Arranhando francês em Paris…

Confesso que Paris não estava na lista de prioridades entre as cidades pra conhecer aqui na Europa. A intenção era ir pro Marrocos, mas como o voo pra lá estava caro, fui buscando outras opções e não tive como negar um voo pra capital francesa por 25 euros, saindo de Porto. Seria a primeira cidade entre os vinte dias de viagem em época de férias da faculdade. Dessa vez não fui com a Mi, pois ela já havia conhecido Paris com seus pais, e sim com outra amiga brasileira, que é de Fortaleza e também estava de intercâmbio aqui em Pontevedra. Como sempre, aqui vão os destaques dessa viagem:

01/06: Chegamos de Ryanair no início da tarde, e acabamos conseguindo uma carona até o centro de Paris com uma funcionária do próprio aeroporto, num trajeto que levou mais de uma hora. Conversamos em inglês e ela já nos ensinava a arranhar algo em francês. Na verdade, Thais e eu contribuímos com 5 euros cada uma com a moça, já que ela tinha sido muito receptiva e com o longo trajeto, ela devia ter gastado boa parte do combustível. Fomos encontrar o nosso “anfitrião”, já que fizemos Couchsurfing, tanto pra economizar dinheiro quanto pra ter dicas não tão turísticas de Paris. Era a nossa primeira experiência oficial nesse esquema. O apartamento era pequeno, num distrito um pouco longe do centro da cidade, mas tinha um sofá-cama bem confortável pra nós duas. E o Didier, que nos recebeu, foi um amor de pessoa, nos deixou à vontade e nos ensinou palavras básicas em francês, pra não fazer tão feio em Paris, onde falar inglês parece pecado.

No primeiro dia, ainda perdidas pela cidade, não fizemos muita coisa: fomos até a Catedral de Notre Dame, vimos uma das famosas pontes com cadeados dos apaixonados e andamos pelas ruas sem rumo.

Casais apaixonados prendem o cadeado na ponte e jogam a chave no Rio Sena…Ao fundo, a catedral de Notre Dame.

Notre Dame, catedral de estilo gótico – construção finalizada em 1345

02/06- Palácio de Versalhes: para nossa felicidade, a entrada era livre para estudantes da União Europeia. Não tem como não se deslumbrar com tanto detalhe, luxo e pompa na época de uma França pré-revolucionária. Como fica nos subúrbios de Paris, é preciso pegar um trem pra chegar lá, são uns 30 minutos de viagem. No trem, pra variar, encontramos brasileiros, e uma guria (muito inteligente pros seus 19 anos, por sinal), que estava de intercâmbio em Paris, nos deu várias dicas pra conhecer a cidade.

O palácio foi finalizado em 1664, durante o governo de Luis XIV, como centro do absolutismo francês. Em 1837, foi transformado em museu. Além do Salão dos Espelhos e das inúmeras obras e decorações com ouro, os quartos merecem particular atenção:

O quarto da rainha da França, onde dormiram MariaTeresa de Espanha, esposa de Luís XIV, Maria Leszczynska, esposa de Luís XV e Maria Antonieta, esposa de Luís XVI

O humilde quarto do rei…

Salão dos Espelhos, com 17 espelhos enormes em um lado. Do outro, a vista é para os jardins do palácio.

Como fazia um dia lindo e não havíamos pagado para entrar no palácio, resolvemos conhecer também os jardins de Versalhes. Pagamos por volta de 6 euros e para nossa sorte, estava havendo um “show das fontes”: as fontes de água estavam ativas e com música clássica pra dar um climão mais pomposo ainda.

Com Thais nos jardins do Palácio de Versalhes. Dia lindo, de calor e muita caminhada!

Gastamos quase um dia inteiro pra conhecer o palácio. No fim da tarde, hora de pausa: seguindo a dica da brasileira que encontramos no trem, fomos para uma mesquita (não é a famosa Grande Mesquita de Paris), onde provamos o chá árabe, apesar do calor que fazia.

Delicioso chá de hortelã por 2 euros:)

Seguimos para a basílica Sacre Coeur (tradução: Sagrado Coração), símbolo do bairro Monte Martre, que é um charme de lugar pelos seus cafés, restaurantes e claro, está sempre entupido de turistas. Além da beleza da construção, o mais legal é poder observar Paris do alto, já que a basílica está localizada no topo de Monte Martre. Para chegar lá, enfrentamos boas escadarias, já que não quisemos pagaro bondinho que levava até lá.

Sacre Coeur, de arquitetura romana e bizantina

Seguimos para o Moulin Rouge (“Moinho Vermelho”), e no caminho passamos por engraçados e inusitados sex-shops. Aquilo sim, mereceria ser chamado “Red Light District”, e só faltavam prostitutas nas vitrines pra competir com Amsterdã. Não tínhamos dinheiro para pagar os inacreditáveis 150 euros para os espetáculos que a casa oferecia, então nos limitamos a admirar as luzes vermelhas e tirar fotos, é claro, como super turistas.

