viagem juntas, fazendo contas e dívidas, dormindo no mesmo quarto…hehe!

Nossa primeira parada foi a Arena de Verona, que diz a Mi que é bem parecida com o Coliseu de Roma (e que eu espero ainda conhecer!). Os guias e wikipedias da vida dizem que ela é mais antiga que o Coliseu: estima-se que foi construída no séc I d.C.

Arena de Verona: dizem que é é terceiro maior teatro romano da Itália

A arena está ativa: ficamos imaginando como seria perfeito ver um espetáculo aí!

Seguimos o trajeto turístico e visitamos a Casa de Julieta. Em frente, há uma escultura da Julieta, e dizem que se você quiser ter sorte no amor tem de passar as mãos no lado direito dos peitos da pobre. Dá pra sentir que a galera tá meio no desespero, porque os peitos dela já estão brancos de tanta gente abusar dela.

Nas paredes da Casa de Julieta, há um turbilhão de mensagens de amor dos enamorados e...chicletes

Na sacada da casa de Julieta: "Romeu, meu querido amor..."

A Mi e eu até tentamos, mas a fila e o tumulto eram grandes. Se ao menos fosse pra passar a mão no Romeu, né? Na Casa de Julieta, há um museu, todo ambientado na época em que a famosa história de amor (e convenhamos, forçada, não?), e claro, com a sacada de onde ela via Romeu. Dizem os historiadores que essa realmente foi a casa de Julieta por causa de um brasão que encontraram em um chapéu de sua família, a Família Capuleto. Também é possível ver a casa do Romeu, mas só por fora, já que hoje é “propriedade privada”.

Também fomos à tumba de Julieta, mas o ambiente não tinha uma energia muito boa…era muito escuro, fedido e meio macabro. Mas tá aí a pobre da Julieta:

Tumba da Julieta

No fim da tarde, estávamos andando meio perdidas até que descobrimos um castelo-fortaleza, o Castel Vecchio (Castelo Velho) construído no século XIV pela família Scaglieri, só pra se proteger dos inimigos mesmo. O castelo é lindo, tem o charme da arquitetura medieval e uma visão magnífica para o rio Adige, o sexto maior da Itália.

Castel Vecchio, quando São Pedro já dava o ar da sua graça

Visão de fim de tarde no Castel Vecchio. Esse é o rio Ádige.

À noite, comemos mais massa, pra variar…e voltamos para descansar..desta vez ficamos num lugar quente, confortável, novo, enfim, um “esquema-patrão”. Era o bed and breakfast La Magnolia, muito bem localizado, bem pertinho da estação de trem, com café da manhã incluído e numa casa relativamente chique.

Acertamos na escolha! Bed and breakfast num "esquema-patrão"!

06/04 e 07/04 – Milão: moda, marcas e…nada demais

Fomos novamente de trem de Verona a Milão, onde ficamos no Hotel Brivio, que chamavam de hotel, mas que não o era nem de longe. Não recomendamos: quarto frio, não aceitam cartão, há um cachorro na recepção (!) e o banheiro alaga durante o banho. O que salvava era a localização, já que ficava perto de uma estação de metrô e relativamente próximo do centro da cidade.

Nosso primeiro ponto foi visitar um Museu da Moda, mas que deixou muito a desejar. Não havia nada de história da Moda, só algumas e poucas peças de roupas descontextualizadas e vários quadros. Andamos pela cidade, e enquanto em Veneza e Verona o colorido ficava por conta das paisagens charmosas, em Milão o colorido é das vitrines de marcas famosas e de gente elegante nas ruas. Continuamos andando, e descobrimos a Piazza Duomo, talvez o ponto turístico mais importante, já que nela está a Catedral Duomo, a maior catedral gótica da Itália:

Catedral Duomo, que começou a ser construída no séc. XIV. Tem 2245 estátuas nos seus detalhes.

Logo em frente à praça, fica a Galeria Victorio Emanuelle II, assim nomeada para homenagear o primeiro rei da Itália unificada. Na galeria estão lojas de marcas famosas internacionalmente (Louis Vutton, Prada, Gucci e todas aquelas que você nem olha as vitrines pra não tomar um susto com os preços).

Interior da Galeria Victorio Emanuelle II, um "shopping" de marcas famosas (e caras)

No domingo, fomos empolgadas para conhecer o estádio do Milan, mas… chegamos lá e não estava aberto pra visitas, pois era dia de jogo, contra o Valencia, por 30 euros. Não estávamos dispostas a pagar isso e além do mais, esperar duas horas pro jogo começar. Contemplamos de longe o estádio e fomos à caça de museus… A maioria (dos poucos do que há em Milão) estavam fechados. Conseguimos visitar o Museu de História Natural, bem interessante e bem projetado, já que há simulações bem verossímeis de habitáts em diversas partes do mundo, inclusive do Pantanal e da Amazônia brasileira.

Andamos mais um pouquinho e descobrimos um parque lindo, onde estava havendo um evento que parecia uma festa junina – comida, música e brinquedos pras crianças. Delícia de lugar! Aproveitamos pra repor as energias, claro, com sobremesa:

Que roupas que nada! Nosso tipo de consumo é outro!

Mais à noite, fomos conhecer o bairro Navigli,pelo qual havíamos passado depressa no dia anterior, com vários bares, restaurantes e bem estiloso. Lá há um canal que nos fez lembrar Veneza. Parece que é um dos lugares badalados de vida noturna, frequentado principalmente por jovens. Se não fosse domingo, não estivesse frio e São Pedro estivesse de bem conosco, teríamos ficado pra sentir como era a noite ali. Mas voltamos pro nosso quase hotel pra recolher nossas mochilas e partir pro aeroporto….a viagem da Semana Santa estava chegando ao fim:(

Bairro Navigli, conhecido pela agitada vida noturna

No aeroporto de Milão, nos preparando para a volta...e para fazer nossas mochilas caberem na caixa da Ryanair....

Uma dica final: na Itália em vários estabelecimentos, inclusive nos hostels, não aceitam cartão de crédito/débito, o que nos fez gastar em cash, o que não foi legal. E se prepare pra ter o valor certinho pra pagar o hostel, eles costumam, incrivelmente, não ter troco.

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Londres é amável assim…

Nossa primeira viagem da Semana Santa: Londres!
Decidimos fazer um resumo dia-a-dia, com os perrengues , os prazeres e algumas dicas pra aproveitar a cidade. Ficamos cinco dias, mas que valeram por muito mais!

28/03 – Chegada em Londres. Milena saiu de Madrid, e eu saí de Porto, em Portugal. Chegamos em Londres à noite. Nosso hostel era o Surprise Backpackers, no centro, bem pertinho da London Eye. Antes, quando o escolhemos, brincamos: “tomara que não tenhamos nenhuma surpresa…”. Apesar do ambiente um pouco alternativo (o hostel era ao mesmo tempo um bar), do clima extrovertido do lugar e da boa calefação, nossa surpresa foi com a cama: consegúiamos sentir os “ferros” do colchão, e isso não foi nada legal. Pagamos 100 euros por 5 noites, e tínhamos café da manhã.

Encontramos uma réplica da nossa cama no British Museum. Era assim que a gente se sentia:

Nosso colchão era mais ou menos assim...

29/03 – Dia de sol, veranito, e nada de fog londrino como esperávamos.
Fizemos a pé grande parte do circuito histórico-turístico: Big Ben e o Parlamento, a London Eye, uma roda gigante que fica às margens do rio Tâmisa (o Thames para os londrinos) de onde dá pra ver toda a cidade de cima; a revolução completa da roda demora 30 minutos. Vale a pena pagar as 20 libras! Também passamos Catedral de Westminter, mas não entramos porque não estava no horário de visitas. Se você quiser entrar no prédio sem pagar entrada, pode assitir à missa das 17h.

Vista de cima de Londres dentro da London Eye

Dia lindo de sol e o Big Ben ao fundo

Também visitamos o Palácio de Buckingham – a casa da rainha-, por fora é claro, e pudemos ver os guardas da realeza marchando dura e metodicamente, o que é um tanto engraçado.

Palácio de Buckingham

Também passeamos por parques, como o Green Park, visitamos o Victoria and Albert Museum, que tinha entrada livre. À noite, fomos ao bairro do Picadilly Circus, famosa pelo comércio, pelos restaurantes e pela estátua de Eros. De lá descemos a pé até a Trafalgar Square, que tem esse nome por causa da Batalha de Trafalgar, em 1805, na qual o famoso almirante Nelson venceu as tropas francesas e espanholas.

No movimentado Picadilly Circus, atrás a estátua de Eros e a galera que se amontoa pra comer, descansar, ou só ver...

Trafalgar Square

30/03

Pela manhã, visitamos com um audioguia à St. Paul´s Cathedral . Pagamos 13,50 libras. A igreja é de estilo anglicano, e é onde aconteceu o casamento da princesa Diana. A atual  igreja é resultado de uma construção depois de 1666, pois nesse ano houve um grande incêndio em Londres e a antiga St. Paul´s foi quase toda destruída.  A obra , do arquiteto Sir Christopher Wren, terminou em 1710. Na cripta da catedral, estão as tumbas de alguns herois britânicos, como o almirante Nelson, o duque de Weillington e do próprio arquiteto Christopher Wren. Muita história, beleza e encanto na St. Paul´s Cathedral, vale a pena visitar!

Depois de um almoço de sopa japonesa, fomos visitar a Torre de Londres. Pagamos 17,60 libras. Se você for a Londres e não visitá-la, vai deixar de saber e reviver muuuito da história britânica, de seus personagens e detalhes. A Torre já foi castelo, palácio, prisão, arsenal, tesouro das joias reais e até lugar de execução. Atrações de destaque: exposição das joias da rainha; as inscrições preservadas dos antigos prisioneiros, as armaduras e instrumentos de guerra usadas pelos reis, e materiais e história da Segunda Guerra Mundial. Da Torre de Londres, dá pra ver a Tower Bridge, e a paisagem é incrível.

Na Torre de Londres, com a Tower Bridge ao fundo

Na Torre de Londres, a armadura mais alta do mundo, com 2,057m, segundo o Guinness World Records.

Após repor as energias com um subway por 3 libras, fomos à National Portrait Gallery – aproveitamos que o museu ficava aberto até à noite e que a entrada era livre. A galeria foi fundada em 1856, e dá pra fazer um tour cronológico pelos retratos, acompanhando os rostinhos das realezas.

