Espanha e muita cultura

Em junho deste ano, fiz um breve resumo de como foi a minha experiência de intercâmbio na Espanha para o blog Intercambiando. Lá, outros estudantes contam sobre sua vivência em outros países. Pra quem está pensando em fazer intercâmbio mas não sabe como ou onde, vale a pena ler os depoimentos. Segue a matéria: 

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Parque del Retiro

“Em janeiro de 2012 a estudante de Jornalismo Milena Lumini deixou sua rotina na Universidade Federal de Santa Catarina para fazer intercâmbio de um semestre na Universidad Autónoma de Madrid (UAM), na Espanha. Ela diz que sonhava com essa experiência desde o ensino médio, quando procurou algumas empresas que ofereciam o programa highschool para o Estados Unidos.

Milena acabou adiando a viagem para a faculdade, e acredita que assim tenha sido melhor. Além de estar mais madura, ela pôde escolher o país e a cidade onde queria estudar. Madri foi o destino, opção motivada pela vontade de aprender o idioma espanhol e de viver onde o clima fosse agradável (quase não chove na cidade e o frio não é tão rigoroso, conta Milena), e pelo fato de a cidade estar localizada na Europa, o que permitiria viajar bastante. Leia um pouco sobre as lembranças da estudante daquele semestre na Espanha.

Amigos e viagens

Nesse mesmo mês, há exatamente um ano, eu e outros amigos brasileiros, chilenos, mexicanos e argentinos nos reunimos na Casa de Campo, parque de Madri, para fazer um piquenique de despedida. Em breve, cada um de nós faria uma viagem diferente pela Europa e os momentos que passamos juntos, estudando ou fazendo festa pelas ruas da cidade, ficariam para trás. Fazia cinco meses que eu havia deixado a minha rotina universitária na UFSC para fazer intercâmbio na Espanha.

Já sabia andar por toda a cidade sem me perder (pegava metrô e trem todos os dias para ir da estação Marqués de Vadillo à Universidad Autónoma de Madrid), os vendedores nas lojas entendiam o meu espanhol recém aprendido e eu tinha me acostumado à indelicadeza sutil dos espanhóis, entre outros pequenos choques culturais. Ainda sorria cada vez que escutava alguns turistas brasileiros conversando no metrô, mas já começava a sentir saudade, por antecipação, da minha rotina madrileña.

Estudos

Cada uma das disciplinas que fiz eram de cursos diferentes, pois a UAM não oferece graduação em jornalismo. Às terças feiras, tinha aulas de espanhol junto com outros intercambistas e, três vezes por semana, comia um delicioso bocadillo salmão defumado antes das aulas de vôlei. Tinha aulas ótimas de Comunicación Intercultural e Historia Contemporánea e outras nem tanto, de Retórica y Agumentación e Música en los medios audiovisuales. No caminho de volta pra casa, fazia questão de descer na estação Sol e caminhar até a La Latina pra evitar uma baldeação e ver um pouco da vida no centro de Madri. Artistas de rua de todos os tipos em busca de atenção na Plaza Mayor, turistas alvoroçados pelas ruas e lojas, espanhóis impacientes saindo do trabalho, promoters de festas.

Experiências culturais valiosas

Viver em outro país é encontrar a todo momento algo novo e encantador, seja um prédio com arquitetura charmosa, um novo prato típico ou pessoas especiais. Era pra isso que eu queria fazer intercâmbio! Madri não me decepcionou em nada, é super animada e rica em vida noturna e cultural. As viagens, muito menos.

Estive em um total de 10 países e 20 cidades diferentes, onde tive experiências inesquecíveis. Passei uma noite de carnaval em Cádiz e outra sem dormir em Valencia, durante a festa das Fallas. Fiquei perdida à noite em Bruxelas sem saber uma palavra de francês. Tomei chuva e passei a noite mais fria da minha vida em um chalé de madeira em Veneza. Visitei um campo de concentração em Berlim. Vi o castelo de Praga e tomei a melhor cerveja da Europa. Conheci o hospital subterrâneo e os bares ruínas de Budapeste. Dormi na cama mais desconfortável que já vi em um albergue sujinho de Londres…

Tenho certeza de que, depois dessas experiências, hoje sou uma pessoa muito mais madura e aberta para as diferenças culturais. Fiz amizades ótimas com pessoas completamente diferentes de mim_gente da Itália, França, Alemanha, Holanda, Bélgica… Morei em um país onde o transporte público funciona bem e não se paga caro pela conta do celular. Mas também descobri porque, apesar de não termos os padrões de um país desenvolvido, gosto tanto do Brasil e da nossa gente.”

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Madri e UAM – o bom e o ruim

Plaza Mayor, um dos melhores de Madri

Agora que eu já voltei pra casa e aproveitei um pouquinho do Brasil, penso no intercâmbio como um todo, as coisas que fiz de bom e as escolhas nem tão boas assim. Antes de viajar, alguns colegas me deram informações sobre a cidade, a universidade e a experiência do intercâmbio em si. Agora eu vejo vários amigos embarcando na mesma viagem. Então esse post traz algumas dicas aos novos intercambistas, principalmente para os que forem para Madri ou pra Universidade Autónoma de Madrid.

Estudar, estudar, estudar? 
As disciplinas que queremos cursar na universidade estrangeira é uma das primeiras coisas que definimos quando vamos fazer intercâmbio.  Geralmente selecionamos as matérias ainda no Brasil. Mas, após começarem as aulas, os estudantes da UAM têm cerca de suas semanas para definir quais disciplinas querem realmente cursar.

O ideal é fazer uma seleção das matérias que tem interesse e frequentar as primeiras aulas, quando o professor distribui o plano de ensino e lista as avaliações do semestre. Aí dá pra avalias a quantidade de trabalho que você terá durante a estadia e se aquela disciplina “Teoria do Conhecimento 2” realmente te interessa.

Na UAM, todas as disciplinas têm dois encontros na semana: em um dia, duas horas de aula teórica e, no outro, uma hora de aula prática. Para o pessoal das humanas, a prática geralmente é a discussão de um texto ou apresentação de seminário.

Escolhi quatro disciplinas, mais o curso de espanhol oferecido gratuitamente pela UAM aos intercambistas e as aulas de vôlei. Nem todas as matérias foram boas como eu esperava, mas também não tive uma quantidade exorbitante de trabalhos. Deixei de fazer algumas disciplinas que me interessavam para não ter aula na sexta-feira. É uma escolha pessoal, mas que para mim foi acertada. Com um fim de semana de três dias poderia fazer viagens curtas com mais frequência e aproveitar a melhor noite de Madri – a quinta-feira.

Quinta é dia de “chupitar”. Chupitos são os drinks que os promoters das balads oferecem para você entrar e conhecer a festa. O que eles querem é que você faça volume no lugar até o horário em que os espanhois realmente costumam sair – depois da 1h. Ou seja, até esse horário, você pode ir de bar em bar tomando todos os chupitos que te oferecem. Na quinta-feira, como menos gente sai pra festar, há mais ofertas de chupitos.

Outra opção é reunir os amigos para fazer um botellón (famoso esquenta) e entrar nas festas antes da 1h30, quando ainda há entradas grátis. As baladas mais famosas, como o Teatro Kapital (clube de sete andares), não oferece essa regalia. É 15 euros pra entrar com uma copa (drink).

Quinta-feira também tem bastante festa para os intercambistas, promovidas pelas organizações Erasmus – procure os grupos no facebook!

Faça um esporte e ganhe um amigo
Procurar uma equipe de vôlei foi uma das primeiras coisas que fiz ao chegar na Universidade Autónoma. A secretaria de esportes tem uma oferta imensa de opções de atividades pra fazer, incluindo esgrima, padel, capoeira (sim!) e aerosalsa. Para participar das aulas é preciso pagar a taxa de inscrição de 30 euros que vale para o ano todo. Cada modaliade tem um preço à parte. Vôlei avançado custava 20 euros, mas também havia  a opção de pagar à vista 88 euros e fazer as aulas, usar a piscina e a academia de musculação. Você ainda pode pedir para validarem os créditos da disciplina.

As aulas aconteciam três vezes por semana em turma mista. Isso foi ótimo para ter mais contato com os espanhois. Nas outras aulas, via as mesmas pessoas uma ou duas vezes na semana no máximo. No vôlei, além conviver com os alunos com mais frequência, tinha que necessariamente interagir com eles.

Meu lugar ao Sol
Antes de ir pra Madrid, perguntei para alguns intercambistas brasileiros a faixa de preço dos alugueis e os locais bons para morar. A recomendação mais enfática que me deram foi: more no centro. Madrid tem uma ótima rede de transportes que te levam a qualquer lugar da cidade! Assino embaixo, principalmente se você for estudar na UAM.

A Universidade fica bem longe do centro (30 minutos de trem). Isso significa que toda vez que quiser sair ou fazer umas comprinhas vai ter que passar um tempinho no trem ou no metrô.

Renfe Cercanías, linha C-4: caminho diário para UAM

Ao chegar em Madri visitei somente um apartamento, achei o lugar ótimo e decidi ficar ali. Morava no bairro de Carabanchel, próximo à estação Marqués de Vadillo. Hoje, procuraria um lugar ainda mais central, próximo de alguma das estações: Sol, La Latina, Ópera, Tirso de Molina ou Antón Martin. Essas estações são próximas umas das outras e o mais importante, próximos do Sol. Aí fica a maioria dos bares e baladas. Outros bairros próximos como Malasaña e Chueca também tem ótimos bares e casas noturnas. Morando próximo do Sol, você pode sair à noite e voltar pra casa andando. Eu sempre tinha que pegar um ônibus caso quisesse voltar antes das seis da manhã (horário de abertura do metrô)…

Três amigas brasileiras moravam num apartamento ao lado da Plaza Mayor, super próximo do Sol. Ótima localização. Pagavam cerca de 350 euros com os gastos. Problema: o barulho durante dia e noite. O ideal é buscar um meio termo. E claro, quanto mais central, mais caro o aluguel.

Também é bom pensar nos seus colegas de apartamento. Minha intenção ao ir pra Espanha era morar com um espanhol, para aprender melhor o idioma. De fato, morei com uma espanhola e uma coreana. Acontece que a espanhola nunca parava em casa. Me dava bem com Minju, a coreana, mas teria aprendido muito mais se morasse com um espanhol ou algum hispanohablante, pessoas que poderiam solucionar mais dúvidas de vocabulário, corrigir pronúncia, gramática, etc.

Viajar mooooito
Se tiver a oportunidade de viajar, se joga! Pra mim, a melhor coisa da Europa é poder conhecer muitos lugares, culturas e línguas sem gastar muito tempo ou dinheiro. Dá pra encontrar voos baratos, ficar em hostel, etc. Isso eu consegui fazer bastante, como dá pra perceber pelos outros postse por outros ainda estão por ser escritos. As dicas de viagem merecem um espaço particular para  serem abordadas. Aguardem =))

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A saga da volta pra casa

Terminadas as aulas, comecei a maratona de viagens tão esperada. Passei por Barcelona, Bruxelas, Berlim, Amsterdã, Praga, Viena e Budapeste. Depois, ainda viajei com meus pais para a Grécia. Muitas histórias pra contar, mas todas se tornaram secundárias diante do périplo que seria a minha volta pro Brasil.

