Ótimas paisagens e personagens em Lisboa

Aproveitando o dia festivo (17 de maio) na Galícia, dia das letras galegas, e o final das provas da Milena, planejamos a viagem para Lisboa, de 17 a 22 de maio. E é claro, depois de ficarmos encantadas com Porto, ganhamos mais curiosidade ainda pra conhecer a capital portuguesa. Preparadas pra entender o português falado com a boca fechada e pra encontrar em cada esquina compatriotas brazucas.

Eu fui de ônibus, saindo de Vigo, com uma amiga mexicana. A Mi foi de avião, e seu voo ainda foi remarcado, por causa de uma greve dos controladores de voo em Portugal. Mas conseguiu chegar no mesmo dia que nós, e desfrutamos de pescado e sardinha com direito a uma dose de vinho do porto, que foi presente do garçom que nos conquistou nas ruas turísticas de Lisboa.

Ficamos no Yes Lisbon Hostel, da mesma rede daquele que ficamos em Porto. Excelente, bem localizado, com gente bonita, animada, com um caprichadíssimo café da manhã e com cozinha bem equipada, tudo por 15 euros a diária, em média. Recomendamos!

Nosso quarto no Yes Lisbon Hostel. Tinha até cortina em cada cama pra dar mais privacidade;) Abaixo das camas, cada um tinha um gavetão com cadeado pra guardar as malas.

(Mi): À noite, enquanto Dani e Sosi descansavam no hostel, aproveitei para conhecer um pouco da noite de Lisboa com uma menina americana que eu conheci no ônibus e que ficou no mesmo hostel que a gente. Fomos convencidas a seguir a turma do pub crawl depois que cinco canadenses resolveram sair pra festa vestidos em um macacão com a bandeira do Canadá dos pés à cabeça. Risadas garantidas.  

Aqui vão os destaques da nossa viagem:

19/05: Cascais: uma cidade-balneário a 20 minutos de trem de Lisboa, com praias de água estupidamente claras, que faziam degradê com o céu e a areina fina. Foi destino de veraneio da aristocracia europeia no começo do século XX. Visitamos o Farol de Santa Marta, de onde se tem uma vista incrível. Também fomos à Boca do Inferno, uma enome gruta esculpida pelos fortes ventos do Atlântico. Visitamos, ainda, o Museu Conde de Castro Guimarães, onde se tem uma ideia de como a aristocracia vivia na virada do século XIX para o XX, já que várias salas foram conservadas exatamente como deixaram seus últimos residentes.

Boca do Inferno, em Cascais – pedras esculpidas pelo vento e pela água, que é incrivelmente azul

Canal em Cascais, a caminho para a Boca do Inferno

Estoril: praia “burguesa”. Menos chamativa pela praia do que Cascais, Estoril se destaca pelas mansões, pelos campos de golfe e pelo seu Casino. Dá pra chegar caminhando pela orla saindo de Cascais. Apenas contemplamos um pouco o mar, já que nossa pele pedia urgentemente uma sombra (o sol resolveu nos ajudar nesse dia).

No caminho entre Cascais e Estoril, havia uma exposição temporária de esculturas contemporâneas e interativas…Essa era a melhor!

Estoril, a praia burguesa

À noite, já em Lisboa, fomos ao Castelo de S. Jorge. Esperamos até às 20h30 para entrar de graça. Antes disso, é 4 euros para estudantes. O Castelo sofreu com vários terremotos e por isso o que se vê hoje é fruto de uma grande restauração. A vista para a cidade e para o Tejo é incrível!

No Castelo de São Jorge, onde se tem uma vista maravilhosa pro rio Tejo. À esquerda, Sosi, nossa amiga mexicana

Anoitecer no Castelo de São Jorge

20/05: Walking tour: Repetimos o que fizemos em Porto:seguimos uma guia não oficial, com ligação com o nosso hostel, pra conhecer melhor os detalhes e curiosidades de Lisboa. O ritmo da guia era mais para um running tour, mas no conjunto valeu muito a pena. Além dos pontos turísticos básicos, ela nos levou até a Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa, de influência árabe na arquitetura. Já se podiam notar os preparativos para a festa dos Santos Populares, durante o mês de junho, e a festa mais badalada acontece na noite do dia 12, dia de Santo Antônio (sim, o santo casamenteiro).

Em uma das paradas do free walking tour, a guia nos mostrou essa arte de rua e nos explicou sobre a música típica de Portugal, o fado.