Quem tem talento tem...prática de desenho na National Portrait Gallery

Hora do prazer: comemos muuito bem na rede de restaurantes Garfunkel´s, no bairro Picadilly Circuis. Vale pela decoração do ambiente e a diversidade de pratos, de vários lugares do mundo. A faixa de preço dos pratos comuns varia de 10 a 15 libras, e é bem servido!

Garfunkel´s Restaurant: prato da Mi e o meu; comer bem pelo menos uma vez ao dia faz parte das nossas viagens;)

Com energia reposta, fomos à loja do M & M´s, (os confetes de chocolate!) no Picadilly Circus. Entramos mais por curiosidade, e por mais infantil que isso possa parecer, nos impressionamos com a loja – uma variedade enorme de produtos da marca. A loja é super fofa, se estiver de bobeira vale a pena entrar (e garanto que você não sai de lá com pelo menos um saquinho com confetes de cores diferentes!)

Na loja do M&M´s no Picaddily Circus

Hora do prazer 2: beber cerveja num pub londrino! Encontramos uns colegas da Mi e fomos até o bairro Soho, acessível a pé saindo do Picadilly Circus, e degustamos da maravilhosa Guinness! Comentário sobre Soho que não está nos guias: é um bairro inferninho, com casas com “show-dancers”, sex shop e letreiros vermelhos espalhafatosos. Bem interessante pro público gay e pra simpatizantes.

Em um pub no bairro Soho, degustando de uma Guinness;)

31/03
Frio, muito frio e dia cinzento!
Fomos pela manhã ao Old Spitafield´s Market, que tinha entrada livre. É como se fosse um brechó, de coisas vintage.  Mapas, óculos, roupas, joias, discos, rádios, enfim, tudo com aquele clima “velho-charmoso”. Milena e eu não resistimos e saímos cada uma de lá com um vestido de verão, que não temos esperança de usá-los nesse freezer europeu.
Almoçamos maravilhosamente bem no restaurante Giraffe´s, nesse mercado mesmo:

Nossa comida mexicana, eram como canelones picantes com salada de abacate

Como queríamos ir a lugar fechado, pra fugir do frio, fomos ao Museu de História Natural – entrada livre, mas te motivam a doar 1 libra pelo mapa do museu (e sim, ele é muito útil pra escolher prioridades de visita e pra não se perder), e como em vários outros museus, há caixas para quem quiser contribuir e jogar seus euros aí( não foi o nosso caso, obviamente).  Como já esperávamos, há uma grande parte do museu dedicada aos dinossauros – seus esqueletos, seu modo de vida…confesso que eu não tenho muita paciência nem gosto pra isso. Mas o museu também conta com uma infinidade de “amostras” de espécies animais e vegetais de todos os continentes. Até eu, que “não sou muito dos animais”, como diz a Milena, gostei bastante.

No Natural History Museum, com um dos inúmeros esqueletos de dinossauro

Logo depois, fomos ao Science Museum. Fica bem pertinho do de História Natural e também tinha entrada livre. Atrações de destaque: inventos de figuras como Thomas Edison, os estudos de DNA de Watson e Crick, o protótipo do computador da Apollo 10, as máquinas que tornaram a Revolução Industrial possível, os aviões usados na Segunda Guerra Mundial, o primeiro protótipo de um carro Ford, e a parte dedicada à história dos avanços da medicina.

À noite, fizemos um PUB CRAWL! Escolhemos o Canden Pub Crawl, que era divulgado pelo nosso hostel. Pagamos 15 libras, com direito a camiseta, 4 bares com shots livres e uma balada no fim da noite. Valeu muito a pena, conhecemos um bairro alternativo, frequentado não tanto por turistas, mas pelos próprios londrinos, e fomos a bares que não saberíamos da existência se não fosse o pub crawl. A balada estava muito boa! Pra mim seria melhor se tivesse mais música eletrônica, mas de todo modo nos divertimos horrores! Voltamos por volta das seis da manhã, com os ônibus 24horas que salvam a vida dos boêmios!

Canden Pub Crawl, pubs, bares e uma super balada!

01/03
Pela manhã, fomos ao British Museum. Foi fundado em 1756 e tem uma coleção surreal de antiguidades. Atrações de destaque: esculturas gregas,  arte egípcia, algumas múmias preservadas e bom estado até hoje, arte oriental, instrumentos de povos que vivem nos extremos norte e sul, para adaptarem-se ao frio intenso.

Pela tarde, fomos ao Madame Tussaud´s, o museu onde há vários famosos retratados em tamanho e características reais, em cera. Pagamos 18 libras, o preço normal é mais caro, mas havíamos comprado um “combo” quando compramos os bilhetes pra London Eye, então nos saiu mais barato. O nome do atual museu vem da Madame Tussaud, que começou a sua carreira nos fins do século XVII fazendo máscaras em cera para as vítimas da guilhotina, e se mudou para Londres em 1835. A verossimilhança dos bonecos com os famosos, políticos e celebridades é incrível!
Uma das atrações que mais me encantou no Madame Tussaud´s foi o passeio em um carrinho que imitava um táxi e que te levava cronologicamente pra diversas épocas da Inglaterra, com destaque pra Revolução Industrial.

Loucura, loucura - Madame Tussaud´s

Saindo do museu, fomos à Baker Street, a famosa rua do Sherlock Holmes. Infelizmente, o museu de Sherlock Holmes já estava fechado. Fomos descansar um pouco no Regent´s Park, grandioso, com patos e muito verde, como a maioria dos parques londrinos que visitamos.

Na estação de metrô Baker Street, onde ainda parece que vive Sherlock Holmes

02/03
Último dia em Londres! Pela manhã, fomos ao Museu do Sherlock Holmes, que é uma casa adaptada à época e ao estilo descritos pelo autor Conan Doyle. Pagamos 6 libras. Apesar de nem eu nem a Mi conhecermos muito sobre Sherlock Holmes, valeu a visita só por conhecer uma casa da época vitoriana.

No Museu do Sherlock Holmes, com o simpático guarda;)

Ao lado do Museu do Sherlock Holmes, há uma loja oficial dos Beatles, toda dedicada ao grupo. Compramos umas lembrancinhas pra nossos amigos beatlemaníacos e aproveitando o clima, fomos conhecer a Abbey Road. A rua não tem nada de espetacular, é estreita e ainda tem a famosa faixa de pedestres. O legal da Abbey Road é o muro do antigo estúdio dos Beatles, e ainda hoje em funcionamento, onde todos os turistas assinam, rabiscam, deixam recado. Juntamos nossa marca às tantas outras também de brasileiros.

Mi causando na Abbey Road

Pela tarde, fomos ao Tate Britain, outro museu enorme de Londres. Estava havendo uma exposição muito interessante sobre o Romantismo, comparando as pinturas de Turner (que eu adoro!) com outros artistas contemporâneos a ele. Ficaríamos mais no museu, mas a situação do meu tênis estava lastimável: fazia dias que a sola havia descolado, mas estava insistindo em usá-lo. Como no dia seguinte íamos pra Veneza, a Mi sugeriu que procurássemos um sapato decente pra continuar a viagem….

Seguimos o conselho do guia para compras e fomos até o bairro Harrold’s…só depois entendemos o que o guia queria dizer com “centro de compras internacional”. Isso queria dizer marcas caras, um prédio luxuoso onde certamente não encontraria um tênis barato e confortável pra uma simples estudante mochileira. Achamos uma loja H & M no bairro (tipo Renner no Brasil), e acabei encontrando um tênis tipo keds por 14 libras.  O tênis estragado teve de ir pro lixo, porque não haveria solução e não caberia em uma mochila de quem viaja com a Ryanair!

Passeamos pelo Hyde Park e alugamos uma bicicleta pra passear no parque, vale a pena! Por 30 min, vc paga 2 libras pra retirar a bike das estações de aluguel, mas não paga nada pelo passeio. É a melhor maneira de economizar tempo e de divertir-se pelo parque, onde há ciclocias e é bem seguro andar por aí!

Passeio pelo Hyde Park de bike;)

Tínhamos até umas 11 horas para passear pela cidade, até pegarmos nossas mochilas no hostel e o ônibus para o aeroporto de Stansted, que ficava a 1 hora que Londres (viajar de low cost é descer em aeroportos muito distantes do centro da cidade!). Passeamos um pouco pelo bairro-inferninho Soho, a fim de beber uma cerveja. Acabamos sendo atraídas para um bar onde uma banda tocava jazz e blues. Nada melhor pra terminar nossa viagem 🙂

Despedindo do nosso querido hostel... e das camas com ferros!

Voltamos para o hostel perto da meia noite. Deu tempo de tomarmos um banho, fazer amizade com outros viajantes e ficar conversando até a hora no nosso ônibus, às 2h30. Essa é a parte boa do hostel. A ruim é pensar que a gente conhece (e vai continuar conhecendo) um monte de gente legal durante as viagens que dificilmente teremos oportunidade de rever…

Compramos lanches e comida para levarmos até o aeroporto, onde ficamos da 1h até às 6h30, quando partiu nosso avião rumo à Veneza. Cochilamos, comemos, e deixamos nossas mochilas magrinhas pra mais um voo na Ryanair…
No próximo post, nossos dois dias em Veneza!

E aqui abaixo, vão nossas dicas pra aproveitar melhor Londres:

1)Consiga um hostel em boa localização, perto de estações de metrô ou no centro.
2) Se você tem o cartão Visa Travel Money, não troque os euros pos libras no aeroporto. A taxa de comissão é cara (de 4 euros pra cima pra uns 100 euros, por exemplo), então compensa sacar diretamente nos caixas eletrônicos, pois o saque vem direto em libras e a taxa será só de 2,50 euros, do Visa Travel Money.
3) Fique atento aos horários de check in do hostel. Chegamos perto da meia noite, por sorte, mas ficamos sabendo que chegaram outros hóspedes depois desse horário e ficaram sem ter onde dormir, porque o pessoal do hostel tinha ido embora.
4) Para se locomover em Londres, é imprescindível pegar metrô. Se você vai ficar 3 dias ou mais na cidade, compensa, e muito, comprar o Oyster Card, que é como um abono de transporte e lhe dá direito todos os metrôs e ônibus, quando e quanto quiser pelo período que você escolher.
5) Compre um guia que além dos pontos turísticos, também tenha o horário de funcionamento dos museus e das atrações, e que tenha o mapa do metrô da cidade. Compramos um no aeroporto, pagamos 6 libras e valeu muito a pena. Londres é enorme, com o guia dá pra colocar prioridades!
6) O horário de trabalho em Londres acaba às 17h30. É o horário em que os metrôs ficam lotados, e de maior movimentação.
7) Se você quer comer bem, sem se arriscar muito nos pratos típicos e pagar relativamente barato, prefira os restaurantes italianos, eles têm um bom custo-benefício para os padrões caros de Londres.

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Cádiz e Sevilha – por Dani

Dia 22 de fevereiro, quarta-feira, semana quase sem aulas por conta de dias festivos e carnaval. Como planejado, a Mi chegou de trem de Madrid até Cádiz, e eu peguei avião de Santiago da Compostela até Sevilha, e daí fui de trem até Cádiz. Fui de Ryanair, e todo o processo de viajar de voos de baixo custo tem o seu perrengue, mas isso rende outro post outro dia.

Em Cádiz, ficamos no apartamento da Luisa Nucada, nossa amiga do Jornalismo da UFSC que está de intercâmbio lá. A Mi e eu adoramos o veranito, andamos pelas ruas sem blusa, curtindo um sol maravilhoso. Conhecemos os inúmeros parques e praias de Cádiz, subimos à torre da Catedral, onde dá pra ver toda a cidade, com destaque para o mar, claro, e para os terraços charmosos das casas. E aproveitamos a noite, é claro. A Nucada nos apresentou mais duas brasileiras, e uma francesa que é sua companheira de apartamento (tão caliente ou até mais quanto as brasileiras…), e fomos conhecer o carnaval de Cádiz. À parte de pessoas fazendo xixi nas ruas, em todos os cantos possíveis, foi tudo muito divertido. Pessoas fantasiadas, artistas independentes animando a galera, e claro, as chirigotas, que são pequenos grupos de cantores que satirizam, divertem ou simplesmente chamam a atenção de quem passa.

Terraço da casa da Nucada. Curtindo um sol e o verãozito da Andaluzia!

Brasileiras em Cádiz! Nucada (nossa guia), Milena e eu no passeio marítimo.
Em ritmo de carnaval...

Em ritmo de carnaval...

Uma das "chirigotas", grupos de cantores pelas ruas durante o carnaval

Visão da torre da Catedral de Cádiz

Dia 24, dia de ir a Sevilha, a capital andaluza. Quase duas horas de trem, e mais calor, que delícia. Ficamos procurando por quase uma hora nosso hostel, que ficava numa rua estreita e escondida, mas em ótima localização (graças às dicas da nossa colega Marina, que ficou de intercâmbio na cidade no ano passado). Nós nos demos o direito de almoçar bem, num dos inúmeros restaurantes charmosos do centro velho de Sevilha.

Nosso almoço: paella, salada, pescado, "tinto de verano" e de sobremesa, um flan delicioso!

Energia reposta, fomos descobrir um pouco da cidade. Vimos a Catedral de Sevilha, de estilo gótico (bonita, mas pra mim nada supera a de Santiago da Compostela), visitamos a Torre de Oro, onde há um Museu do mar e onde se pode subir pra contemplar do alto a cidade. Passamos pelos inúmeros e grandiosos parques, e como quem não quer nada, entramos na Universidade de Sevilha, só pra conhecer mesmo, e descobrimos uma exposição de arte bem curiosa.

Catedral de Sevilha, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. A construção da catedral começou no início do séc. XV. É onde se encontram o corpo de Cristóvão Colombo e do rei Fernando III de Castela.

Ao fundo, a Torre de Oro, construída no séc. XIII e onde fica o Museu Marítimo de Sevilha

Topo da Torre de Oro. Ao fundo, o rio Guadalquivir. A torre tem esse nome por causa dos desaparecidos azulejos dourados durante a época muçulmana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pra finalizar o dia, colocamos como meta conhecer a “Plaza España” de Sevilha. Como em quase toda cidade espanhola há uma praça Espanha, não custa ver como era a da capital andaluza né? Depois de erros no caminho, viradas de mapa e muita caminhada, chegamos. E COMO VALEU A PENA! Aquilo sim, parecia verdadeiramente uma praça da Espanha, enorme, com catedral, palácio antigo, representação em ladrilhos das principais cidades espanholas, ESTUPENDO! Um lugar que nos fez pensar: “se morássemos em Sevilha, com certeza voltaríamos lá mais vezes…pra ler, descansar, pensar na vida…ou simplesmente apreciar toda essa beleza…”.

Catedral na Praça da Espanha

Nossas máquinas não conseguiram captar a beleza e a grandiosidade da Praça da Espanha em Sevilha.

À noite fomos migrando de bar em bar na região sugerida pela recepcionista italiana do nosso hostel, mas queríamos dançar, uma balada mesmo. Acabamos parando numa balada tipo El Divino em Floripa, por 8 euros cada, com direito a uma consumação. Música eletrônica, pop, um pouco de tudo. Foi a primeira balada boa que peguei desde que cheguei aqui na Espanha. Com a vantagem de estar com uma amiga brasileira sem frescura, do lugar ser bem bacana, e digamos, do público bonito do lugar (mulheres, vocês me entendem…), foi uma noite e tanto. Dançamos horrores, e só fomos embora às 6h porque ainda tínhamos um dia de turista pela frente. Bem aproveitado.

Na tarde do dia seguinte, o destaque do nosso passeio foi conhecer a Plaza de Toros de Sevilha, com uma visita guiada, onde descobrimos como funciona a corrida dos touros e toda a história dessa tradição.

Interior da "Plaza de Toros". A partir de abril começam as corridas e os espetáculos.

A capa de cor vermelha que leva o toureiro é apenas uma questão de tradição, já que o touro não identifica outras cores senão o preto e o branco.

Cabeça real da mãe de um touro que matou a um toureiro. É assim que se fazia: matavam a pobre da mãe do touro quando este matava um toureiro. Era pra que ela não tivesse mais "filhos assassinos". Mas, como a Mi bem observou, não matam a mãe do toureiro se ele mata o touro, né?

Olha como começa a oração do toureiro...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À noite, assistimos a uma apresentação de flamenco tradicional, com canções do século XVIII. Ritmo incrível dos dançarinos e de todo o grupo, ficamos fascinadas, de boca aberta. Os dançarinos dramatizavam uma história de amor impossível entre uma sapateada e outra.

Show de flamenco tradicional, pensado pra turista mesmo.

No domingo pela manhã, 26 de fevereiro, foi dia de regressar à rotina, com a ideia na cabeça de que cada céntimo de euro por essas viagens valeu a pena, e levando essa energia andaluza inigualável em nossa bagagem. E claro, levamos também a vontade de fazermos mais viagens juntas. Que venha a semana santa! (nosso destino é Londres, Veneza e Milão, torçam por nós!).

SALUDOS!

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“Como assim, vocês não jogam o papel na privada?”

(Já to postando de casa, agora já tenho internet:)))

Nessa semana começaram as aulas de espanhol para os estrangeiros. Começamos a discutir sobre os costumes de cada país, e os conceitos pré-formados com os quais a maioria vem pra Espanha (país dos toureiros, de gente falante e animada, das tortillas, da sesta…). Daí veio a questão do “lixo do banheiro”. Comentei com a professora que achei estranho não ter lixo no banheiro do apartamento em que vivo e por isso havia comprado um para jogar os papéis depois de fazer 1 ou 2, como é natural no Brasil. Apesar da cara estranha dos meus companheiros de apê, ninguém me impediu de fazê-lo.

A professora de espanhol fez uma cara de nojo e asco, que me assustei. “Como, vocês ficam guardando o papel com m…. e só depois jogam?”. Disse que senão fizéssemos isso, entupia tudo, e ela me aconselhou a tentar entrar na vibe do costume europeu e jogar tudo na privada mesmo, porque é mais higiênico, assim vai tudo pro ralo de uma vez. Então ta né? Depois de muuuitas risadas na sala, e da cara de asco também das colegas francesa e alemã após meu relato, cheguei em casa e tirei o lixo do banheiro, e agora já consigo jogar o papel higiênico usado na privada sem tanta culpa. Mas se rolar entupimento, aí não quero nem saber!!! Estranhamentos à parte, eu agora não acho nem nojento, nem normal. Nos primeiros dias, acho que como quase todo estrangeiro em terra estranha, a tendência é reclamar e achar exótico tudo que sai do nosso padrão. Agora to deixando de achar “estranho” ou “exótico”, pior ou melhor, só acho diferente.

Carnaval em Xinzo de Limia
Aqui também é carnaval como no Brasil, nessa semana praticamente não tenho aula por conta disso. No sábado, 18,  fui com uma excursão dos Erasmus a Xinzo de Limia, um povoado da cidade de Ourense, terceira maior e mais povoada da comunidade da Galícia. Fica a umas duas horas de ônibus daqui de Pontevedra. Acompanhamos o carnaval de rua de lá, com marchinhas, e com o pessoal fantasiado mesmo, tudo muito elaborado. Algumas famílias iam com seus filhos com todas as fantasias iguais, um capricho só. Além das músicas típicas, tocou (e muito), é claro, AI SE EU TE PEGO. O mais engraçado é ouvir o pessoal cantando na maior empolgação e com um sotaque, digamos, beeem diferente, ainda que a maioria não sabe o que significa. Demorei um tempo a explicar pras colegas mexicanas o que era a expressão “Nossa”, “Delícia”, e “Ai se eu te pego”, e elas acharam tudo o máximo.

Uma das paradas pra ouvir músicas típicas, e claro, AI SE EU TE PEGO

Com qual ninja você quer lutar?

Já que todo mundo aqui acha que sou chinesa, japonesa, coreana, enfim, resolvi entrar no clima e comprei uma fantasia de ninja, com direito a faixa no cabelo com bandeira do Japão, espada, tudo! Foi bem divertido! Apesar de eu achar que carnaval combina muito mais com calor, verão e com o clima latino, digamos, foi bem diferente e divertido. Nesses dias foi um carnaval mais tradicional e familiar (como disse a Mi aqui, o clima de micareta e suas consequências é totalmente improvável).