No dia 18 de julho saí de casa às 8h50 da manhã para embarcar no voo de retorno ao Brasil, que sairia às 12h15. Mal sabia eu que eu só chegaria em casa dois dias depois e ainda passaria pela República Dominicana e Panamá.

Depois de quarenta minutos de trem, heguei ao Terminal 4 do aeroporto de Barajas. Vi a enorme fila para check in e despacho de bagagens e resolvi arriscar o auto check in pelas máquinas disponíveis em frente ao balcão da Iberia, companhia pela qual viajaria.

Não consegui finalizar o check in e imprimir meu cartão de embarque. Ao tentar selecionar o assento, só via cadeirinhas vermelhas. Nada disponível. Fui para a fila do check in rezando para que não acontecesse o pior: deixar de embarcar por causa de um overbooking.

Para quem não sabe (e eu não sabia), comprar a passagem não significa necessariamente que você tem o seu assento garantido. Se houver um número maior de reservas do que de assentos, algumas pessoas podem simplesmente não viajar. A companhia deve encontrar vaga no próximo voo disponível, oferecer estadia em hotel e uma indenização pelos transtornos causados. Tudo bem simples. Ou não.

Fiquei na fila do check in e despachei minha bagagem. Ao receber o cartão de embarque, a funcionária explicou: “Você está na fila de espera desse voo. Dirija-se ao portão de embarque, porque vamos fazer de tudo para você voar”. Depois das viagens pela Europa, posso dizer que maior do que o medo de que a bagagem de mão não caiba na gaiolinha da Ryanair ou exceda o peso permitido é a tensão de ter um “SBY” (Stand by) marcado no lugar do seu assento.

Passei pela imigração (o que significa que eu já tinha saído da Espanha) e fui ao portão de embarque. Ali encontrei mais pessoas na mesma situação: uma mineira menor de idade cuja mãe iria de Uberaba para buscá-la em Guarulhos, um intercâmbista que fez o check in às 9h20 da manhã e já ficou na lista de espera, uma espanhola que repetia ser a primeira da lista por que tinha mais milhagens pela Iberia. Havia também uma família: dois conseguiram fazer o check in e um ficou na espera. O mesmo com outro casal: um tinha assento, o outro, lista de espera. O casal cedeu o lugar para a família e todos os outros conseguiram embarcar. Menos eu e outras oito (!) pessoas.

Balcão de atendimento ao cliente, as funcionárias buscavam outros voos a Guarulhos para nos encaixar. Não havia vaga no voo das 18h, nem no das 0h40, nem do das 12h15 do dia seguinte. Solução: voar com uma companhia chinesa, no dia 19, às 8h45. Enquanto isso, hotel e indenização de 600 euros.

Problema: meu visto de permanência na Espanha por seis meses vencia justamente no dia 18 de julho. Ou seja, a imigração poderia barrar a minha entrada no país, já que eu só poderia ficar na Espanha algumas horas. A alternativa da Iberia foi me colocar num voo Madri – Punta Cana – Guarulhos, que sairia às 16h55. O primeiro trecho seria feito pela AirEuropa e o segundo, pela Varig. Para isso, teria que passar pela imigração, retirar minha bagagem e fazer o check in pela outra companhia. A funcionária da Iberia fez um pequeno relato de porque eu estava passando pela imigração novamente, para que não me barrassem, o que foi completamente desnecessário. O policial nem olhou pro meu passaporte direito e me deixou passar, vai entender…

Retirei minha bagagem e fui fazer o check in. Não antes de retirar a indenização de 600 euros, obviamente! Malas despachadas, passo mais uma vez pela imigração e embarco no voo com duração de 7h50 para a República Dominicana.

Aeroporto de Punta Cana

Uma noite em Punta Cana

Até aí, a minha única preocupação era que o voo não atrasasse, já que eu deveria chegar em Punta Cana às 19h20 e tomar o voo das 21h para o Brasil. Cheguei no horário e não havia fila no check in da Varig, ufa. Expliquei o ocorrido e mostrei o voucher que a Iberia havia me dado para retirar o cartão de embarque. Resposta do funcionário da Varig: “Vamos ter que ver isso com a supervisora”.

Chega a supervisora e me diz: “Senhora, para embarcar você tem que pagar a taxa de 85294,95 pesos dominicanos ou 2187,00 dólares”.

O quê? Como assim? Eu não tenho que pagar nada, já paguei minha passagem. Nem tenho esse dinheiro!

A funcionária não soube me explicar porque teria que pagar esse valor. Pedi que contatassem a Iberia, disseram que eu teria que fazer por minha conta. Pedi que pelo menos me deixassem ver o telefone de contato da Iberia na internet, também não permitiram.

Desesperada e com medo de perder o voo, disse que pagaria a taxa para embarcar. Mas eles não aceitavam pagamento com cartão de crédito!!! Só em dinheiro, em dólares ou em pesos dominicanos.

Pensei que talvez o dinheiro que eu tinha na carteira (pouco mais de 700 euros, por conta da indenização) desse para pagar o voo. Acompanhada por um policial, fui à casa de cambio trocar o dinheiro. Em euros, o valor da taxa passava de mil. Não sabia o que fazer. Pensei em trocar uma parte e sacar o restante do cartão de crédito. Mas por conta do tempo, disseram que seria mais fácil sacar tudo de uma vez. Tudo bem, mas que seja rápido! Transação negada. Só depois fui saber que o máximo permitido de saque no cartão é de 20 mil pesos dominicanos e eu precisava de quatro vezes mais!

De volta ao balcão de check in, tentei falar com os funcionários da Iberia que haviam acabado de finalizar um embarque pra Madri. Ele conversou com a supervisora da Varig – que encontrou a minha reserva! – mas que por conta dessa taxa não podia me deixar embarcar. Funcionário da Iberia me diz: “Não posso fazer mais nada, agora você tem que resolver com eles”. WTF?!!!!

Segunda tentativa de pagar o voo: iria sacar máximo permitido e trocar os euros que tinha. Pensei que assim chegaria ao valor necessário. Mas já eram 20h40 e a supervisora da Varig disse que eu não tinha mais tempo para pagar o voo, já havia perdido.

Sem poder embarcar, perguntei pelo próximo voo para o Brasil. “Sexta-feira, dia 20”. Quê?! E eu posso comprar com cartão de crédito? “Não, você tem que chegar aqui na sexta feira e conversar com…” Indignada, nem esperei a moça terminar de falar…

Saí em busca de outra companhia que voasse para o Brasil. A Copa Airlines fazia o trecho com conexões. Subi ao escritório deles para buscar passagens. Finalmente encontrei alguém que me ajudasse! Deuris, o funcionário, foi super solícito. Disse que havia vários voos para o Brasil, o primeiro deles às 6h, com conexão no Panamá. Poderia comprar a passagem com cartão de crédito pela internet ou por telefone. Como o sinal de internet estava muito ruim, me emprestou o telefone para fazer a compra. O único voo disponível era às 12h59, classe executiva, 1500 dólares (!).

Depois, o Deuris ainda me indicou um hotel para passar a noite e contatou o responsável pelos transportes da Copa Airlines para me levar até o local. Sem conhecer nada na cidade, pensei em passar a noite no aeroporto, mas essa opção estava fora de cogitação. O aeroporto de Punta Cana é super pequeno, especialmente antes de se dirigir ao portão de embarque, e o pior, totalmente aberto.

Estava extremamente quente e úmido e eu fui devorada pelos pernilongos durante os quinze minutos que fiquei conversando com meus pais pela internet para contar sobre o ocorrido. Não preciso dizer que eles ficaram super preocupados e sem ter o que fazer a respeito…

Deuris recuperou a minha mala, que chegou em Punta Cana (e não em Guarulhos, como me informaram em Madri) e eu fui pro hotel. Vinte minutos de carro. Passei por ruas de terra, super escuras, vi alguns detidos no carro da polícia e gente pedindo carona. No Aparta Hotel Veron, que mais era um apartamentinho de praia, comi um misto quente triplo (três fatias de pão, três de queijo, três de presunto) e água. Não tinha internet, mas consegui um cartão telefônico pra avisar aos meus pais que eu ainda estava sã e salva.

Que bom que havia ar condicionado no quarto! Tomei um banho (frio, porque não havia água quente…) e fui dormir. Quer dizer, tentar dormir. Deveria acordar no dia seguinte às 8h para me arrumar e ir ao aeroporto. Ramón, funcionário do hotel, iria me levar de volta. Fiquei com medo de não conseguir acordar de tão cansada. Afinal, no meu horário da Espanha já eram 6h da manhã e eu havia dormido no máximo duas horas no avião.

De tão ansiosa, acordei às 3h30. Voltei a dormir. Acordei às 4h30. Voltei a dormir. Depois às 5h30. Aí não consegui dormir mais. Fiquei enrolando na cama até às 6h15 e levantei, fui tocar violão. Nesse percurso todo levava, além de uma mochila super pesada com notebook, casaco, livro, etc., o violão que tinha ganhado de uma austríaca que morava em casa. Foi ótimo pra dar uma relaxada e espantar essa zica!

Depois tomei um banho – frio -, lavei a cabeça, me arrumei e comi outro misto quente triplo de café da manhã. De volta ao aeroporto, quis usar a internet para avisar meus pais que eu continuava sã e salva, mas meu computador estava sem bateria e todas as tomadas eram incompatíveis com o cabo da fonte. Vários funcionários do aeroporto vieram falar comigo, pois tinham visto o meu desespero no dia anterior. Dessa vez ocorreu tudo bem. Peguei o voo de três horas em direção ao Panamá.

Vista do Aparta Hotel Veron pela manhã

Enfim, boas notícias

Aí estava eu, like a boss, na classe executiva num voo para o Panamá. Fiquei emocionada com a poltrona espaçosa que tinha só pra mim, uma coberta grande e quentinha. E o almoço! De entrada, castanhas. Depois, arroz com filé de corvina, salada e brownie de sobremesa. Nunca fiquei tão feliz de comer uma comida boa!

Desci no Panamá e fui direto ao portão do voo para São Paulo. Já tinha o cartão de embarque em mãos, ou seja, não poderiam barrar a minha entrada no voo – assim esperava. Aproveitei os minutos antes do embarque para comprar um cartão telefônico e avisar meus pais de que eu estava prestes a voltar pro Brasil, finalmente! Em seguida agradeci várias vezes por estar embarcando num voo de volta pra casa!

Tinha acabado de almoçar, mas não dispensei o serviço de bordo, que dessa vez me serviu penne, creme de milho, etc… consegui enfim relaxar. E estava tão cansada que peguei no sono antes de a aeromoça servir o sorvete de sobremesa  (e eu queria muito um sorvete!). Dormi quase a viagem inteira na minha poltrona gigantesca e reclinável.

Em casa? Não tão rápido…

Desembarquei em Guarulhos à 0h30, mais ou menos. Faminta, procurei a comida que eu mais senti falta esses seis meses: pão de queijo!!! Comprei logo dois. Depois busquei o bom e velho ônibus da Caprioli que vai direto do aeroporto pra Campinas. O próximo ônibus era só às 5h30. Resolvi ir até o terminal Tietê e dali comprar a passagem pra Campinas.