Moulin Rouge, na baixada de Monte Martre

03/06: Dia de trocar de casa,ainda com Couchsurfing, fomos para a casa de uma brasileira. Ficaríamos o restante da nossa estadia em Paris lá. Dessa vez, o apartamento era mais bem localizado, perto do centro e tivemos uma cama de casal super confortável pra nós duas. Aproveitamos para entrar na Internet e acertar os detalhes das próximas viagens. A Thais, depois de Paris, iria para Itália, fazer um curso de italiano intensivo de verão. Eu ainda teria mais quatro cidades de mochilão pela frente. No fim de tarde, fomos aos Jardins de Luxemburgo, espécie de jardim-parque muito charmoso, com prédios do governo e espaços pra esportes. Vimos vários casais apaixonados lá. Também pudera, o lugar é super romântico.

Jardins de Luxemburgo

À noite, resolvemos nos dar o direito de comer bem, e deixar pra lá lanchinhos e crepes. Nosso corpo estava pedindo comida. Achamos um restaurante no bairro St. Germain (dica da nossa anfitriã brasileira) com menu de jantar por 12 euros: entrada+ prato principal+ sobremesa. Segui a dica do nosso anfitrião Didier e pedi isso:

Beef Bourguignon, prato típico francês. É tipo uma alcatra com molho bem consistente e batatas. Aprovado, mas nada espetacular!

4/6 – Mais momentos “super tourists”: Arco do Triunfo, Champs Élysees, e Louvre. Não pagamos pra entrar no Louvre, graças à nossa carterinha de estudante “Erasmus”, que comprova que estamos estudando na União Europeia. Lá dentro havia muita gente, o que estressava um pouco e impedia a contemplação dos quadros. Vimos o essencial, e nem preciso dizer que tentar ver a Mona Lisa é piada. O que dá pra ver é um monte de turista amontoado tirando foto do quadro. Gostei bastante da coleção de arte egípcia e a parte engraçada da visita ficou por conta deste quadro:

5/6 – Nosso último dia em Paris, fomos ao Museu d´Orsay, vizinho ao Louvre e onde funcionava uma antiga estação ferroviária. Também entramos de graça com nossa carteirinha de estudante. O museu tem uma coleção incrível de impressionismo. Pra mim, os destaques foram para as obras de Monet e Van Gogh (depois concluiria que não seria nada comparado ao Museu do Van Gogh em Amsterdã). O melhor momento, pra mim, foi ter visto o autorretrato de Van Gogh. Depois, seguimos para o Montmartre de novo, onde havia uma exposição temporária de Salvador Dalí. Pagamos seis euros, e foi muito válido. Bem contextualizado e com obras que realmente justificam o adjetivo de surreais.

“Space Venus”: representação de mensagens opostas – o relógio-símblo de Dalí representa a temporalidade e finitude da beleza, e ao mesmo tempo a eternidade da arte; as formigas fazem lembrar da impermanência e da mortalidade humana, enquanto o ovo representa vida, renovação, continuidade e futuro.

O mais óbvio de Paris deixamos para o último dia: a Torre Eiffel. Acabamos não subindo na torre, porque a fila estava enorme, não tínhamos muito tempo e também não estávamos dispostas a pagar 10 euros pra esperar no frio e no vento. Na volta, passamos pela livraria Shakespeare and Company, que acaba sendo charmosa por ter um aspecto de velha e desorganizada. Na verdade, serve mais como biblioteca e espaço “cult” do que como uma livraria. Vale a pena conhecer!

Eu segui para pegar minhas malas e para passar mais uma noite no aeroporto, já que meu voo para o próximo destino, Berlim, seria às seis e meia da manhã (voar de low-cost é isso, ter esses horários maravilhosos de voo). A Thais partiiu pra Itália no dia seguinte, pra começar seu curso de italiano em Florença. Assim foi a nossa visita à cidade-luz!

Minha dica final é: aprenda palavras básicas em francês, como bom dia, obrigado, por favor, desculpe, porque pelo menos em Paris os franceses não costumam ser muito simpáticos em dar informação se você já chega logo de primeira falando inglês. Agora se eles sentem que você está ao menos tentando falar francês, eles abrem um sorrisinho e te ajudam, seja com mímica, seja com inglês com sotaque.

No próximo post, Milena e eu falaremos de nossa viagem pra Berlim! Aguardem!

Anúncios
Categorias: Uncategorized | 3 Comentários

Navegação de Posts

3 opiniões sobre “Arranhando francês em Paris…

  1. nem contou do episódio no restaurante, po!!! hahaha
    valeu, dani! vou ter que visitar o museu do van gogh depois, entao.
    bjs e até a próxima!

  2. VOcês poderiam passar o contato dessa brasileira em Paris e explicar como funcionam as passagens low-cost? Agradeceria muito.

    • daninakamura

      Olá, Lara!
      Não mantenho mais contato com essa nossa conhecida brasileira, e acredito que ela nem está mais em Paris.

      Quanto às viagens low-cost, basta você pesquisar nos sites das principais empresas aéreas de low cost (Ryanair, Easy Jet)..Dá pra comprar por cartão de crédito, débito, mas tem que ficar de olho no limite de peso e tamanho da bagagem. Se bobear, você pode pagar um preço extra, mais caro que o valor da própria passagem.

      Planejando com tempo, dá pra viajar com muito pouco com voos baratos 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: