Porto, essa querida…

A viagem pra Porto logo depois da Semana Santa veio num momento não muito propício: fim de semestre letivo e dezenas de trabalhos pra fazer. Quando compramos as passagens em fevereiro, nem imaginávamos que abril seria um mês corrido e quebraria todo o nosso ritmo de estudos. Mas quando voltamos, eu agradeci por já ter essas passagens compradas e desfrutar dias tão bons na querida Porto!

Cheguei na cidade por volta das 10h30 e a Dani já estava no hostel quase surtando por que eu ainda não havia chegado. O voo atrasou só uma horinha e enquanto eu não chegava ela me ligou umas dez vezes (não é exagero, gente!). [Dani: só uma horinha! Básico assim! Sou o tipo de amiga preocupada, gente…]

Logo no aeroporto, achei curioso poder falar português e ser entendida por não-brasileiros. E por conseguir entender um sotaque que parece outra língua! No hostel, fui recebida por uma trilha sonora brasileira. Estava em casa!

Avenida dos Aliados

Encontrei a Dani e a primeira coisa que fizemos foi uma das que a gente mais gosta: achar um restaurante legal pra almoçar! Logo vimos que Portugal seria gentil com o nosso bolso: pratos por 5 ou 6 euros e docinhos por menos de um euro! Nós voltaríamos outras vezes nesse restaurante só pelos docinhos…

Começamos nosso “city tour” pela cidade. A Dani, que já havia estado em Porto numa viagem com outros estudantes Erasmus, me levou até a livraria Lello, considerada a terceira mais bonita do mundo e fonte de inspiração para J.K. Rowling. (Sabe as capas que a turma de Hogwarts usam? Então, iguais às dos estudantes da Universidade do Porto!)

Vimos a Torre dos Clérigos (a mais alta de Portugal), a estação de São Bento, a Avenida dos Aliados – pela qual passaríamos várias vezes – e várias igrejas pelo caminho. Um dos destaques da Avenida Aliados é a estátua do D. Pedro IV, o Dom Pedro I no Brasil. Depois tomamos um café no Café Majestic, que é frequentado em peso por outros colegas turistas e senhoras excessivamente maquiadas.

Café gelado no Majestic

O tempo chuvoso foi a oportunidade para corrermos ao Centro de Fotografia de Portugal. Vimos uma exposição com fotos de Joao da Silva sobre a guerra no Afeganistão e o museu, com câmeras incríveis de várias épocas e estilos. Inclusive câmeras de espionagem, menores do que essas Cybershots. Também gostei muito da exposição “Mulheres de Camilo”, em referência às mulheres que serviram de inspiração ao escritor Camilo Castelo Branco, do Romantismo Português. Na exposição o destaque era pra mãe de Camilo e pra Ana Augusta Plácido, seu grande amor. Lembro que estudei muito os textos dele no colegial, e foi uma boa lembrança poder reler alguns deles.

Na saída, encontramos a Gáb, amiga da Dani que está fazendo intercâmbio em Porto e seu colega, Michel, que também estava visitando a cidade. Fomos ao Palácio de Cristal, que um dia já foi um palácio de cristal, mas que foi demolido pra construírem no lugar o Pavilhão dos Desportos. Lamentável. Mas os jardins em volta são lindos e tem uma vista incrível pro rio Douro.

Apesar de ser sexta-feira, estávamos as duas esgotadas. Por isso, a noite e debaixo de chuva, o máximo que conseguimos fazer foi ir ao Piolho, o ponto de encontro da galera. O restaurante/bar estava cheio. Uns comendo, outros tantos bebendo. Volta e meia aparecia um jovem quase inconsciente sendo carregado pelos amigos até o banheiro. E o melhor de tudo: um pratão de comida, do tamanho da nossa gula.

Felicidade por 5 euros

No dia seguinte, depois de um bom café da manhã com pãezinhos deliciosos, fomos conhecer as caves do outro lado do rio, na cidade de Gaia e provar o famoso vinho do Porto. O sol resolveu dar o ar da graça e embelezar nossas fotos enquanto atravessávamos a ponte Luís I, a mais antiga da cidade em atividade.

E aí começou nossa saga em busca da cave Graham’s, onde poderíamos fazer a visita e a prova de vinhos de graça, oferecido pelo hostel. De longe ela é fácil de identificar, fica aí, bem no meio do morro. Mas tem apenas UMA placa que indica a direção do lugar e ninguém sabe explicar direito como chegar ali. Erramos o caminho três vezes. Estávamos quase desistindo, mas resolvemos enfrentar o morro uma última vez e ainda bem que tentamos!

Rio Douro visto de cima da ponte Luís I

Markus, estagiário, 20 anos (!) contou a história da caves e da família dona do negócio. Era a primeira vez que ele ia ser guia, já que era trainee na cave e desde o começo já pedia desculpas pelo nervosismo.  Explicou a diferença entre os vinhos e seus processos de produção, e dividiu com a gente a emoção de provar um vinho de mil oitocentos e pouco. Aproveitamos que éramos as únicas que estavam no tour em português para enchê-lo de perguntas! O Markus mandou muito bem! Dá pra ver a paixão pelo vinho corre no seu sangue!

Na saída, fizemos a prova dos vinhos – que são doces e com alto teor de álcool, para nossa alegria. E ainda ganhamos uma taça a mais de vinho branco. Depois dessa experiência, acho que eu nunca mais vou tomar Campo Largo

Vinhos e uma vista linda!

Antes de sairmos, fui ao banheiro. A Milena, incrivelmente, a princípio disse que não estava com vontade. Fui eu, e logo depois, quando eu já estava terminando de fazer xixi, a Milena entra no banheiro, e diz:

Ah, mudei de ideia, vou fazer já pra depois não ficar com vontade.

Anh.. – digo eu, concentrada no meu xixi.

Escuto então um barulho interminável de xixi caindo (sabe quando vc nota que a pessoa estava apertada só pelo barulho que faz?), e digo à Milena:

– Meu deus, com tudo isso de xixi você ainda queria segurar?

– Não sou eu, Dani!!!!

Momentos de gargalhadas à parte (que cortaram o meu xixi, por sinal), eu não tinha percebido que havia entrado outra mulher, que usou o banheiro ao meu lado, enquanto a Mi estava em outro canto do banheiro. Rimos horrores (um pouco pelo efeito do vinho…), e agrademos pelo fato de a tal da mulher não entender português (assim esperamos….)

Mãe, essa é a última, tá?


Conseguimos descer o morro sem rolar ladeira abaixo (vitória!). E então, já mortas de fome, paramos num restaurante para comer um… bacalhau! Claro, não podíamos sair de Portugal sem provar um. E ainda almoçamos em grande estilo, ao lado do Douro, esse lindo!

A obra mais legal do jardim de Serralves

Reservamos o sábado a noite pra fazer o pub crawl! Conhecemos 4  bares e no final uma discoteca. Ficamos ali até a hora que nossos pulmões e lentes de contato permitiram. A fumaça de cigarro era tanta que já estava asfixiante. Depois descobrimos que em Portugal também é proibido fumar em lugar fechado. Mas pelo que vimos, exceção era quem não estivesse fumando…

Terceiro dia, missão: conhecer o Museu de Arte Contemporânea da Fundação Serralves, entre outras coisas.

Eu e Dani não curtimos muito o museu, não. Acho que ainda precisamos de um nível de abstração muito grande para compreender os artistas contemporâneos. Maaaas, o jardim da Fundação é lindo e enorme. Só não ficamos mais porque estávamos com frio, muito frio – e fome (novas!).

Pegamos um ônibus até o Castelo do Queijo. Que não é um castelo de queijo, nem em forma de queijo e que não tem nada relacionado a queijo em volta. Só foi construído em cima de uma pedra que parecia um queijo. Mas é bonito.

Pasmem, a Dani comeu tudo isso

Caminhamos pela “beira-mar” até encontrar um restaurantezinho agradável para almoçar.A Dani pediu um caldo verde e uma Alheira de Mirandela, só pratos típicos.  O caldo verde lembrou a sopa de fubá da minha avó Alice, e a origem da alheira de mirandela vem dos tempos de perseguição aos judeus, já que eles “enchiam” a linguiça com carne branca, e diziam que estavam comendo carne vermelha, carne de porco, pra não levantarem suspeitas…

Na volta, enfrentamos a maior ventania das nossas vidas acompanhada de um frio nada agradável. Enquanto esperávamos o ônibus desejamos estar em Floripa pra poder esticar o dedão e quiçá conseguir uma carona salvadora.

Agradecemos muito a hora que o ônibus chegou! E estávamos tão quentinhas e confortáveis que nem queríamos descer na Casa da Música, o próximo ponto do nosso itinerário. Mas descemos. Não conseguimos ver nada lá além da arquitetura do prédio. As visitas acontecem às 11h e as 16h, somente, e já eram 18h…

Mas o que eu gostei mesmo foi do Monumento aos Herois da Guerra Peninsular que tem na praça em frente. É o monumento mais impactante que eu já vi até agora. A Guerra, que aconteceu de 1808 a 1814, uniu os exércitos português e inglês contra as forças francesas de Napoleão na Península Ibérica. No topo da estátua, tem a figura do Leão (Portugal) pisando sobre a Águia (França). Fortíssimo simbolismo.

Monumento aos Herois da Guerra Peninsular

O nosso dia ainda não tinha terminado. A última missão era conhecer o Museu do carro elétrico – o nosso bom e velho bonde. O museu fica na estação de bondes que ainda funcionam na cidade, mais pra turismo, e mostra os vários modelos de carros, até o que precedeu o ônibus =((

Agora, sim, de volta pro hostel, cansadérrimas e sem qualquer vontade de sair no frio, tentamos pedir uma pizza ou qualquer outra coisa delivery. Mas já era quase meia noite do domingo e nada para entrega a domicilio.

Eis que aparece um italiano muito prestativo que se ofereceu para fazer um spaghetti a carbonara pra gente! Os ingredientes surgiram de algum armário da cozinha do hostel (sempre nos salvando). Enquanto cozinhava, o Stefano nos explicou os diferentes tipos de massa, cozimento e falou da sua indignação com pessoas que conseguem deixar o macarrão passar do ponto, (vulgo, eu). Ah, esse hostel em Porto, foi o melhor que ficamos dentre todas nossas viagens! Animado, com gente jovem e prestativa, bem decorado, limpo, com cozinha, mapas, enfim, muito útil! 

Spaghetti mezzanotte. O uso da faca foi proibido durante a refeição

Contrariando o senso comum, resolvemos fazer o nosso “walking tour” pela cidade no nosso último dia.  O objetivo não era ver os principais pontos turísticos, mas ouvir as histórias. Acabamos conhecendo lugares novo, também, como a murallha, a Igreja de Santa Clara cheia de ouro do Brasil e “o jardim da paquera”.

Ruas encantadoras de Porto

Medo da francesinha

Nosso guia, o Pedro, contou a história de um dos pratos mais famosos de Porto, a Francesinha. É um sanduíche de várias carnes, linguiça,salsicha, fiambre… coberto de queijo e molho picante. O ovo frito por cima é opcional. O nome, disse ele, faz referência às mulheres francesas, que na época em que o prato surgiu eram muito mais liberais do que as portuguesas. O lanche, por ser forte e picante, faria as portuguesas ficarem com calor e então, tirarem algumas peças de roupa e beberem mais. Espertinhos.

Rejeitamos a francesinha por três dias até conhecer essa história. Tivemos que provar. Mas, com receio de que o prato seria muito pesado, dividimos uma francesinha e complementamos com uma salada.

Passamos no Mercado do Bolhão, compramos souvenires e eu me despedi da Dani, as duas com vontade de ficar mais.

Fui embora de trem, num esquema um tanto incomum de compra: só consigo comprar os bilhetes na fronteira, quando sai o fiscal português e entra o espanhol. São duas horas e pouco de viagem, mas pelo fuso, a Espanha está 1h adiantada em relação a Portugal.

Meu voo era às 6h do dia seguinte. Então deu tempo de fazer uma das coisas que eu mais gostei. Às segundas-feiras, ao lado do rio, se vende copos enormes de bebida a 5 euros e de cerveja a 2,50. O lugar, que eu já tinha achado lindo de dia, é ainda mais encantador à noite. Fui para lá com o pessoal que estava no hostel. Lembrei da praia, de Floripa e dos happy hours da UFSC. Me senti em casa e não queria voltar.

Minha câmera tremeu de emoção com a vista do Douro à noite

Saludos!

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4 opiniões sobre “Porto, essa querida…

  1. Luisa Pinheiro

    Ler esses posts dá uma saudade de vocêês! Esse italiano muito ficou apaixonado por vocês, aposto hahahaha.
    Mas como assim vocês já tão em final de semestre? Europa sua louca!

    • milenalumini

      Hahahah. Mara, meu semestre letivo começou no fim de janeiro e as provas são agora essa semana. Isso significa que todos os trabalhos finais ficaram pra semana passada ou retrasada. Mas o lado bom é que depois de segunda que vem eu estou livre! Quer dizer, isso se eu não tiver que fazer um exame extra, o que tem grandes possibilidades de acontecer em algumas disciplinas…

  2. Ai, meninas, deu até um aperto no coração que não vou conhecer Portugal =/
    Boa sorte e ótimas viagens!

  3. Diogo Candeias

    que maravilha! gostei muito de ler e ter uma ideia das impressões com que ficaram desta cidade do meu coração! saudades…

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