O ônibus saiu à 1h30, às duas estava na rodoviária. Ali conheci uma menina de Cabo Verde que veio pro Brasil para morar com a mãe em Santa Rita do Passa Quatro. Ela, como eu, esperava que ao chegar na rodoviária houvesse um ônibus pelo menos dali a meia hora para nossos destinos… O primeiro ônibus pra Campinas era às 4h30 e para Passa Quatro, só consultando a companhia que fazia o trecho, a partir das 5h30.

Ela quis procurar um lugar pra ficar até às 5h. Eu preferi esperar as duas horas sentada na rodoviária, cochilando com a cabeça apoiada sobre as malas e acompanhada de um monte de gente que também tentava dormir algumas horas antes da abertura dos guichês. Pouco antes das 4h, acordei, comprei a passagem e, antes de embarcar, comprei mais um saquinho com mini pães de queijo.

Coxinha e pão de queijo no aeroporto de Guarulhos

Deveria ter chegado em casa dia 18, umas 22h. Cheguei no dia 20, às 6h, cansadérrima, com mais dois países no currículo e surpreendentemente feliz de estar em casa.

Já comi arroz, feijão e bife, acarajé, tapioca e pastel. Agradeci por ser normal que aqui faça 29ºC no inverno. Mas ainda estou achando esquisito não ouvir no mínimo três línguas diferentes ao meu redor toda vez que saio na rua.

Agora, as lições que aprendi com essa viagem e que servem de dicas para quem for pegar um voo internacional.

1 – Faça o check in online. Pelo que eu pude entender, se eu tivesse feito o check in online o quanto antes, teria reservado meu assento e evitado ficar na lista de espera. Se isso não der certo, …

2- Chegue cedo ao aeroporto. Quem faz o check in ante, tem prioridade na lista de espera. Como relatei acima, um passageiro fez o check in às 9h20 para um voo das 12h15 e ficou na lista, mas conseguiu entrar. Torça para que ninguém com muitas milhagens passe na sua frente, porque isso também acontece.

3- Implore por voos diretos e operados pela própria companhia. O maior erro nesse percurso todo foi eu ter aceitado, por falta de conhecimento, fazer um voo com conexão operado por duas companhias diferentes. Tratando diretamente com a companhia, não tem como eles não resolverem o seu caso. Da mesma forma, se ocorrer tudo bem no embarque de um voo direto com uma outra companhia, você vai descer no seu destino final. Se não, ainda está no aeroporto e pode reclamar diretamente com a companhia!

Boa viagem a todos!

Saludos de Brasil!

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Baiona, a primeira cidade que soube da América

Com a intenção de conhecer o maior número de festas típicas da Espanha, fui para Baiona, uma micro cidade, colada com Vigo, na Galícia. Nos dias 3 e 4 de março a cidade comemora o aniversário da chegada da caravela “Pinta”, depois de Cristóvão Colombo ter descoberto a América. Foi a primeira cidade a saber da existência do “novo mundo”.


A “Fiesta de la Arribada” é considerada de interesse turístico nacional na Espanha

Em 2012, Baiona comemorou o 519º aniversário da “arribada” da caravela, comandada por Martín Alonzo Pinzón. Durante os dois dias, a cidade recupera todo o clima do séc. XV: cavaleiros, navegantes, trovadores, mendigos, artistas, todos vestidos de época e atuando como se estivessem na Idade Média. A maioria dos visitantes também se empolga e se arruma com trajes medievais (como em várias outras festas tradicionais da Europa).

Um amigo meu já tinha comentado: “Pô, você tá na Europa, no velho continente, tem que entrar no clima né?”. Antes de ir pra Baiona eu realmente nunca tinha sentido que estava numa cidade tão velha e antiga. Faz MUITO sentido a cidade abrigar uma festa desse tipo.

Cheguei com enjoo na cidade, já que as chicas mexicanas queriam ir de barco. Teria sido uma ótima ideia se não tivesse tão frio e o mar não tivesse tão revolto. Uma hora no barco com frio e com ânsia. Mas a sensação de se transportar pro clima medieval e as inúmeras barraquinhas de comida diferente-apetitosa-exótica compensaram muito.

A galera entra no clima medieval…

Las chicas mexicanas

Na “praia”, assistimos a uma competição de cavalheiros, ao voo de aves antigas treinadas (na verdade fiquei com dó delas, muito pomposas e lindas pra serem domadas), e a uma encenação que reproduzia a chegada da caravela a Baiona. É claro que colocaram umas atrizes representando as índias “desnudas” da América. Apesar da excessiva dramatização, foi bem interessante. Um jeito mais leve de reavivar a História!

Competição dos (lindos) cavaleiros

Clica aí pra sentir o clima da festa:  Competição de Cavaleiros e vídeo de apresentação da Arribada

Encenação da chegada da caravela de Colombo anunciando a descoberta da América

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Arranhando francês em Paris…

Confesso que Paris não estava na lista de prioridades entre as cidades pra conhecer aqui na Europa. A intenção era ir pro Marrocos, mas como o voo pra lá estava caro, fui buscando outras opções e não tive como negar um voo pra capital francesa por 25 euros, saindo de Porto. Seria a primeira cidade entre os vinte dias de viagem em época de férias da faculdade. Dessa vez não fui com a Mi, pois ela já havia conhecido Paris com seus pais, e sim com outra amiga brasileira, que é de Fortaleza e também estava de intercâmbio aqui em Pontevedra. Como sempre, aqui vão os destaques dessa viagem:

01/06: Chegamos de Ryanair no início da tarde, e acabamos conseguindo uma carona até o centro de Paris com uma funcionária do próprio aeroporto, num trajeto que levou mais de uma hora. Conversamos em inglês e ela já nos ensinava a arranhar algo em francês. Na verdade, Thais e eu contribuímos com 5 euros cada uma com a moça, já que ela tinha sido muito receptiva e com o longo trajeto, ela devia ter gastado boa parte do combustível. Fomos encontrar o nosso “anfitrião”, já que fizemos Couchsurfing, tanto pra economizar dinheiro quanto pra ter dicas não tão turísticas de Paris. Era a nossa primeira experiência oficial nesse esquema. O apartamento era pequeno, num distrito um pouco longe do centro da cidade, mas tinha um sofá-cama bem confortável pra nós duas. E o Didier, que nos recebeu, foi um amor de pessoa, nos deixou à vontade e nos ensinou palavras básicas em francês, pra não fazer tão feio em Paris, onde falar inglês parece pecado.

No primeiro dia, ainda perdidas pela cidade, não fizemos muita coisa: fomos até a Catedral de Notre Dame, vimos uma das famosas pontes com cadeados dos apaixonados e andamos pelas ruas sem rumo.

Casais apaixonados prendem o cadeado na ponte e jogam a chave no Rio Sena…Ao fundo, a catedral de Notre Dame.

Notre Dame, catedral de estilo gótico – construção finalizada em 1345

02/06- Palácio de Versalhes: para nossa felicidade, a entrada era livre para estudantes da União Europeia. Não tem como não se deslumbrar com tanto detalhe, luxo e pompa na época de uma França pré-revolucionária. Como fica nos subúrbios de Paris, é preciso pegar um trem pra chegar lá, são uns 30 minutos de viagem. No trem, pra variar, encontramos brasileiros, e uma guria (muito inteligente pros seus 19 anos, por sinal), que estava de intercâmbio em Paris, nos deu várias dicas pra conhecer a cidade.

O palácio foi finalizado em 1664, durante o governo de Luis XIV, como centro do absolutismo francês. Em 1837, foi transformado em museu. Além do Salão dos Espelhos e das inúmeras obras e decorações com ouro, os quartos merecem particular atenção:

O quarto da rainha da França, onde dormiram MariaTeresa de Espanha, esposa de Luís XIV, Maria Leszczynska, esposa de Luís XV e Maria Antonieta, esposa de Luís XVI

O humilde quarto do rei…

Salão dos Espelhos, com 17 espelhos enormes em um lado. Do outro, a vista é para os jardins do palácio.

Como fazia um dia lindo e não havíamos pagado para entrar no palácio, resolvemos conhecer também os jardins de Versalhes. Pagamos por volta de 6 euros e para nossa sorte, estava havendo um “show das fontes”: as fontes de água estavam ativas e com música clássica pra dar um climão mais pomposo ainda.

Com Thais nos jardins do Palácio de Versalhes. Dia lindo, de calor e muita caminhada!

Gastamos quase um dia inteiro pra conhecer o palácio. No fim da tarde, hora de pausa: seguindo a dica da brasileira que encontramos no trem, fomos para uma mesquita (não é a famosa Grande Mesquita de Paris), onde provamos o chá árabe, apesar do calor que fazia.

Delicioso chá de hortelã por 2 euros:)

Seguimos para a basílica Sacre Coeur (tradução: Sagrado Coração), símbolo do bairro Monte Martre, que é um charme de lugar pelos seus cafés, restaurantes e claro, está sempre entupido de turistas. Além da beleza da construção, o mais legal é poder observar Paris do alto, já que a basílica está localizada no topo de Monte Martre. Para chegar lá, enfrentamos boas escadarias, já que não quisemos pagaro bondinho que levava até lá.

Sacre Coeur, de arquitetura romana e bizantina

Seguimos para o Moulin Rouge (“Moinho Vermelho”), e no caminho passamos por engraçados e inusitados sex-shops. Aquilo sim, mereceria ser chamado “Red Light District”, e só faltavam prostitutas nas vitrines pra competir com Amsterdã. Não tínhamos dinheiro para pagar os inacreditáveis 150 euros para os espetáculos que a casa oferecia, então nos limitamos a admirar as luzes vermelhas e tirar fotos, é claro, como super turistas.

Moulin Rouge, na baixada de Monte Martre

03/06: Dia de trocar de casa,ainda com Couchsurfing, fomos para a casa de uma brasileira. Ficaríamos o restante da nossa estadia em Paris lá. Dessa vez, o apartamento era mais bem localizado, perto do centro e tivemos uma cama de casal super confortável pra nós duas. Aproveitamos para entrar na Internet e acertar os detalhes das próximas viagens. A Thais, depois de Paris, iria para Itália, fazer um curso de italiano intensivo de verão. Eu ainda teria mais quatro cidades de mochilão pela frente. No fim de tarde, fomos aos Jardins de Luxemburgo, espécie de jardim-parque muito charmoso, com prédios do governo e espaços pra esportes. Vimos vários casais apaixonados lá. Também pudera, o lugar é super romântico.

Jardins de Luxemburgo

À noite, resolvemos nos dar o direito de comer bem, e deixar pra lá lanchinhos e crepes. Nosso corpo estava pedindo comida. Achamos um restaurante no bairro St. Germain (dica da nossa anfitriã brasileira) com menu de jantar por 12 euros: entrada+ prato principal+ sobremesa. Segui a dica do nosso anfitrião Didier e pedi isso:

Beef Bourguignon, prato típico francês. É tipo uma alcatra com molho bem consistente e batatas. Aprovado, mas nada espetacular!

4/6 – Mais momentos “super tourists”: Arco do Triunfo, Champs Élysees, e Louvre. Não pagamos pra entrar no Louvre, graças à nossa carterinha de estudante “Erasmus”, que comprova que estamos estudando na União Europeia. Lá dentro havia muita gente, o que estressava um pouco e impedia a contemplação dos quadros. Vimos o essencial, e nem preciso dizer que tentar ver a Mona Lisa é piada. O que dá pra ver é um monte de turista amontoado tirando foto do quadro. Gostei bastante da coleção de arte egípcia e a parte engraçada da visita ficou por conta deste quadro:

5/6 – Nosso último dia em Paris, fomos ao Museu d´Orsay, vizinho ao Louvre e onde funcionava uma antiga estação ferroviária. Também entramos de graça com nossa carteirinha de estudante. O museu tem uma coleção incrível de impressionismo. Pra mim, os destaques foram para as obras de Monet e Van Gogh (depois concluiria que não seria nada comparado ao Museu do Van Gogh em Amsterdã). O melhor momento, pra mim, foi ter visto o autorretrato de Van Gogh. Depois, seguimos para o Montmartre de novo, onde havia uma exposição temporária de Salvador Dalí. Pagamos seis euros, e foi muito válido. Bem contextualizado e com obras que realmente justificam o adjetivo de surreais.

“Space Venus”: representação de mensagens opostas – o relógio-símblo de Dalí representa a temporalidade e finitude da beleza, e ao mesmo tempo a eternidade da arte; as formigas fazem lembrar da impermanência e da mortalidade humana, enquanto o ovo representa vida, renovação, continuidade e futuro.

O mais óbvio de Paris deixamos para o último dia: a Torre Eiffel. Acabamos não subindo na torre, porque a fila estava enorme, não tínhamos muito tempo e também não estávamos dispostas a pagar 10 euros pra esperar no frio e no vento. Na volta, passamos pela livraria Shakespeare and Company, que acaba sendo charmosa por ter um aspecto de velha e desorganizada. Na verdade, serve mais como biblioteca e espaço “cult” do que como uma livraria. Vale a pena conhecer!

Eu segui para pegar minhas malas e para passar mais uma noite no aeroporto, já que meu voo para o próximo destino, Berlim, seria às seis e meia da manhã (voar de low-cost é isso, ter esses horários maravilhosos de voo). A Thais partiiu pra Itália no dia seguinte, pra começar seu curso de italiano em Florença. Assim foi a nossa visita à cidade-luz!

Minha dica final é: aprenda palavras básicas em francês, como bom dia, obrigado, por favor, desculpe, porque pelo menos em Paris os franceses não costumam ser muito simpáticos em dar informação se você já chega logo de primeira falando inglês. Agora se eles sentem que você está ao menos tentando falar francês, eles abrem um sorrisinho e te ajudam, seja com mímica, seja com inglês com sotaque.

No próximo post, Milena e eu falaremos de nossa viagem pra Berlim! Aguardem!

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Ótimas paisagens e personagens em Lisboa

Aproveitando o dia festivo (17 de maio) na Galícia, dia das letras galegas, e o final das provas da Milena, planejamos a viagem para Lisboa, de 17 a 22 de maio. E é claro, depois de ficarmos encantadas com Porto, ganhamos mais curiosidade ainda pra conhecer a capital portuguesa. Preparadas pra entender o português falado com a boca fechada e pra encontrar em cada esquina compatriotas brazucas.

Eu fui de ônibus, saindo de Vigo, com uma amiga mexicana. A Mi foi de avião, e seu voo ainda foi remarcado, por causa de uma greve dos controladores de voo em Portugal. Mas conseguiu chegar no mesmo dia que nós, e desfrutamos de pescado e sardinha com direito a uma dose de vinho do porto, que foi presente do garçom que nos conquistou nas ruas turísticas de Lisboa.

Ficamos no Yes Lisbon Hostel, da mesma rede daquele que ficamos em Porto. Excelente, bem localizado, com gente bonita, animada, com um caprichadíssimo café da manhã e com cozinha bem equipada, tudo por 15 euros a diária, em média. Recomendamos!

Nosso quarto no Yes Lisbon Hostel. Tinha até cortina em cada cama pra dar mais privacidade;) Abaixo das camas, cada um tinha um gavetão com cadeado pra guardar as malas.

(Mi): À noite, enquanto Dani e Sosi descansavam no hostel, aproveitei para conhecer um pouco da noite de Lisboa com uma menina americana que eu conheci no ônibus e que ficou no mesmo hostel que a gente. Fomos convencidas a seguir a turma do pub crawl depois que cinco canadenses resolveram sair pra festa vestidos em um macacão com a bandeira do Canadá dos pés à cabeça. Risadas garantidas.  

Aqui vão os destaques da nossa viagem:

19/05: Cascais: uma cidade-balneário a 20 minutos de trem de Lisboa, com praias de água estupidamente claras, que faziam degradê com o céu e a areina fina. Foi destino de veraneio da aristocracia europeia no começo do século XX. Visitamos o Farol de Santa Marta, de onde se tem uma vista incrível. Também fomos à Boca do Inferno, uma enome gruta esculpida pelos fortes ventos do Atlântico. Visitamos, ainda, o Museu Conde de Castro Guimarães, onde se tem uma ideia de como a aristocracia vivia na virada do século XIX para o XX, já que várias salas foram conservadas exatamente como deixaram seus últimos residentes.

Boca do Inferno, em Cascais – pedras esculpidas pelo vento e pela água, que é incrivelmente azul

Canal em Cascais, a caminho para a Boca do Inferno

Estoril: praia “burguesa”. Menos chamativa pela praia do que Cascais, Estoril se destaca pelas mansões, pelos campos de golfe e pelo seu Casino. Dá pra chegar caminhando pela orla saindo de Cascais. Apenas contemplamos um pouco o mar, já que nossa pele pedia urgentemente uma sombra (o sol resolveu nos ajudar nesse dia).

No caminho entre Cascais e Estoril, havia uma exposição temporária de esculturas contemporâneas e interativas…Essa era a melhor!

Estoril, a praia burguesa

À noite, já em Lisboa, fomos ao Castelo de S. Jorge. Esperamos até às 20h30 para entrar de graça. Antes disso, é 4 euros para estudantes. O Castelo sofreu com vários terremotos e por isso o que se vê hoje é fruto de uma grande restauração. A vista para a cidade e para o Tejo é incrível!

No Castelo de São Jorge, onde se tem uma vista maravilhosa pro rio Tejo. À esquerda, Sosi, nossa amiga mexicana

Anoitecer no Castelo de São Jorge

20/05: Walking tour: Repetimos o que fizemos em Porto:seguimos uma guia não oficial, com ligação com o nosso hostel, pra conhecer melhor os detalhes e curiosidades de Lisboa. O ritmo da guia era mais para um running tour, mas no conjunto valeu muito a pena. Além dos pontos turísticos básicos, ela nos levou até a Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa, de influência árabe na arquitetura. Já se podiam notar os preparativos para a festa dos Santos Populares, durante o mês de junho, e a festa mais badalada acontece na noite do dia 12, dia de Santo Antônio (sim, o santo casamenteiro).

Em uma das paradas do free walking tour, a guia nos mostrou essa arte de rua e nos explicou sobre a música típica de Portugal, o fado.

Descobrimos com a nossa guia que em 1775 houve um terremoto seguido de tsunami que destruiu praticamente toda a Lisboa e causou a morte de mais de 100 mil pessoas. Alguns geógrafos estimam que o sismo atingiu os 11 graus na escala Ritcher (a última tragédia a que vimos no Japão foi causada por um sismo de 8,9 graus). Depois do caos, a capital portuguesa foi rapidamente reconstruída, principalmente devido ao trabalho de Marquês de Pombal, que instituiu ruas mais largas, prédios uniformes, redes de esgoto e construções mais resistentes.

Nesse mesmo dia visitamos o Museu de Design de Moda,  o Museu do Fado e o Museu Militar. No Museu do Fado, tivemos a oportunidade de escutar a uma apresentação ao vivo de um grupo desse estilo musical. Em termos de tradição histórica, costumam dizer que o flamenco está para a Espanha assim como o fado está para Portugal. Costuma ter uma expressão triste, melancólica, e claro, de saudade. A entonação da voz é dramática, e é acompanhada pela guitarra portuguesa e pelo violão. Eu, particularmente, ainda fico com o flamenco, talvez porque tenha maior percussão e porque não me parece tão triste quanto o fado. (Milena:) Gostei justamente por causa das cordas. Com exceção da voz, o fado me lembrou um pouco o choro brasileiro. E nem todas as músicas são tristes. Ouvi essa no museu que achei uma gracinha:

“Gosto de tudo que é teu”

No Museu do Fado, há uma sala especial para ouvir diferentes cantores e dá pra chegar a conclusão se você gosta ou não do estilo.

À noite, passeamos pelo bairro alto de Lisboa, cheio de bares e jovens bebendo cervejas na rua. Também cheio de homens oferecendo drogas, das mais variadas: haxixe, maconha, e até…viagra, na maior cara de pau. Mas não se animem! Nos avisaram que essas drogas fáceis são todas falsas, só pra enganar turista. Encontramos um bar onde uma banda brasileira estava tocando, e claro, aproveitamos pra matar a saudade. Só que deu mais saudade ainda, especialmente da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Não fomos para nenhuma balada, pois no dia seguinte tínhamos de acordar bem cedo…

Na volta para casa, dois portugueses vieram conversar com a gente. Talvez porque estávamos falando alto e cantando músicas brasileiras pela rua. Nos ensinaram algumas gírias lisboetas e a diferença entre os sotaques do norte e do sul. Depois nos acompanharam até o hostel. O rapaz até tentou pedir os contatos da Dani e convidá-la para um café, mas ela não deu abertura…

20/05: Domingo é dia de museu livre até às 14h em Lisboa. Fomos para Belém (uns 20 min de Lisboa, em trem) com intenções bem claras: visitar o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém,  e comer o tão comentado pastel de Belém. A Torre de Belém foi construída no século XVI, serviu como fortaleza e como ponto de partida para as viagens da época dos descobrimentos. Hoje, pros turistas, o que interessa mesmo é a vista que se tem do Rio Tejo, através das fachadas e varandas da torre.

Torre de Belém ao fundo. Nesse dia enfrentamos muito frio, vento e chuva.

O Mosteiro dos Jerônimos também foi construído no século XVI, e tem em sua decoração forte influência dos temas marítimos, devido à época dos descobrimentos. Foi obra encomendada pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado das Índias. Junto ao mosteiro, há uma igreja onde estão as tumbas de Luís Vaz de Camões e do próprio Vasco da Gama.

Interior do Mosteiro dos Jerônimos

Em Belém, também se encontra o Padrão dos Descobrimentos, monumento em formato de caravela com esculturas que se projetam em direção ao Rio Tejo. A riqueza de detalhes e a grandiosidade da obra surpreendem.

Padrão dos Descobrimentos

Pra repor as energias, fomos até a autêntica loja e fábrica dos Pastéis de Belém, onde desde 1837 até hoje se preserva o segredo da receita do doce, que teve origem nos conventos próximos ao Mosteiro dos Jerônimos. É fácil localizar a loja, basta ver turistas acumulados embaixo de um toldo azul, todos loucos para saborear o pastelzinho. Se parece na aparência com a nata, doce que pode ser encontrado em qualquer rua, mas o gosto é definitivamente diferente. Não tem jeito, só provando mesmo pra conseguir entender. Queria muito levar alguns pasteis pra familia e amigos, mas o doce depois de dois dias já não fica bom pra comer, pois é à base de ovos.

Os autênticos e deliciosos pasteis de Belém. É tipo Bis, você come um só pra ficar com vontade de comer o próximo.

Hard Rock Café: pela primeira vez, Milena e eu visitamos o famoso museu-restaurante. Desde Londres e Veneza que queríamos conhecê-lo, mas ou não tínhamos tempo ou não queríamos gastar muito. Mas, dessa vez, a minha colega mexicana Sosipater, lá de Pontevedra, nos levou até lá. Seu pai é fã louco pelos Hard Rocks e havia lhe pedido para que visitasse tantos quantos fossem possível na Europa. E assim Sosi está cumprindo a promessa. Experiência interessante: o clima é descontraído, há opções variadas de comida (um pouco caras pro bolso de estudante) e peças interessantes relacionadas à história ou à atualidade musical.

Durante esses dois dias, estivemos na companhia de um coreano que arranhava umas frases em inglês e demorava cinco minutos para entender cada palavra nossa. O Opá, como é chamado em terras ocidentais, vai viajar sozinho por dois meses pela Europa. Ele estava no mesmo quarto que a gente e o convidamos para ir a Cascais e Belém conosco. Para agradecer, ele fez questão de pagar os nachos que comemos no Hard Rock Café e nos deu uma lata de comida coreana muito suspeita.

O presente do coreano…a lata, fechada, até que parecia apetitosa…

Fizemos questão de provar (sem a presença dele, é claro). A iguaria que, diz ele, é apreciada pelas crianças coreanas, são pupas com gosto de camarão embebidas em uma água suja. Não passamos da primeira larvinha. O resto deixamos na prateleira de “free food” da geladeira do hostel, para quem quisesse se aventurar…

Mas depois de abrir, só o cheiro era insuportável. A intenção do coreano foi ótima, mas não tivemos coragem, nem paladar, pra prosseguir com as larvinhas…

21/05 Reservamos a segunda-feira, quando a maioria dos museus fecha, para visitar Sintra. Mesmo esquema de Cascais e Estoril: trem por 2,05 euros, 30 minutos e felicidade garantida. Depois de uma tentativa infrutífera de chegar ao Castelo dos Mouros a pé ou de carona, pegamos o ônibus que faz a rota até o Castelo e o Palácio da Pena. (Alguém precisa explicar aos portugueses que quando a gente estica o dedão pra pedir carona eles tem que parar, e não dar tchauzinho!)

Parte do Castelo dos Mouros, que remonta aos tempos de D. Afondo Henriques, primeiro rei de Portugal.

Palácio da Pena, onde predomina o estilo romântico do séc. XIX. Depois da Proclamação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu.

Durante nossos dias em Lisboa, fizemos lanchinhos que comemos ao longo do dia para economizar grana e poupar tempo. Por isso, nada de fotos de grandes pratos de comida nesse post, infelizmente. No entanto, tivemos a experiência única a de almoçar em um jardim de Cascais, dentro da Torre de Belém e no Castelo dos Mouros. O lado ruim: não aguentamos mais ver pão, peito de peru, cenoura, tomate.

Os “bocadillos” que salvaram nossa fome, nosso bolso e nosso tempo de turistas empolgadas

Na nossa última noite, conhecemos um brasileiro engraçadíssimo, que tinha acabado de chegar de Porto. Foi pra lá de carro alugado com uma turma de brasileiros depois que o vôo deles foi cancelado. De lá, todos foram para Lisboa. Uma das brasileiras, inclusive, estudou na mesma escola que eu em Campinas, veja que mundo pequeno!

Resolvemos aproveitar todos juntos a nossa última noite na cidade conversando rindo e se surpreendendo com as figuras inusitadas das ruas de Lisboa, como o cara que achou que éramos sua pequena plateia e começou a improvisar uma performance teatral…

Fim da nossa viagem, a Dani voltou pra Pontevedra cheia de provas pra fazer e pouco tempo pra atualizar o blog.


Dica final: Nesse site: http://www.lisbonlux.com dá pra encontrar várias dicas de lugares, museus e atrações pra conhecer. Tá bem atualizado e contextualizado!

Saludos!

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“Ou eu vou pra Madrid…”

Aproveitando o feriado do dia do Trabalho, 1 de maio, fui à Madrid, pois não poderia deixar de conhecê-la, né? Fiquei hospedada na casa da Mi, que foi uma guia para mim, pois me mostrou os principais turísticos e claro, me ajudou em tudo. Por azar, acho que levei a chuva incessante da Galicia para a capital espanhola, que costuma ser sempre ensolarada e seca. Choveu em quase todos os dias que fiquei lá, menos, é claro, no dia da partida.

A obrigatória foto com o urso símbolo da cidade

A Mi fez um tour turístico comigo: me mostrou a Plaza Mayor, a Plaza de Toros (gigante, por sinal!), o Mercado de San Miguel (uma loucura aquilo, dá vontade de comprar tudo!), o Palácio Real, a Plaza de España (com estátuas de Don Quijote e Sancho VillaPanza), a Puerta del Sol (onde há vários artistas de ruas, dos mais criativos aos mais bizarros, e onde costumam ocorrer os grandes protestos), o Parque do Retiro, imenso, o templo egípcio de Debod, construído há 2200 anos. Quase tudo debaixo de chuva, frio e vento…Destaco aqui alguns passeios:

Fomos ao Museu Reina Sofia, ao qual a Mi ainda não tinha ido, e fomos direto às obras de Mirot, Salvador Dali, Picasso e Goya. A grande atração do museu é a Guernica, que atualmente está em fase de estudos – várias câmeras passam pela tela, e pesquisadores estudam cada detalhe da obra. Achei um espaço minúsculo entre o turbilhão de visitantes que apreciavam a obra e fiquei ali admirando por um tempo. Era bem do jeito que eu a imaginava…mas confesso que apesar da indiscutível importância artística e histórica da obra, ela não é uma das minhas preferidas.

Plaza Mayor

Plaza de Toros (levei a chuva da Galicia pra Madrid…)

Almoço caseiro: arroz com brócolis, tortilla de batatas e salada de alface com kani

No domingo, fomos ao Mercado do Rastro, uma grande feira que funciona aos domingos, com barracas ao ar livre onde se vende quase tudo que se possa imaginar – de roupas a objetos antigos. Não resisti e comprei uma saia, uma bolsa, uma meia-calça e um cachecol (esse alaranjado que você vê nessa foto de cima), tudo por 17 euros. A Mi estava certa quando disse que eu ia gostar do Mercado do Rastro…eu adorei!

Debaixo de chuva, enfrentamos uma fila enorme para conhecer o estádio Santiago Barnabéu, do Real Madrid. A visita, com preço salgado de 16 euros, é bem paga: se pode conhecer quase tudo: sala de troféus, museu do clube, com uniformes e objetos históricos, a vista panorâmica do estádio, a área do banco de reservas (os bancos são incrivelmente confortáveis…) e até os vestiários. O estádio é fenomenal! E ficamos na vontade de assistir a uma partida nele!

A Mi, muito paciente, foi pela terceira vez ao Museu do Prado, para que eu o conhecesse. Lá, por uma questão de otimizar tempo (e também porque chega uma hora da viagem que você foge de museu, é fato…), fomos direto ao que me interessava: obras de Goya, com destaque para La maja desnuda, Los fusilamientos de 3 de mayo, Saturno devorando a sus hijosEl coloso, La familia de Carlos IV , Velásquez (fiquei emocionada de ver pessoalmente As meninas de Velásquez) e Rembrandt. Havia vários outros clássicos, esculturas a perder de vista e infinitas pinturas sacras.

Na vista panorâmica do estádio do Real Madrid

Vestiário: imagine isso na concentração…ou se preferir, depois do jogo…

Olha o que encontramos no museu Reina Sofia…

E pra não dizer que não fui pra balada em Madrid, a Mi me levou em duas boates, a Shoko e a Moon Dance – entramos de graça com as pulserinhas que os promoters distribuem nas ruas. Na Moon Dance, dançamos muito electrolatino, fugimos de alguns caras sem noção e nos divertimos muito.

Voltei a Pontevedra de ônibus (porque era o meio mais barato no feriado), e aproveitei um pouco das 8 horas e meia de viagem pra estudar espanhol. Foi mais uma viagem incrível, com a companhia da Milena, a quem mais uma vez agradeço pela hospitalidade e por ser ter sido minha guia em Madrid:) Mi, te dedico esta canção (clica aqui!).hehe

Nossa próxima viagem juntas é pra Lisboa, aguarde…

Saludos!

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Porto, essa querida…

A viagem pra Porto logo depois da Semana Santa veio num momento não muito propício: fim de semestre letivo e dezenas de trabalhos pra fazer. Quando compramos as passagens em fevereiro, nem imaginávamos que abril seria um mês corrido e quebraria todo o nosso ritmo de estudos. Mas quando voltamos, eu agradeci por já ter essas passagens compradas e desfrutar dias tão bons na querida Porto!

Cheguei na cidade por volta das 10h30 e a Dani já estava no hostel quase surtando por que eu ainda não havia chegado. O voo atrasou só uma horinha e enquanto eu não chegava ela me ligou umas dez vezes (não é exagero, gente!). [Dani: só uma horinha! Básico assim! Sou o tipo de amiga preocupada, gente…]

Logo no aeroporto, achei curioso poder falar português e ser entendida por não-brasileiros. E por conseguir entender um sotaque que parece outra língua! No hostel, fui recebida por uma trilha sonora brasileira. Estava em casa!

Avenida dos Aliados

Encontrei a Dani e a primeira coisa que fizemos foi uma das que a gente mais gosta: achar um restaurante legal pra almoçar! Logo vimos que Portugal seria gentil com o nosso bolso: pratos por 5 ou 6 euros e docinhos por menos de um euro! Nós voltaríamos outras vezes nesse restaurante só pelos docinhos…

Começamos nosso “city tour” pela cidade. A Dani, que já havia estado em Porto numa viagem com outros estudantes Erasmus, me levou até a livraria Lello, considerada a terceira mais bonita do mundo e fonte de inspiração para J.K. Rowling. (Sabe as capas que a turma de Hogwarts usam? Então, iguais às dos estudantes da Universidade do Porto!)

Vimos a Torre dos Clérigos (a mais alta de Portugal), a estação de São Bento, a Avenida dos Aliados – pela qual passaríamos várias vezes – e várias igrejas pelo caminho. Um dos destaques da Avenida Aliados é a estátua do D. Pedro IV, o Dom Pedro I no Brasil. Depois tomamos um café no Café Majestic, que é frequentado em peso por outros colegas turistas e senhoras excessivamente maquiadas.

Café gelado no Majestic

O tempo chuvoso foi a oportunidade para corrermos ao Centro de Fotografia de Portugal. Vimos uma exposição com fotos de Joao da Silva sobre a guerra no Afeganistão e o museu, com câmeras incríveis de várias épocas e estilos. Inclusive câmeras de espionagem, menores do que essas Cybershots. Também gostei muito da exposição “Mulheres de Camilo”, em referência às mulheres que serviram de inspiração ao escritor Camilo Castelo Branco, do Romantismo Português. Na exposição o destaque era pra mãe de Camilo e pra Ana Augusta Plácido, seu grande amor. Lembro que estudei muito os textos dele no colegial, e foi uma boa lembrança poder reler alguns deles.

Na saída, encontramos a Gáb, amiga da Dani que está fazendo intercâmbio em Porto e seu colega, Michel, que também estava visitando a cidade. Fomos ao Palácio de Cristal, que um dia já foi um palácio de cristal, mas que foi demolido pra construírem no lugar o Pavilhão dos Desportos. Lamentável. Mas os jardins em volta são lindos e tem uma vista incrível pro rio Douro.

Apesar de ser sexta-feira, estávamos as duas esgotadas. Por isso, a noite e debaixo de chuva, o máximo que conseguimos fazer foi ir ao Piolho, o ponto de encontro da galera. O restaurante/bar estava cheio. Uns comendo, outros tantos bebendo. Volta e meia aparecia um jovem quase inconsciente sendo carregado pelos amigos até o banheiro. E o melhor de tudo: um pratão de comida, do tamanho da nossa gula.

Felicidade por 5 euros

No dia seguinte, depois de um bom café da manhã com pãezinhos deliciosos, fomos conhecer as caves do outro lado do rio, na cidade de Gaia e provar o famoso vinho do Porto. O sol resolveu dar o ar da graça e embelezar nossas fotos enquanto atravessávamos a ponte Luís I, a mais antiga da cidade em atividade.

E aí começou nossa saga em busca da cave Graham’s, onde poderíamos fazer a visita e a prova de vinhos de graça, oferecido pelo hostel. De longe ela é fácil de identificar, fica aí, bem no meio do morro. Mas tem apenas UMA placa que indica a direção do lugar e ninguém sabe explicar direito como chegar ali. Erramos o caminho três vezes. Estávamos quase desistindo, mas resolvemos enfrentar o morro uma última vez e ainda bem que tentamos!

Rio Douro visto de cima da ponte Luís I

Markus, estagiário, 20 anos (!) contou a história da caves e da família dona do negócio. Era a primeira vez que ele ia ser guia, já que era trainee na cave e desde o começo já pedia desculpas pelo nervosismo.  Explicou a diferença entre os vinhos e seus processos de produção, e dividiu com a gente a emoção de provar um vinho de mil oitocentos e pouco. Aproveitamos que éramos as únicas que estavam no tour em português para enchê-lo de perguntas! O Markus mandou muito bem! Dá pra ver a paixão pelo vinho corre no seu sangue!

Na saída, fizemos a prova dos vinhos – que são doces e com alto teor de álcool, para nossa alegria. E ainda ganhamos uma taça a mais de vinho branco. Depois dessa experiência, acho que eu nunca mais vou tomar Campo Largo

Vinhos e uma vista linda!

Antes de sairmos, fui ao banheiro. A Milena, incrivelmente, a princípio disse que não estava com vontade. Fui eu, e logo depois, quando eu já estava terminando de fazer xixi, a Milena entra no banheiro, e diz:

Ah, mudei de ideia, vou fazer já pra depois não ficar com vontade.

Anh.. – digo eu, concentrada no meu xixi.

Escuto então um barulho interminável de xixi caindo (sabe quando vc nota que a pessoa estava apertada só pelo barulho que faz?), e digo à Milena:

– Meu deus, com tudo isso de xixi você ainda queria segurar?

– Não sou eu, Dani!!!!

Momentos de gargalhadas à parte (que cortaram o meu xixi, por sinal), eu não tinha percebido que havia entrado outra mulher, que usou o banheiro ao meu lado, enquanto a Mi estava em outro canto do banheiro. Rimos horrores (um pouco pelo efeito do vinho…), e agrademos pelo fato de a tal da mulher não entender português (assim esperamos….)

Mãe, essa é a última, tá?


Conseguimos descer o morro sem rolar ladeira abaixo (vitória!). E então, já mortas de fome, paramos num restaurante para comer um… bacalhau! Claro, não podíamos sair de Portugal sem provar um. E ainda almoçamos em grande estilo, ao lado do Douro, esse lindo!

A obra mais legal do jardim de Serralves

Reservamos o sábado a noite pra fazer o pub crawl! Conhecemos 4  bares e no final uma discoteca. Ficamos ali até a hora que nossos pulmões e lentes de contato permitiram. A fumaça de cigarro era tanta que já estava asfixiante. Depois descobrimos que em Portugal também é proibido fumar em lugar fechado. Mas pelo que vimos, exceção era quem não estivesse fumando…

Terceiro dia, missão: conhecer o Museu de Arte Contemporânea da Fundação Serralves, entre outras coisas.

Eu e Dani não curtimos muito o museu, não. Acho que ainda precisamos de um nível de abstração muito grande para compreender os artistas contemporâneos. Maaaas, o jardim da Fundação é lindo e enorme. Só não ficamos mais porque estávamos com frio, muito frio – e fome (novas!).

Pegamos um ônibus até o Castelo do Queijo. Que não é um castelo de queijo, nem em forma de queijo e que não tem nada relacionado a queijo em volta. Só foi construído em cima de uma pedra que parecia um queijo. Mas é bonito.

Pasmem, a Dani comeu tudo isso

Caminhamos pela “beira-mar” até encontrar um restaurantezinho agradável para almoçar.A Dani pediu um caldo verde e uma Alheira de Mirandela, só pratos típicos.  O caldo verde lembrou a sopa de fubá da minha avó Alice, e a origem da alheira de mirandela vem dos tempos de perseguição aos judeus, já que eles “enchiam” a linguiça com carne branca, e diziam que estavam comendo carne vermelha, carne de porco, pra não levantarem suspeitas…

Na volta, enfrentamos a maior ventania das nossas vidas acompanhada de um frio nada agradável. Enquanto esperávamos o ônibus desejamos estar em Floripa pra poder esticar o dedão e quiçá conseguir uma carona salvadora.

Agradecemos muito a hora que o ônibus chegou! E estávamos tão quentinhas e confortáveis que nem queríamos descer na Casa da Música, o próximo ponto do nosso itinerário. Mas descemos. Não conseguimos ver nada lá além da arquitetura do prédio. As visitas acontecem às 11h e as 16h, somente, e já eram 18h…

Mas o que eu gostei mesmo foi do Monumento aos Herois da Guerra Peninsular que tem na praça em frente. É o monumento mais impactante que eu já vi até agora. A Guerra, que aconteceu de 1808 a 1814, uniu os exércitos português e inglês contra as forças francesas de Napoleão na Península Ibérica. No topo da estátua, tem a figura do Leão (Portugal) pisando sobre a Águia (França). Fortíssimo simbolismo.

Monumento aos Herois da Guerra Peninsular

O nosso dia ainda não tinha terminado. A última missão era conhecer o Museu do carro elétrico – o nosso bom e velho bonde. O museu fica na estação de bondes que ainda funcionam na cidade, mais pra turismo, e mostra os vários modelos de carros, até o que precedeu o ônibus =((

Agora, sim, de volta pro hostel, cansadérrimas e sem qualquer vontade de sair no frio, tentamos pedir uma pizza ou qualquer outra coisa delivery. Mas já era quase meia noite do domingo e nada para entrega a domicilio.

Eis que aparece um italiano muito prestativo que se ofereceu para fazer um spaghetti a carbonara pra gente! Os ingredientes surgiram de algum armário da cozinha do hostel (sempre nos salvando). Enquanto cozinhava, o Stefano nos explicou os diferentes tipos de massa, cozimento e falou da sua indignação com pessoas que conseguem deixar o macarrão passar do ponto, (vulgo, eu). Ah, esse hostel em Porto, foi o melhor que ficamos dentre todas nossas viagens! Animado, com gente jovem e prestativa, bem decorado, limpo, com cozinha, mapas, enfim, muito útil! 

Spaghetti mezzanotte. O uso da faca foi proibido durante a refeição

Contrariando o senso comum, resolvemos fazer o nosso “walking tour” pela cidade no nosso último dia.  O objetivo não era ver os principais pontos turísticos, mas ouvir as histórias. Acabamos conhecendo lugares novo, também, como a murallha, a Igreja de Santa Clara cheia de ouro do Brasil e “o jardim da paquera”.

Ruas encantadoras de Porto

Medo da francesinha

Nosso guia, o Pedro, contou a história de um dos pratos mais famosos de Porto, a Francesinha. É um sanduíche de várias carnes, linguiça,salsicha, fiambre… coberto de queijo e molho picante. O ovo frito por cima é opcional. O nome, disse ele, faz referência às mulheres francesas, que na época em que o prato surgiu eram muito mais liberais do que as portuguesas. O lanche, por ser forte e picante, faria as portuguesas ficarem com calor e então, tirarem algumas peças de roupa e beberem mais. Espertinhos.

Rejeitamos a francesinha por três dias até conhecer essa história. Tivemos que provar. Mas, com receio de que o prato seria muito pesado, dividimos uma francesinha e complementamos com uma salada.

Passamos no Mercado do Bolhão, compramos souvenires e eu me despedi da Dani, as duas com vontade de ficar mais.

Fui embora de trem, num esquema um tanto incomum de compra: só consigo comprar os bilhetes na fronteira, quando sai o fiscal português e entra o espanhol. São duas horas e pouco de viagem, mas pelo fuso, a Espanha está 1h adiantada em relação a Portugal.

Meu voo era às 6h do dia seguinte. Então deu tempo de fazer uma das coisas que eu mais gostei. Às segundas-feiras, ao lado do rio, se vende copos enormes de bebida a 5 euros e de cerveja a 2,50. O lugar, que eu já tinha achado lindo de dia, é ainda mais encantador à noite. Fui para lá com o pessoal que estava no hostel. Lembrei da praia, de Floripa e dos happy hours da UFSC. Me senti em casa e não queria voltar.

Minha câmera tremeu de emoção com a vista do Douro à noite

Saludos!

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Romance, moda e…pizza!

Aqui continua nosso relato das viagens da Semana Santa, agora é a vez da Itália!

03/04 e 04/04 – Veneza: Que charme de cidade!

Aí sim, passamos frio, muito mais que em Londres! E pra piorar, o tempo não colaborou com o clima romântico da cidade: choveu horrores. Demos lucro para os ambulantes que vendiam guarda-chuva e capas. Ficamos num camping, o “Camping Rialto“, onde a gente teria rido alto não fosse o frio. Era muito bonitinho de dia, mas congelante pela noite, e sem calefação. Só pra ter uma ideia, a Mi teve de dormir com duas meia-calças, legging flanelada, calça jeans, blusa de pijama, casaco fino e casaco pesado. Eu, com meu pijama flanelado, duas meias, sobretudo (que levei pensando em Londres), cachecol e a coberta dobrada em dois. Acertamos na escolha do “hostel-camping” pelo conforto das camas…mas teríamos acertado mais se fosse verão.

Nosso chalé no "Camping Rialto", bonitinho, barato, confortável, e...frio!

Nossas camas, um paraíso comparadas com as do hostel de Londres

Fizemos um Venice Card – fica a dica – , um abono de transporte, já que o nosso camping ficava fora do centro de Veneza, “do outro lado da ponte”, e pra economizar nos transportes. Usamos o transporte público, que é…o barco (vaporetto), obviamente. Funciona como se fosse um metrô, com paradas e baldeações. Como a gente não tava em lua-de-mel, e o dinheiro era pra pizza e massa, não passeamos nas gôndolas. É charmoso, mas não deve valer os 30 euros ou mais por pessoa. Se você chega cheio de malas e seu hotel está em algum dos inúmeros canais, uma opção pode ser o táxi…que é uma gôndola menos enfeitada.