Descobrimos com a nossa guia que em 1775 houve um terremoto seguido de tsunami que destruiu praticamente toda a Lisboa e causou a morte de mais de 100 mil pessoas. Alguns geógrafos estimam que o sismo atingiu os 11 graus na escala Ritcher (a última tragédia a que vimos no Japão foi causada por um sismo de 8,9 graus). Depois do caos, a capital portuguesa foi rapidamente reconstruída, principalmente devido ao trabalho de Marquês de Pombal, que instituiu ruas mais largas, prédios uniformes, redes de esgoto e construções mais resistentes.

Nesse mesmo dia visitamos o Museu de Design de Moda,  o Museu do Fado e o Museu Militar. No Museu do Fado, tivemos a oportunidade de escutar a uma apresentação ao vivo de um grupo desse estilo musical. Em termos de tradição histórica, costumam dizer que o flamenco está para a Espanha assim como o fado está para Portugal. Costuma ter uma expressão triste, melancólica, e claro, de saudade. A entonação da voz é dramática, e é acompanhada pela guitarra portuguesa e pelo violão. Eu, particularmente, ainda fico com o flamenco, talvez porque tenha maior percussão e porque não me parece tão triste quanto o fado. (Milena:) Gostei justamente por causa das cordas. Com exceção da voz, o fado me lembrou um pouco o choro brasileiro. E nem todas as músicas são tristes. Ouvi essa no museu que achei uma gracinha:

“Gosto de tudo que é teu”

No Museu do Fado, há uma sala especial para ouvir diferentes cantores e dá pra chegar a conclusão se você gosta ou não do estilo.

À noite, passeamos pelo bairro alto de Lisboa, cheio de bares e jovens bebendo cervejas na rua. Também cheio de homens oferecendo drogas, das mais variadas: haxixe, maconha, e até…viagra, na maior cara de pau. Mas não se animem! Nos avisaram que essas drogas fáceis são todas falsas, só pra enganar turista. Encontramos um bar onde uma banda brasileira estava tocando, e claro, aproveitamos pra matar a saudade. Só que deu mais saudade ainda, especialmente da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Não fomos para nenhuma balada, pois no dia seguinte tínhamos de acordar bem cedo…

Na volta para casa, dois portugueses vieram conversar com a gente. Talvez porque estávamos falando alto e cantando músicas brasileiras pela rua. Nos ensinaram algumas gírias lisboetas e a diferença entre os sotaques do norte e do sul. Depois nos acompanharam até o hostel. O rapaz até tentou pedir os contatos da Dani e convidá-la para um café, mas ela não deu abertura…

20/05: Domingo é dia de museu livre até às 14h em Lisboa. Fomos para Belém (uns 20 min de Lisboa, em trem) com intenções bem claras: visitar o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém,  e comer o tão comentado pastel de Belém. A Torre de Belém foi construída no século XVI, serviu como fortaleza e como ponto de partida para as viagens da época dos descobrimentos. Hoje, pros turistas, o que interessa mesmo é a vista que se tem do Rio Tejo, através das fachadas e varandas da torre.

Torre de Belém ao fundo. Nesse dia enfrentamos muito frio, vento e chuva.

O Mosteiro dos Jerônimos também foi construído no século XVI, e tem em sua decoração forte influência dos temas marítimos, devido à época dos descobrimentos. Foi obra encomendada pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado das Índias. Junto ao mosteiro, há uma igreja onde estão as tumbas de Luís Vaz de Camões e do próprio Vasco da Gama.

Interior do Mosteiro dos Jerônimos

Em Belém, também se encontra o Padrão dos Descobrimentos, monumento em formato de caravela com esculturas que se projetam em direção ao Rio Tejo. A riqueza de detalhes e a grandiosidade da obra surpreendem.

Padrão dos Descobrimentos

Pra repor as energias, fomos até a autêntica loja e fábrica dos Pastéis de Belém, onde desde 1837 até hoje se preserva o segredo da receita do doce, que teve origem nos conventos próximos ao Mosteiro dos Jerônimos. É fácil localizar a loja, basta ver turistas acumulados embaixo de um toldo azul, todos loucos para saborear o pastelzinho. Se parece na aparência com a nata, doce que pode ser encontrado em qualquer rua, mas o gosto é definitivamente diferente. Não tem jeito, só provando mesmo pra conseguir entender. Queria muito levar alguns pasteis pra familia e amigos, mas o doce depois de dois dias já não fica bom pra comer, pois é à base de ovos.

Os autênticos e deliciosos pasteis de Belém. É tipo Bis, você come um só pra ficar com vontade de comer o próximo.

Hard Rock Café: pela primeira vez, Milena e eu visitamos o famoso museu-restaurante. Desde Londres e Veneza que queríamos conhecê-lo, mas ou não tínhamos tempo ou não queríamos gastar muito. Mas, dessa vez, a minha colega mexicana Sosipater, lá de Pontevedra, nos levou até lá. Seu pai é fã louco pelos Hard Rocks e havia lhe pedido para que visitasse tantos quantos fossem possível na Europa. E assim Sosi está cumprindo a promessa. Experiência interessante: o clima é descontraído, há opções variadas de comida (um pouco caras pro bolso de estudante) e peças interessantes relacionadas à história ou à atualidade musical.

Durante esses dois dias, estivemos na companhia de um coreano que arranhava umas frases em inglês e demorava cinco minutos para entender cada palavra nossa. O Opá, como é chamado em terras ocidentais, vai viajar sozinho por dois meses pela Europa. Ele estava no mesmo quarto que a gente e o convidamos para ir a Cascais e Belém conosco. Para agradecer, ele fez questão de pagar os nachos que comemos no Hard Rock Café e nos deu uma lata de comida coreana muito suspeita.

O presente do coreano…a lata, fechada, até que parecia apetitosa…

Fizemos questão de provar (sem a presença dele, é claro). A iguaria que, diz ele, é apreciada pelas crianças coreanas, são pupas com gosto de camarão embebidas em uma água suja. Não passamos da primeira larvinha. O resto deixamos na prateleira de “free food” da geladeira do hostel, para quem quisesse se aventurar…

Mas depois de abrir, só o cheiro era insuportável. A intenção do coreano foi ótima, mas não tivemos coragem, nem paladar, pra prosseguir com as larvinhas…

21/05 Reservamos a segunda-feira, quando a maioria dos museus fecha, para visitar Sintra. Mesmo esquema de Cascais e Estoril: trem por 2,05 euros, 30 minutos e felicidade garantida. Depois de uma tentativa infrutífera de chegar ao Castelo dos Mouros a pé ou de carona, pegamos o ônibus que faz a rota até o Castelo e o Palácio da Pena. (Alguém precisa explicar aos portugueses que quando a gente estica o dedão pra pedir carona eles tem que parar, e não dar tchauzinho!)

Parte do Castelo dos Mouros, que remonta aos tempos de D. Afondo Henriques, primeiro rei de Portugal.

Palácio da Pena, onde predomina o estilo romântico do séc. XIX. Depois da Proclamação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu.

Durante nossos dias em Lisboa, fizemos lanchinhos que comemos ao longo do dia para economizar grana e poupar tempo. Por isso, nada de fotos de grandes pratos de comida nesse post, infelizmente. No entanto, tivemos a experiência única a de almoçar em um jardim de Cascais, dentro da Torre de Belém e no Castelo dos Mouros. O lado ruim: não aguentamos mais ver pão, peito de peru, cenoura, tomate.

Os “bocadillos” que salvaram nossa fome, nosso bolso e nosso tempo de turistas empolgadas

Na nossa última noite, conhecemos um brasileiro engraçadíssimo, que tinha acabado de chegar de Porto. Foi pra lá de carro alugado com uma turma de brasileiros depois que o vôo deles foi cancelado. De lá, todos foram para Lisboa. Uma das brasileiras, inclusive, estudou na mesma escola que eu em Campinas, veja que mundo pequeno!

Resolvemos aproveitar todos juntos a nossa última noite na cidade conversando rindo e se surpreendendo com as figuras inusitadas das ruas de Lisboa, como o cara que achou que éramos sua pequena plateia e começou a improvisar uma performance teatral…

Fim da nossa viagem, a Dani voltou pra Pontevedra cheia de provas pra fazer e pouco tempo pra atualizar o blog.


Dica final: Nesse site: http://www.lisbonlux.com dá pra encontrar várias dicas de lugares, museus e atrações pra conhecer. Tá bem atualizado e contextualizado!

Saludos!

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Uma opinião sobre “Ótimas paisagens e personagens em Lisboa

  1. Que delícia as fotos! Muito bom!

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