A cada "disfraze" criativo, pedíamos pra tirar uma foto;)

“De Ourinhos para Ourense…”
Visitamos no domingo as termas de Ourense, onde saem águas quentes de forma natural, e são consideradas terapêuticas, medicinais. Me banhei em algumas em que a água atingia uns 60º C. Algumas meninas francesas, italianas e inglesas ficaram com vergonha e nojinho, o que não acontece com as brasileiras, obviamente. Em compensação, havia várias espanholas mais velhas fazendo topless na maior liberdade.

As meninas mexicanas nas termas (antes de perceber que não se pode tirar foto!)

Foi a primeira experiência de viajar em excursão com outros intercambistas, dividir quarto com mais outras 11 pessoas e comer café da manhã em que se espera esquentar o leite. Foi divertido, mas já deu pra notar que se for viajar de turma grande assim, tem que ter paciência (esperar todo mundo chegar, todo mundo sair, todo mundo se arrumar, todo mundo comer) e seguir o roteiro pré-estabelecido. Viajar sozinho ou em poucos nesse aspecto é melhor: as decisões e os passeios são mais rápidos, e você mesmo faz o caminho e tem o tempo pra sentir a energia do lugar. No fim, tem que fazer de tudo né? Sozinho, acompanhado, em turma, dizer SIM e entrar no clima.

Viagem com uma galeeeraaa tem suas vantagens e seus perrengues...

Na quarta-feira, a Mi e eu vamos nos encontrar, e finalmente, viajaremos juntas. Vamos passar uns dias em Cádiz, onde encontraremos a brasileiríssima Luisa Nucada, e depois seguiremos para Sevilha. Qué pasemos bien!

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Domingo dá saudade!

Hoje é domingo, não to viajando e como todo domingo pra mim, bate mais saudade da família e de quem amo. Pra distrair um pouco, venho aqui atualizar nosso diário de bordo!
Essa semana foi de resolver as burocracias da universidade e de realizar pagamentos. Taxa de matrícula, taxa pra fazer musculação, o aluguel do mês…Finalmente, a partir de amanhã já volto a malhar e a desenferrujar, depois de quase um mês sem pegar peso, só gastando calorias andando pelas cidades. Também já me matriculei nas disciplinas, e os documentos assinados pelos responsáveis aqui da Universidade de Vigo devem estar à caminho da UFSC, assim espero.

Um dos parques onde se tem a sensaçao de que o tempo para

A saga pela internet…
O maior perrengue da semana foi não ter conseguido comprar o modem de Internet pra por no meu notebook. Fiz até uma conta espanhola no Santander, porque me disseram que assim eu conseguiria comprar o dispositivo. Mas voltei e não consegui comprar, porque tinha de ter o D.N.I. ou documento válido na Europa já que não haveria contrato. Falei então com a proprietária do apartamento em que estou, dizendo que tinha a intenção de me mudar pra outro com Internet, já que o rolo era tão grande. Ela, muito solícita, disse que vai tentar comprar pra mim, no nome dela, daí eu transfiro a quantia a cada mês pra sua conta. Vamos ver…. Enquanto isso, já to brother do cara da lan house perto de casa.

Com Ana Nuñez, colega estadounidense, em A Coruña

Ainda sem festa boa
As festas mais badaladinhas começam super tarde aqui em Pontevedra, depois das duas da manhã. Já tentei ir em algumas organizadas pelo pessoal de intercâmbio Erasmus, mas não tive muita sorte. Lugares muito pequenos, pessoas insuportavelmente bêbadas e enfim, um sentimento de não-pertencimento.Hehe! Mas tenho me divertido nos bares, conversando com as colegas que fiz aqui – as mexicanas, e uma estadounidense -, com um bom (e barato) vinho, queijo e comidinhas típicas. Tenho comido muito ovo, tanto em casa quanto fora, já que quero provar todos os tipos diferentes de tortillas!

Ótimos pensamentos!

Limpeza
To num apartamento não muito novo, digamos. Tem parte da casa em que me pergunto por que ficou de tal jeito. O banheiro, por exemplo. Nessa semana comprei trapos, desinfetantes, limpadores multi uso e tentei dar um jeito, pelo menos nas partes em que mais uso. O mais estranho de limpar o chão é que por aqui não tem rodo – torcer o pano de chão com a mão, como a gente costuma fazer aí no Brasil, nem pensar. Como a Mi escreveu aqui esses dias, o “pano” são tiras de tecido já embutidas no cabo, e se torce no próprio balde. Pode parecer uma maravilha, prático e tal, mas me dá muita aflição, porque parece que não limpa de verdade. Sou bem mais uma mão na massa mesmo!

Viagens
No domingo passado, 5, fui com uma colega mexicana a Santiago da Compostela, uma hora de trem, ida e volta 10,00 euros. Ficamos o dia todo lá, conhecemos a magnífica, estupenda, indescritível Catedral, os conventos, a parte histórica da cidade, e os parques intermináveis. Fomos com o mapa na mão, sem roteiro certo. Foi bem produtivo, e conhecemos lugares em que “o tempo parece parar”, como bem disse a minha colega mexicana Samia.

Catedral de Santiago da Compostela

Ontem, sábado, 11, fui com mais três colegas a Coruña, também na Galícia, mais ao norte. Duas horas de trem, ida e volta 17,00 euros, com o desconto do Carnet Jóven, que fiz nessa semana e dá direito a descontos em passagens de trem, eventos culturais, museus…

Em A Coruña conhecemos a Torre de Hércules, o farol mais antigo ainda em funcionamento em todo o mundo. Foi construída no séc. II d.C e reformada no séc. XVIII. Fazia muito sol, apesar do frio, o que contribuiu muito pro nosso passeio. Como disse Ana, a colega estadounidense, “parece que estamos numa pintura”. Tiramos várias fotos e pareciam que tinham efeito de Photoshop, de tão perfeito tudo. Também fomos ao Aquarium Finisterrae, bem interativo, e ao Museu da Ciência, que tem um andar dedicado a Darwin e à evolução das espécies.

A Torre de Hércules, construída no séc. II d.C.

Não íamos comprar nada….mas uma loja nos seduziu com suas blusinhas a 3,00 euros e as calças a 4,00 euros. A coleção de inverno nova era mais cara, obviamente…mas no fim achei uma calça por 3,99 euros. Perfecto! Aliás, ta sendo uma tentação esse período de promoção (rebajas) aqui…é maravilhoso converter pra reais e ver que ainda assim fica barato. A missão é aguentar firme, economizar pra poder viajar mais e mais! Hehe Se também fosse assim com as frutas e outras coisas de comer, tava bão!

Ah, e dia 22 encontro a Mi em Cádiz. Vamos passar alguns dias do carnaval daqui lá, e depois em Sevilla. Pra curtirmos juntas e matar a saudade! Que venha loogo!

No Aquarium Finisterrae, em A Coruña - estupendo!

Saludos! (já menos frios que antes! Hehe)

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A gente se ajeita

 

Bom, pessoal, nesses dias conheci um montao de gente nova, de vários lugares do mundo. Mas em especial conheci um grupo de mexicanas, todas muito simpáticas e com quem realmente me senti envolvida nas conversas. Com elas conversei sobre os perrengues de intercambio, as angústias, os sonhos, as vontades, os gostos, os amores deixados no Brasil…Enfim, muito bom!

Bar Saudade, que fica no centro velho de Pontevedra e que me faz lembrar do Brasil

As mexicanas que me encantaram!

Ontem, sexta-feira, todos os intercambistas tiveram um encontro da universidade, para saber que cursos, esportes e viagens há pra aproveitar. Também fizemos o teste de nivelamento para o curso de espanhol. Achei a prova beem fácil, agora é esperar pra ver em que nível caio. Também conheci mais brasileiros, e almocei com um pessoal de Fortaleza e do Rio de Janeiro. Há uns dez brasileiros aqui… e nao é difícil encontrá-los por aí, sem querer.

Nessa semana também fui ao Museu de Pontevedra, onde tem muita coisa interessante, como a maquete da nau Santa María, de Cristóvao Colombo, e uma coleçao incrível de ouro e prata. Muuita história em pouco tempo.

Daniela Ramos, minha xará mexicana, no pátio do Museu de Pontevedra

Na Universidade, já decidi que disciplinas quero fazer: Animaçao, Teoria e Prática de Relaçoes Públicas e Teoria e Prática da Comunicaçao Televisiva. Assisti a outras disciplinas, uma muito parecida com Radiojornalismo da UFSC, mas com um nível mais raso, beem mais de principiantes mesmo. De segunda em diante entro pra valer nas aulas, faço as matrículas e começo, ojalá, a malhar (to ficando louca com esse frio e ainda sem fazer exercìcio físico!!.

Faculdade de Ciências Sociais e Comunicaçao, onde vou começar a estudar

Coisas estranhas
Bom, aqui o pessoal novo e universitário costuma sair nas quintas -feiras. O problema é que a festa de verdade começa umas tres horas da manha (em Floripa nessa hora já estao te expulsando do bar), e o frio nao ajuda muito a resistir até essa hora. Mas nas sextas também rola bares e baladinhas. Pois entáo fui eu conhecer. Primeiro fui ao Bar Saudade com as mexicanas, depois fomos de bar em bar no centro velho, e depois em uma boate de música eletronica, mas que tava muito vazia. O maravilhoso é que aqui nao te cobram pra entrar nas baladas, só consumaçao, increíble!

Daí vc descobre costumes de consumo um tanto diferentes. Nos bares, se vende calimocho, que é vinho misturado com coca-cola, e dizem que “sobe” rapidinho. haha! Outra coisa que pra espanhois, mexicanos é super normal é comer as pipas, que sao semente de girassois tostadas, que podem vir salgadas já. As mexicanas colocavam inteiras na boca, já os espanhois me disseram que tinha que tirar toda a casca pra comer só o de dentro, como se fosse comer pistache. Dá tanto trabalho que nao compensa, melhor pedir um amendoim e pronto.

Pipas - sementes de girassol que se comem como apertivos, com ou sem sal

À esquerda, calimocho, que é vinho com coca cola. A Heineken era minha, porque no me gustó o calimocho!

 

Bom, no mais estou planejando viagens e lugares a conhecer, pesquisando preços..pra otimizar o tempo! Milena e eu queremos conhecer Cádiz e Sevilha, e estamos planejando para o carnaval. Torçam por nós!

 

Abraços gelados!!!

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