O "vaporetto", transporte público em Veneza

Pontos turísticos a destacar: Piazza de San Marco (não confie muito nas placas, elas te fazem andar em labirinto, e quando você chega lá, não sabe se desvia dos turistas ou dos pombos); Dodge Palace; Museu Histórico Naval; Ponte Rialto; passeio de barco pelo Gran Canale; igrejas e basílicas, com destaque para a Santa Maria della Salute. Também pode ser interessante visitar as ilhas próximas ao centro de Veneza, como Murano, famosa pelas obras em vidro. Não conseguimos visitar o Museu do Vidro,

mas com certeza valerá a pena!

Interior do Palácio Ducale, que já foi residência oficial de duques e sede do governo

Basílica de São Marcos: uma mescla dos estilos bizantino e gótico

Ainda que não seja carnaval, as máscaras estão lá, seduzindo os turistas…

E que pizza!

E de comida, muita pizza, macarrão, lasanha…e claro, o sorvete italiano, delicioso!

05/04 – Verona, a cidade de Romeu e Julieta!

Fomos de trem de Veneza a Verona, onde fazia um dia com clima super agradável, e incrivelmente, o sol resolveu aparecer um pouco. Essa viagem era pra completar o trajeto romântico, já que eu e a Mi somos praticamente um casal: planejando viagem juntas, fazendo contas e dívidas, dormindo no mesmo quarto…hehe!

Nossa primeira parada foi a Arena de Verona, que diz a Mi que é bem parecida com o Coliseu de Roma (e que eu espero ainda conhecer!). Os guias e wikipedias da vida dizem que ela é mais antiga que o Coliseu: estima-se que foi construída no séc I d.C.

Arena de Verona: dizem que é é terceiro maior teatro romano da Itália

A arena está ativa: ficamos imaginando como seria perfeito ver um espetáculo aí!

Seguimos o trajeto turístico e visitamos a Casa de Julieta. Em frente, há uma escultura da Julieta, e dizem que se você quiser ter sorte no amor tem de passar as mãos no lado direito dos peitos da pobre. Dá pra sentir que a galera tá meio no desespero, porque os peitos dela já estão brancos de tanta gente abusar dela.

Nas paredes da Casa de Julieta, há um turbilhão de mensagens de amor dos enamorados e...chicletes

Na sacada da casa de Julieta: "Romeu, meu querido amor..."

A Mi e eu até tentamos, mas a fila e o tumulto eram grandes. Se ao menos fosse pra passar a mão no Romeu, né? Na Casa de Julieta, há um museu, todo ambientado na época em que a famosa história de amor (e convenhamos, forçada, não?), e claro, com a sacada de onde ela via Romeu. Dizem os historiadores que essa realmente foi a casa de Julieta por causa de um brasão que encontraram em um chapéu de sua família, a Família Capuleto. Também é possível ver a casa do Romeu, mas só por fora, já que hoje é “propriedade privada”.

Também fomos à tumba de Julieta, mas o ambiente não tinha uma energia muito boa…era muito escuro, fedido e meio macabro. Mas tá aí a pobre da Julieta:

Tumba da Julieta

No fim da tarde, estávamos andando meio perdidas até que descobrimos um castelo-fortaleza, o Castel Vecchio (Castelo Velho) construído no século XIV pela família Scaglieri, só pra se proteger dos inimigos mesmo. O castelo é lindo, tem o charme da arquitetura medieval e uma visão magnífica para o rio Adige, o sexto maior da Itália.

Castel Vecchio, quando São Pedro já dava o ar da sua graça

Visão de fim de tarde no Castel Vecchio. Esse é o rio Ádige.

À noite, comemos mais massa, pra variar…e voltamos para descansar..desta vez ficamos num lugar quente, confortável, novo, enfim, um “esquema-patrão”. Era o bed and breakfast La Magnolia, muito bem localizado, bem pertinho da estação de trem, com café da manhã incluído e numa casa relativamente chique.

Acertamos na escolha! Bed and breakfast num "esquema-patrão"!

06/04 e 07/04 – Milão: moda, marcas e…nada demais

Fomos novamente de trem de Verona a Milão, onde ficamos no Hotel Brivio, que chamavam de hotel, mas que não o era nem de longe. Não recomendamos: quarto frio, não aceitam cartão, há um cachorro na recepção (!) e o banheiro alaga durante o banho. O que salvava era a localização, já que ficava perto de uma estação de metrô e relativamente próximo do centro da cidade.

Nosso primeiro ponto foi visitar um Museu da Moda, mas que deixou muito a desejar. Não havia nada de história da Moda, só algumas e poucas peças de roupas descontextualizadas e vários quadros. Andamos pela cidade, e enquanto em Veneza e Verona o colorido ficava por conta das paisagens charmosas, em Milão o colorido é das vitrines de marcas famosas e de gente elegante nas ruas. Continuamos andando, e descobrimos a Piazza Duomo, talvez o ponto turístico mais importante, já que nela está a Catedral Duomo, a maior catedral gótica da Itália:

Catedral Duomo, que começou a ser construída no séc. XIV. Tem 2245 estátuas nos seus detalhes.

Logo em frente à praça, fica a Galeria Victorio Emanuelle II, assim nomeada para homenagear o primeiro rei da Itália unificada. Na galeria estão lojas de marcas famosas internacionalmente (Louis Vutton, Prada, Gucci e todas aquelas que você nem olha as vitrines pra não tomar um susto com os preços).

Interior da Galeria Victorio Emanuelle II, um "shopping" de marcas famosas (e caras)

No domingo, fomos empolgadas para conhecer o estádio do Milan, mas… chegamos lá e não estava aberto pra visitas, pois era dia de jogo, contra o Valencia, por 30 euros. Não estávamos dispostas a pagar isso e além do mais, esperar duas horas pro jogo começar. Contemplamos de longe o estádio e fomos à caça de museus… A maioria (dos poucos do que há em Milão) estavam fechados. Conseguimos visitar o Museu de História Natural, bem interessante e bem projetado, já que há simulações bem verossímeis de habitáts em diversas partes do mundo, inclusive do Pantanal e da Amazônia brasileira.

Andamos mais um pouquinho e descobrimos um parque lindo, onde estava havendo um evento que parecia uma festa junina – comida, música e brinquedos pras crianças. Delícia de lugar! Aproveitamos pra repor as energias, claro, com sobremesa:

Que roupas que nada! Nosso tipo de consumo é outro!

Mais à noite, fomos conhecer o bairro Navigli,pelo qual havíamos passado depressa no dia anterior, com vários bares, restaurantes e bem estiloso. Lá há um canal que nos fez lembrar Veneza. Parece que é um dos lugares badalados de vida noturna, frequentado principalmente por jovens. Se não fosse domingo, não estivesse frio e São Pedro estivesse de bem conosco, teríamos ficado pra sentir como era a noite ali. Mas voltamos pro nosso quase hotel pra recolher nossas mochilas e partir pro aeroporto….a viagem da Semana Santa estava chegando ao fim:(

Bairro Navigli, conhecido pela agitada vida noturna

No aeroporto de Milão, nos preparando para a volta...e para fazer nossas mochilas caberem na caixa da Ryanair....

Uma dica final: na Itália em vários estabelecimentos, inclusive nos hostels, não aceitam cartão de crédito/débito, o que nos fez gastar em cash, o que não foi legal. E se prepare pra ter o valor certinho pra pagar o hostel, eles costumam, incrivelmente, não ter troco.

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Londres é amável assim…

Nossa primeira viagem da Semana Santa: Londres!
Decidimos fazer um resumo dia-a-dia, com os perrengues , os prazeres e algumas dicas pra aproveitar a cidade. Ficamos cinco dias, mas que valeram por muito mais!

28/03 – Chegada em Londres. Milena saiu de Madrid, e eu saí de Porto, em Portugal. Chegamos em Londres à noite. Nosso hostel era o Surprise Backpackers, no centro, bem pertinho da London Eye. Antes, quando o escolhemos, brincamos: “tomara que não tenhamos nenhuma surpresa…”. Apesar do ambiente um pouco alternativo (o hostel era ao mesmo tempo um bar), do clima extrovertido do lugar e da boa calefação, nossa surpresa foi com a cama: consegúiamos sentir os “ferros” do colchão, e isso não foi nada legal. Pagamos 100 euros por 5 noites, e tínhamos café da manhã.

Encontramos uma réplica da nossa cama no British Museum. Era assim que a gente se sentia:

Nosso colchão era mais ou menos assim...

29/03 – Dia de sol, veranito, e nada de fog londrino como esperávamos.
Fizemos a pé grande parte do circuito histórico-turístico: Big Ben e o Parlamento, a London Eye, uma roda gigante que fica às margens do rio Tâmisa (o Thames para os londrinos) de onde dá pra ver toda a cidade de cima; a revolução completa da roda demora 30 minutos. Vale a pena pagar as 20 libras! Também passamos Catedral de Westminter, mas não entramos porque não estava no horário de visitas. Se você quiser entrar no prédio sem pagar entrada, pode assitir à missa das 17h.

Vista de cima de Londres dentro da London Eye

Dia lindo de sol e o Big Ben ao fundo

Também visitamos o Palácio de Buckingham – a casa da rainha-, por fora é claro, e pudemos ver os guardas da realeza marchando dura e metodicamente, o que é um tanto engraçado.

Palácio de Buckingham

Também passeamos por parques, como o Green Park, visitamos o Victoria and Albert Museum, que tinha entrada livre. À noite, fomos ao bairro do Picadilly Circus, famosa pelo comércio, pelos restaurantes e pela estátua de Eros. De lá descemos a pé até a Trafalgar Square, que tem esse nome por causa da Batalha de Trafalgar, em 1805, na qual o famoso almirante Nelson venceu as tropas francesas e espanholas.

No movimentado Picadilly Circus, atrás a estátua de Eros e a galera que se amontoa pra comer, descansar, ou só ver...

Trafalgar Square

30/03

Pela manhã, visitamos com um audioguia à St. Paul´s Cathedral . Pagamos 13,50 libras. A igreja é de estilo anglicano, e é onde aconteceu o casamento da princesa Diana. A atual  igreja é resultado de uma construção depois de 1666, pois nesse ano houve um grande incêndio em Londres e a antiga St. Paul´s foi quase toda destruída.  A obra , do arquiteto Sir Christopher Wren, terminou em 1710. Na cripta da catedral, estão as tumbas de alguns herois britânicos, como o almirante Nelson, o duque de Weillington e do próprio arquiteto Christopher Wren. Muita história, beleza e encanto na St. Paul´s Cathedral, vale a pena visitar!

Depois de um almoço de sopa japonesa, fomos visitar a Torre de Londres. Pagamos 17,60 libras. Se você for a Londres e não visitá-la, vai deixar de saber e reviver muuuito da história britânica, de seus personagens e detalhes. A Torre já foi castelo, palácio, prisão, arsenal, tesouro das joias reais e até lugar de execução. Atrações de destaque: exposição das joias da rainha; as inscrições preservadas dos antigos prisioneiros, as armaduras e instrumentos de guerra usadas pelos reis, e materiais e história da Segunda Guerra Mundial. Da Torre de Londres, dá pra ver a Tower Bridge, e a paisagem é incrível.

Na Torre de Londres, com a Tower Bridge ao fundo

Na Torre de Londres, a armadura mais alta do mundo, com 2,057m, segundo o Guinness World Records.

Após repor as energias com um subway por 3 libras, fomos à National Portrait Gallery – aproveitamos que o museu ficava aberto até à noite e que a entrada era livre. A galeria foi fundada em 1856, e dá pra fazer um tour cronológico pelos retratos, acompanhando os rostinhos das realezas.

Quem tem talento tem...prática de desenho na National Portrait Gallery

Hora do prazer: comemos muuito bem na rede de restaurantes Garfunkel´s, no bairro Picadilly Circuis. Vale pela decoração do ambiente e a diversidade de pratos, de vários lugares do mundo. A faixa de preço dos pratos comuns varia de 10 a 15 libras, e é bem servido!

Garfunkel´s Restaurant: prato da Mi e o meu; comer bem pelo menos uma vez ao dia faz parte das nossas viagens;)

Com energia reposta, fomos à loja do M & M´s, (os confetes de chocolate!) no Picadilly Circus. Entramos mais por curiosidade, e por mais infantil que isso possa parecer, nos impressionamos com a loja – uma variedade enorme de produtos da marca. A loja é super fofa, se estiver de bobeira vale a pena entrar (e garanto que você não sai de lá com pelo menos um saquinho com confetes de cores diferentes!)

Na loja do M&M´s no Picaddily Circus

Hora do prazer 2: beber cerveja num pub londrino! Encontramos uns colegas da Mi e fomos até o bairro Soho, acessível a pé saindo do Picadilly Circus, e degustamos da maravilhosa Guinness! Comentário sobre Soho que não está nos guias: é um bairro inferninho, com casas com “show-dancers”, sex shop e letreiros vermelhos espalhafatosos. Bem interessante pro público gay e pra simpatizantes.

Em um pub no bairro Soho, degustando de uma Guinness;)

31/03
Frio, muito frio e dia cinzento!
Fomos pela manhã ao Old Spitafield´s Market, que tinha entrada livre. É como se fosse um brechó, de coisas vintage.  Mapas, óculos, roupas, joias, discos, rádios, enfim, tudo com aquele clima “velho-charmoso”. Milena e eu não resistimos e saímos cada uma de lá com um vestido de verão, que não temos esperança de usá-los nesse freezer europeu.
Almoçamos maravilhosamente bem no restaurante Giraffe´s, nesse mercado mesmo:

Nossa comida mexicana, eram como canelones picantes com salada de abacate

Como queríamos ir a lugar fechado, pra fugir do frio, fomos ao Museu de História Natural – entrada livre, mas te motivam a doar 1 libra pelo mapa do museu (e sim, ele é muito útil pra escolher prioridades de visita e pra não se perder), e como em vários outros museus, há caixas para quem quiser contribuir e jogar seus euros aí( não foi o nosso caso, obviamente).  Como já esperávamos, há uma grande parte do museu dedicada aos dinossauros – seus esqueletos, seu modo de vida…confesso que eu não tenho muita paciência nem gosto pra isso. Mas o museu também conta com uma infinidade de “amostras” de espécies animais e vegetais de todos os continentes. Até eu, que “não sou muito dos animais”, como diz a Milena, gostei bastante.

No Natural History Museum, com um dos inúmeros esqueletos de dinossauro

Logo depois, fomos ao Science Museum. Fica bem pertinho do de História Natural e também tinha entrada livre. Atrações de destaque: inventos de figuras como Thomas Edison, os estudos de DNA de Watson e Crick, o protótipo do computador da Apollo 10, as máquinas que tornaram a Revolução Industrial possível, os aviões usados na Segunda Guerra Mundial, o primeiro protótipo de um carro Ford, e a parte dedicada à história dos avanços da medicina.

À noite, fizemos um PUB CRAWL! Escolhemos o Canden Pub Crawl, que era divulgado pelo nosso hostel. Pagamos 15 libras, com direito a camiseta, 4 bares com shots livres e uma balada no fim da noite. Valeu muito a pena, conhecemos um bairro alternativo, frequentado não tanto por turistas, mas pelos próprios londrinos, e fomos a bares que não saberíamos da existência se não fosse o pub crawl. A balada estava muito boa! Pra mim seria melhor se tivesse mais música eletrônica, mas de todo modo nos divertimos horrores! Voltamos por volta das seis da manhã, com os ônibus 24horas que salvam a vida dos boêmios!

Canden Pub Crawl, pubs, bares e uma super balada!

01/03
Pela manhã, fomos ao British Museum. Foi fundado em 1756 e tem uma coleção surreal de antiguidades. Atrações de destaque: esculturas gregas,  arte egípcia, algumas múmias preservadas e bom estado até hoje, arte oriental, instrumentos de povos que vivem nos extremos norte e sul, para adaptarem-se ao frio intenso.

Pela tarde, fomos ao Madame Tussaud´s, o museu onde há vários famosos retratados em tamanho e características reais, em cera. Pagamos 18 libras, o preço normal é mais caro, mas havíamos comprado um “combo” quando compramos os bilhetes pra London Eye, então nos saiu mais barato. O nome do atual museu vem da Madame Tussaud, que começou a sua carreira nos fins do século XVII fazendo máscaras em cera para as vítimas da guilhotina, e se mudou para Londres em 1835. A verossimilhança dos bonecos com os famosos, políticos e celebridades é incrível!
Uma das atrações que mais me encantou no Madame Tussaud´s foi o passeio em um carrinho que imitava um táxi e que te levava cronologicamente pra diversas épocas da Inglaterra, com destaque pra Revolução Industrial.

Loucura, loucura - Madame Tussaud´s

Saindo do museu, fomos à Baker Street, a famosa rua do Sherlock Holmes. Infelizmente, o museu de Sherlock Holmes já estava fechado. Fomos descansar um pouco no Regent´s Park, grandioso, com patos e muito verde, como a maioria dos parques londrinos que visitamos.

Na estação de metrô Baker Street, onde ainda parece que vive Sherlock Holmes

02/03
Último dia em Londres! Pela manhã, fomos ao Museu do Sherlock Holmes, que é uma casa adaptada à época e ao estilo descritos pelo autor Conan Doyle. Pagamos 6 libras. Apesar de nem eu nem a Mi conhecermos muito sobre Sherlock Holmes, valeu a visita só por conhecer uma casa da época vitoriana.

No Museu do Sherlock Holmes, com o simpático guarda;)

Ao lado do Museu do Sherlock Holmes, há uma loja oficial dos Beatles, toda dedicada ao grupo. Compramos umas lembrancinhas pra nossos amigos beatlemaníacos e aproveitando o clima, fomos conhecer a Abbey Road. A rua não tem nada de espetacular, é estreita e ainda tem a famosa faixa de pedestres. O legal da Abbey Road é o muro do antigo estúdio dos Beatles, e ainda hoje em funcionamento, onde todos os turistas assinam, rabiscam, deixam recado. Juntamos nossa marca às tantas outras também de brasileiros.

Mi causando na Abbey Road

Pela tarde, fomos ao Tate Britain, outro museu enorme de Londres. Estava havendo uma exposição muito interessante sobre o Romantismo, comparando as pinturas de Turner (que eu adoro!) com outros artistas contemporâneos a ele. Ficaríamos mais no museu, mas a situação do meu tênis estava lastimável: fazia dias que a sola havia descolado, mas estava insistindo em usá-lo. Como no dia seguinte íamos pra Veneza, a Mi sugeriu que procurássemos um sapato decente pra continuar a viagem….

Seguimos o conselho do guia para compras e fomos até o bairro Harrold’s…só depois entendemos o que o guia queria dizer com “centro de compras internacional”. Isso queria dizer marcas caras, um prédio luxuoso onde certamente não encontraria um tênis barato e confortável pra uma simples estudante mochileira. Achamos uma loja H & M no bairro (tipo Renner no Brasil), e acabei encontrando um tênis tipo keds por 14 libras.  O tênis estragado teve de ir pro lixo, porque não haveria solução e não caberia em uma mochila de quem viaja com a Ryanair!

Passeamos pelo Hyde Park e alugamos uma bicicleta pra passear no parque, vale a pena! Por 30 min, vc paga 2 libras pra retirar a bike das estações de aluguel, mas não paga nada pelo passeio. É a melhor maneira de economizar tempo e de divertir-se pelo parque, onde há ciclocias e é bem seguro andar por aí!

Passeio pelo Hyde Park de bike;)

Tínhamos até umas 11 horas para passear pela cidade, até pegarmos nossas mochilas no hostel e o ônibus para o aeroporto de Stansted, que ficava a 1 hora que Londres (viajar de low cost é descer em aeroportos muito distantes do centro da cidade!). Passeamos um pouco pelo bairro-inferninho Soho, a fim de beber uma cerveja. Acabamos sendo atraídas para um bar onde uma banda tocava jazz e blues. Nada melhor pra terminar nossa viagem 🙂

Despedindo do nosso querido hostel... e das camas com ferros!

Voltamos para o hostel perto da meia noite. Deu tempo de tomarmos um banho, fazer amizade com outros viajantes e ficar conversando até a hora no nosso ônibus, às 2h30. Essa é a parte boa do hostel. A ruim é pensar que a gente conhece (e vai continuar conhecendo) um monte de gente legal durante as viagens que dificilmente teremos oportunidade de rever…

Compramos lanches e comida para levarmos até o aeroporto, onde ficamos da 1h até às 6h30, quando partiu nosso avião rumo à Veneza. Cochilamos, comemos, e deixamos nossas mochilas magrinhas pra mais um voo na Ryanair…
No próximo post, nossos dois dias em Veneza!

E aqui abaixo, vão nossas dicas pra aproveitar melhor Londres:

1)Consiga um hostel em boa localização, perto de estações de metrô ou no centro.
2) Se você tem o cartão Visa Travel Money, não troque os euros pos libras no aeroporto. A taxa de comissão é cara (de 4 euros pra cima pra uns 100 euros, por exemplo), então compensa sacar diretamente nos caixas eletrônicos, pois o saque vem direto em libras e a taxa será só de 2,50 euros, do Visa Travel Money.
3) Fique atento aos horários de check in do hostel. Chegamos perto da meia noite, por sorte, mas ficamos sabendo que chegaram outros hóspedes depois desse horário e ficaram sem ter onde dormir, porque o pessoal do hostel tinha ido embora.
4) Para se locomover em Londres, é imprescindível pegar metrô. Se você vai ficar 3 dias ou mais na cidade, compensa, e muito, comprar o Oyster Card, que é como um abono de transporte e lhe dá direito todos os metrôs e ônibus, quando e quanto quiser pelo período que você escolher.
5) Compre um guia que além dos pontos turísticos, também tenha o horário de funcionamento dos museus e das atrações, e que tenha o mapa do metrô da cidade. Compramos um no aeroporto, pagamos 6 libras e valeu muito a pena. Londres é enorme, com o guia dá pra colocar prioridades!
6) O horário de trabalho em Londres acaba às 17h30. É o horário em que os metrôs ficam lotados, e de maior movimentação.
7) Se você quer comer bem, sem se arriscar muito nos pratos típicos e pagar relativamente barato, prefira os restaurantes italianos, eles têm um bom custo-benefício para os padrões caros de Londres.

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